“Disse
Jesus aos seus discípulos: “Como aconteceu nos dias de Noé, assim também
acontecerá nos dias do Filho do Homem. Eles comiam, bebiam,
casavam-se e se davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.
Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. Quem procura ganhar a sua vida
vai perdê-la; e quem a perde vai conservá-la. Os discípulos perguntaram:
“Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se
reunirão os abutres”. (Lc 17,26-27.33.37)
A insensatez do homem pode chegar aos extremos quando em sua vida come,
bebe, casa-se, festeja-se, mas não está em Deus, ou mesmo, vem a se afastar de
Deus. Sua alma se esvazia, seu corpo se torna oco e sem vida, um verdadeiro
cadáver. E a um cadáver, disse Jesus que somente os abutres se achegam. Ou
ainda, essa alma está em risco, se encontra em ‘perigo’, como ouvia numa
pregação: “Um coração sem Deus corre perigo”. Perigo de se perder em suas
concupiscências, em suas fraquezas e em seus pecados.
Sobre tais perigos recorremos a São Paulo quando adverte aos gálatas
frente a conservação da liberdade cristã, “Porque os desejos da
carne se opõem aos do Espírito (...) as obras da carne são estas: fornicação,
impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades,
brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes.
Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não
herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5,17.19-21)
A realidade é que, cristão ou não-cristão, religioso ou ateu, sua vida só
se fortalece com Deus e em Deus, que cotidianamente nos chama a um compromisso
com a felicidade sonhada para nós ao nos criar. Confirmamos em cada página
formadora da Escritura que recebemos de Deus a vida com bens visíveis e
invisíveis. Com os visíveis precisamos tomar posse de cada um deles, mas
também, fazermos bom uso dos mesmos em busca dessa felicidade desejada. Com os
invisíveis, os sobrenaturais, precisamos de uma prática de retorno ao interior
do próprio ser. E quando isso se faz, a alma se encontra com o seu ‘Artífice’ –
o seu Criador, o seu Deus. O ‘encontro’ é inevitável. E a partir desse encontro
tudo em nosso interior e ao nosso redor muda. Por isso, vai nos dizer o sábio
da escritura: “São
insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo
dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco,
pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice.” (Sb 13,1)
No caminho de volta ao próprio ser a
descoberta de Deus é inevitável dizíamos, porém tudo ao nosso redor passa a ser
redescoberto, o visível e o invisível, o sensível e o insensível, em tudo e em
todos se ouvirá a voz do próprio Deus: “Os céus proclamam a glória do Senhor, e
o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a
noite à noite publica esta notícia. Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz.” (Sl
18,2-5); “ Com efeito, vivendo entre as
obras dele, põem-se a procurá-lo, mas deixam-se seduzir pela aparência, pois é
belo aquilo que se vê!” (Sb 13,7)
Renovemos “o caminho de volta ao
próprio ser”! Façamos a redescoberta diária da presença de Deus que nos quer
num permanente encontro com Ele, e através Dele, experimentemos o caminho de felicidade
a nós reservado.
Estela Márcia
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