sábado, 26 de julho de 2014

SÃO JOAQUIM E SANT’ANA, PAIS DE NOSSA SENHORA (26 de julho)

 
              Celebramos hoje a memória dos pais da Virgem Maria. No Ofício Divino a Igreja os celebra, nos levando a uma experiência de maternidade e paternidade através da qual a jovem escolhida por Deus - que daria luz à Luz sem ocaso,  pôde receber em sua infância, a educação que a levara a conhecer as promessas dos Escritos Sagrados, recebidos de seus antepassados. Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi. Joaquim e Ana, segundo uma antiga tradição, já conhecida no século II, assim eram chamados os pais da Santíssima Virgem Maria. O culto a sua mãe, Sant’Ana, já era prestado no Oriente desde o século VI, e difundiu-se pelo Ocidente no século X. Recentemente, o culto ao pai da Virgem Maria, São Joaquim passou também a ser venerado.
            Ao ler os escritos de São João Damasceno – Bispo e Doutor da Igreja, que no século III, percebemos que ele já ensinava sobre os frutos da maternidade e paternidade destes nossos intercessores que ora celebramos, ‘Vós os conhecereis pelos seus frutos’. Com o texto a seguir, entenderemos que deles – Sant’Ana e são Joaquim, devemos aprender que a família e os filhos encontram sentido na vida quando são inteiramente direcionados para Deus. E que, ao longo de sua existência, cada um vai compreendendo o chamado e a missão neste mundo transitório, no qual todos precisamos ser ‘sal e luz’.
            Diz São João Damasceno:     
           “Estava determinado que a Virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana. Por isso, a natureza não ousou antecipar o germe da graça, mas permaneceu sem dar o próprio fruto até que a graça produzisse o seu. De fato, convinha que fosse primogênita aquela de quem nasceria o primogênito de toda a criação, no qual todas as coisas têm a sua consistência (cf. Cl 1,17).
            Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador.
            Alegra-te, Ana estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, porque de tua filha nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus.
           Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos (Mt 7,16). Estabelecestes o vosso modo de viver da maneira mais agradável a Deus e digno daquela que de vós nasceu. Na vossa casta e santa convivência educastes a pérola da virgindade, aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e continuaria virgem depois do parto; aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade, tanto em seu corpo como em seu coração.
          Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei natural, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus, que foi mãe sem a participação de homem algum. Levando, ao longo de vossa existência, uma vida santa e piedosa, gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha dos anjos.
          Ó formosíssimo e dulcíssima jovem! Ó filha de Adão e Mãe de Deus! Felizes o pai e a mãe que te geraram! Felizes os braços que te carregaram e os lábios que te beijaram castamente, ou seja, unicamente os lábios de teus pais, para que sempre e em tudo conservasses a perfeita virgindade! Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos, exultai e cantai salmos (cf. Sl 97,4-5). Levantai vossa voz; clamai e não tenhais medo.” (Ofício das Leituras - Dos Sermões de São João Damasceno, bispo - séc.VIII)
 
                                                                                          SÃO JOAQUIM E SANT’ANA, rogai por nós!
                                                                                               Rogai por nós SANTA MÃE DE DEUS,
                                                                              para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
                                                                                                                         Estela Márcia/OCDS

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário