segunda-feira, 13 de maio de 2013

Papa: "O Espírito Santo é quem nos recorda as coisas de Deus"

“O Espírito Santo permite que o cristão tenha ‘memória’ da história e dos dons recebidos de Deus. Sem esta graça, há o risco de se cair na idolatria”.

Francisco lembrou que o Espírito Santo “é quase sempre um desconhecido de nossa fé”:
“Hoje, muitos cristãos não sabem quem é o Espírito Santo, como ele é. E algumas vezes, ouve-se dizer: ‘Mas eu me arranjo com o Pai e o Filho: rezo o Pai Nosso ao Pai, faço a comunhão com o Filho, mas com o Espírito Santo... não sei o que fazer’. Ou então se diz: ‘O Espírito Santo é a pomba, aquele que nos dá sete dons...’. Mas assim, o pobre Espírito Santo fica sempre no fim e não encontra um bom lugar em nossas vidas”. ... o Espírito Santo é um “Deus ativo entre nós”, que nos faz lembrar, que desperta nossa memória. O próprio Jesus explicou aos Apóstolos, antes de Pentecostes, que o Espírito lhes recordaria tudo o que ele havia dito. Ter memória – especificou - significa também recordar das próprias misérias, que nos escravizam, além da graça de Deus, que destas misérias nos redime.


Domingo da Ascensão do Senhor - Papa proclama Santos duas irmãs latino-americanas e os mártires de Otranto, exemplos de fidelidade a Cristo

As religiosas latino-americanas Laura Montoya e María Guadalupe García Zavala, e os mártires de Otranto – sul da Itália – proclamados Santos no início da missa presidida na manhã deste domingo pelo Papa Francisco, na Praça São Pedro, oferecem extraordinários testemunhos de amor e de vida cristã.
"São exemplos luminosos de fidelidade a Cristo – disse o Papa – e exortam-nos a anunciá-lo com a palavra e com a vida, testemunhando o amor de Deus com o nosso amor, com a nossa caridade para com todos."
A Palavra convida à fidelidade a Cristo, inclusive até o martírio. Uma página de "supremo testemunho do Evangelho" foi vivida em 1480 por 813 pessoas, que sobreviveram ao assédio e à invasão de Otranto por parte dos Otomanos e depois foram "decapitadas porque rejeitaram renegar à própria fé", frisou o Pontífice. Mas onde os mártires de Otranto encontraram a força para permanecer fiéis?
"Justamente na fé, que faz enxergar para além dos limites do nosso olhar humano, para além do confim da vida terrena, que faz contemplar <> - como diz Santo Estevão – e o Cristo vivo à direita do Pai. Caros amigo, conservemos a fé que recebemos, renovemos a nossa fidelidade ao Senhor, mesmo em meio aos obstáculos e às incompreensões; Deus jamais nos deixará faltar força e serenidade."
Reiterando "a beleza de anunciar Cristo e o seu Evangelho a todos", o Pontífice recordou em seguida a obra de evangelização na Colômbia – na primeira metade do Séc. XX – de Santa Laura Montoya, "primeiro como professora e depois como mãe espiritual dos indígenas". Suas filhas espirituais hoje levam o Evangelho aos lugares mais recônditos e são "uma espécie de vanguarda da Igreja", disse o Santo Padre:
"Esta primeira Santa nascida na bonita terra colombiana ensina-nos a ser generosos com Deus, a não viver a fé sozinhos – como se fosse possível viver a fé de modo isolado –, mas comunicá-la, a portar a alegria do Evangelho com a palavra e o testemunho de vida em todos os ambientes em que nos encontramos. Ensina-nos a ver o rosto de Jesus refletido no outro, a vencer indiferença e individualismo, que corroem as comunidades cristãs e corroem o nosso coração, e nos ensina a acolher todos sem preconceitos, sem discriminações, sem restrições, com amor autêntico, dando-lhes o melhor de nós mesmos e, sobretudo, partilhando com eles aquilo que temos de mais precioso, que não são as nossas obras ou as nossas organizações, não, o que temos de mais precioso é Cristo e o seu Evangelho."
O Papa exortou a sermos testemunhas da caridade, virtude sem a qual também "o martírio e a missão perdem o seu sabor cristão". Santa María Guadalupe García Zavala, nascida no México em 1878, foi testemunha dessa sublime forma de amor – disse o Papa –, renunciando a uma vida cômoda "para servir ao chamado de Jesus" e servir aos doentes e aos abandonados:
"Esta nova Santa mexicana convida-nos a amar como Jesus nos amou, e isso comporta não fechar-se em si mesmos, nos próprios problemas, nas próprias ideias, nos próprios interesses, neste pequeno mundo que nos faz tão mal, mas a sair e a ir ao encontro de quem necessita de atenção, de compreensão, de ajuda, para levar-lhe a calorosa proximidade do amor de Deus, através de gestos de delicadeza e de afeto sincero e de amor."
Os Santos proclamados neste domingo – acrescentou o Papa – suscitam também questionamentos para a nossa vida cristã:
"Como sou fiel a Cristo? Conservemos conosco essa pergunta, para respondê-la ao longo do dia: como sou fiel a Cristo? Sou capaz de 'mostrar' a minha fé com respeito, mas também com coragem? Estou atento aos outros, percebo quem está necessitado, vejo, em todos, irmãos e irmãs a serem amados?"
"Peçamos por intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e dos três novos Santos que o Senhor preencha a nossa vida com a alegria de seu amor", concluiu o Papa Francisco.






FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR (7º Dom. da Páscoa) 12.05.2013

Ninguém subiu ao céu a não ser aquele que de lá desceu
        Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. Ouçamos as palavras do Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-2). E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também nós subimos com ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido.
        Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Deu testemunho desta verdade quando se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues (At 9,4). E ainda: Eu estava com fome e me destes de comer (Mt 25,35).
        Por que razão nós também não trabalhamos aqui na terra de tal modo que, pela fé, esperança e caridade que nos unem a nosso Salvador, já descansemos com ele no céu? Cristo está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com ele. Por sua divindade, por seu poder e por seu amor ele está conosco; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como ele, ao menos podemos realizar pelo amor que temos para com ele.
        O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não se afastou de nós quando subiu novamente ao céu. Ele mesmo afirma que se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer: Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu (cf. Jo 3,13).
        Isto foi dito para significar a unidade que existe entre ele, nossa cabeça, e nós, seu corpo. E Ninguém senão ele podia realizar esta unidade que nos identifica com ele mesmo, pois tornou-se Filho do homem por nossa causa, e nós por meio dele nos tornamos filhos de Deus.
        Neste sentido diz o Apóstolo: Como o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor 12,12). Ele não diz: “assim é Cristo”, mas: assim também acontece com Cristo. Portanto, Cristo é um só, formado por muitos membros.
        Desceu do céu por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão ele; mas nele, pela graça, também nós subimos. Portanto, ninguém mais desceu senão Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.
        Isto não quer dizer que a dignidade da cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do corpo não se separa da cabeça. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo - Séc.V)


sexta-feira, 10 de maio de 2013

“...vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria.” (Jo 16,20c)


                “...vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria.” (Jo 16,20c) Por inúmeros motivos temos chorado, mas Jesus hoje nos traz uma promessa escatológica, a promessa da alegria. Embora o mundo esteja nos conduzindo a paixões que comprometem a nossa vida e por isso nos levam às dores, o Senhor hoje nos quer renovar. É o alento de Deus a nós cristãos. É a renovação de tudo aquilo que cremos. É a certeza do fim último de que a nossa alegria não está aqui nesta terra, e nem mesmo nos percalços que vivemos, está na felicidade eterna. Pensando assim tudo se renova, tudo ganha nova força e nova esperança com esta palavra de ânimo, ‘a vossa tristeza se transformará em alegria’.
            Mas, diante do que estamos passando no hoje de nossas vidas: perdas e enfermidades de todos os gêneros, abatidos pelo desânimo ou desespero, é aí, é para esse momento atual também que o Senhor está falando. Ele deseja de nós que tomemos posse. Apenas isso, num ato de fé e de esperança: ‘a vossa tristeza se transformará em alegria’. Basta nos deixarmos renovar pela verdade que esta palavra está nos trazendo. Entrega para os que crêem. Atitude de quem espera. 
Sem jamais nos esquecer do que diz o salmo 46: “O Senhor é o grande Rei de toda a terra.” Assim, como Rei de toda a terra, o Senhor é dono de tudo e de todos. Para Ele todas situações ganham um sentido novo, ganham uma nova solução, recebem as transformações devidas, então, tristezas podem sim transformarem-se em alegria.
Deus nos abençoe! Deus nos renove e nos transforme, juntamente com tudo aquilo que nós têm sido motivo de tristeza!
Estela Márcia

           



Papa Francisco e a felicidade dos cristãos

"A felicidade é peregrina" (Papa Francisco)

“Os cristãos são homens e mulheres alegres, como nos ensinam Jesus e a Igreja. Mas o que é esta felicidade? É alegria? Não, não é o mesmo. A felicidade é um pouco mais, é uma coisa que não provém de razões momentâneas: é mais profunda, é um dom. A alegria, no fim se transforma em superficialidade e nos faz sentir um pouco ingênuos, tolos, sem a sabedoria cristã... A felicidade não. É um dom do Senhor, é como uma unção do Espírito; é a certeza de que Jesus está conosco e com o Pai”.

Certo de que “Jesus está conosco”. A este ponto o Papa se perguntou: “Podemos engarrafar a felicidade para a termos sempre conosco?”. E respondeu:
“Não, porque quando queremos ter esta felicidade só para nós, nosso coração fica ‘emburrado’ e nosso rosto não transmite felicidade, mas só melancolia, o que não é saudável. Por vezes, vemos cristãos melancólicos que parecem ‘pimenta com vinagre’, que não têm uma vida bonita. Não aparentam felicidade. Isso porque a felicidade não pode ficar parada, deve caminhar, é uma virtude peregrina, um dom que caminha pelo itinerário de nossas vidas, com Jesus: rezar, anunciar Jesus e a felicidade alonga e alarga o caminho: é uma virtude dos grandes, dos que estão acima das pequenezas humanas, dos que não se deixam envolver em picuinhas da comunidade e da Igreja, pois olham sempre ao horizonte”.

A felicidade é “peregrina”, reiterou, concluindo que o cristão é “magnânimo e não pode ser covarde”, e nestes dias, especialmente, a Igreja nos convida a pedir a felicidade e o desejo, que sustentam o cristão em seu caminho.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Liturgia vem nos convidando a prepararmo-nos para Pentecostes. Vinde Espírito Santo!

”Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15,26“Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4aEu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”. 5“Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. 7No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei. 8E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: 9o pecado, porque não acreditaram em mim; 10a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; 11e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”. 12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. (Jo 15,26-16,15)
            Diante das promessas que o Senhor vem nos fazendo é importante que nós, seus discípulos, assumamos a atitude do acolhimento a Sua palavra. ‘O Defensor’, o ‘Espírito da Verdade’ é tudo o que precisamos para darmos testemunho da experiência que temos feito com o Senhor de nossas vidas.
            Pecado, justiça e julgamento, realidades a serem esclarecidas mediante o Espírito Santo que o Pai envia por meio de Seu Filho Unigênito. O Espírito Santo como Amor do Pai e do Filho é o transmissor da Graça, ele é a própria Graça que socorre as nossas fragilidades que nos levam a negação de Jesus nas ocasiões simples ou complicadas de nosso cotidiano. É o mesmo Espírito Santo que nos permite compreender a missão do Filho, os seus ensinamentos e o seu retorno ao Pai. E ainda, somente com o Espírito da Verdade tomaremos posse da vitória de Cristo sobre o Pecado, a Morte e a Cruz, que nos impeliu para o algo mais que Jesus quis revelar.
            Com a Igreja, no grande exemplo da primeira novena (Atos 1,13-14), preparemo-nos em oração para a vinda do Espírito Santo prometido por Jesus! E juntos clamemos: Vinde Espírito Santo!
            Estela Márcia







quarta-feira, 8 de maio de 2013

Papa Francisco reitera às religiosas: "O verdadeiro poder é o serviço"

Delegações de religiosas de todo o mundo foram recebidas pelo Papa na manhã desta quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano. As 800 irmãs, delegadas de 1900 diferentes Congregações, se reuniram nos últimos dias na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, em Roma. Com elas, estava também o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, a quem Papa Francisco agradeceu logo no início de seu discurso. Dom João esteve domingo, 05, na Assembléia, participando de um debate e celebrando uma missa para as irmãs.


“Centralidade de Cristo, autoridade como serviço de amor, e ouvir a Mãe-Igreja”. Estas foram as três principais indicações sugeridas pelo Papa às religiosas, ao se dirigir a elas.
“O que seria da Igreja sem vocês? Faltaria o carinho, a maternidade, a ternura, a intuição das mães. “Queridas irmãs, disse Francisco, fiquem certas de que eu as acompanho de perto, rezo por vocês, mas por favor, rezem também por mim!”, pediu.
O Papa também lembrou que “adorar e servir são dois comportamentos que não se separam, mas caminham sempre juntos; e disse que obediência é ouvir a vontade de Deus e aceitar que a obediência passe através das mediações humanas”.
“Lembrem-se que a relação autoridade/obediência se insere no contexto maior do mistério da Igreja e constitui uma atuação especial de sua função mediadora”.
Outra questão recomendada para a reflexão das religiosas foi a pobreza, que – disse – não è a pobreza teórica:
“A pobreza teórica não nos interessa, a pobreza se aprende tocando a carne de Cristo pobre”; e insistiu na necessidade de que as religiosas sejam espiritualmente fecundas e neste sentido, ‘sejam mães’ e não ‘solteironas’.
O Papa Francisco passou ao segundo elemento no exercício da autoridade: o serviço, que teve seu ápice luminoso na cruz. “Para o homem, quase sempre a autoridade è sinônimo de posse, mas a autoridade como serviço è sinônimo de amor, significa entrar na lógica de Jesus que se inclinou para lavar os pés aos pobres. Quem quiser ser grande será servidor e antes ainda, escravo”.
Após criticar comportamentos carreiristas de homens e mulheres da Igreja, que usam o povo como trampolim para suas ambições pessoais, pediu às religiosas que exerçam autoridade compreendendo, amando, ajudando, abraçando todos, especialmente quem se sente excluído, nas periferias existenciais do mundo humano.
“È impossível, que uma consagrada e um consagrado não sintam com a Igreja, e a eclesialidade é uma das dimensões constitutivas de sua vocação, é um carisma fundamental para a Igreja. O ‘sentir com a Igreja’ se expressa na fidelidade ao magistério, em comunhão com os pastores e com o bispo de Roma, sinal de unidade visível”.
“O anúncio – reafirmou o Pontífice, citando Paulo VI – não é jamais um ato isolado ou de grupo. A evangelização se realiza graças a uma inspiração pessoal, em união com a Igreja e em nome dela”.