quarta-feira, 22 de outubro de 2014

“Com passos de amor” - Visita do Cajado de Santa Teresa ao Carmelo São José de Petrópolis

Com extremada alegria e experiências de fé, o Cajado de Santa Teresa foi recebido no Carmelo São José de Petrópolis na tarde deste dia vinte e dois de outubro. No coro, enquanto o ‘Cajado’ permanecia nas dependências interiores, estavam nossas irmãs em oração, intercessão e profunda contemplação da relíquia, sem jamais se furtar aos largos sorrisos e partilhas de filhas que se encontram com os pertences de sua mãe. Do lado de fora, nós, Ordem Secular, com nossos familiares e amigos do Carmelo, venerando e rezando com profunda certeza do momento de graça que estávamos vivendo.

“Com passos de amor”, foram as palavras marcantes do Frei Antônio, OCD - Frade espanhol que celebrou a Santa Missa, e que está acompanhando a relíquia nesta Peregrinação “Caminho da Luz”. Frei Antônio, concelebrou com mais quatro sacerdotes, entre eles, o nosso Provincial Frei Cleber e o Frei Aurílio – responsável por este importante momento que estamos vivendo em nossa Província do Sudeste. Frei Antônio não se furtou em demonstrar a importância da Peregrinação desta relíquia de nossa Santa Madre Teresa, levando-nos a renovar o nosso chamado missionário, a partir das experiências fundadoras de nossa Santa Madre.

Agradecemos ao Senhor por podermos contemplar tamanho mistério de amor realizado na vida de Teresa e que, neste V Centenário, está nos fazendo renovar e reacender o nosso chamado e vocação. Recordamos as palavras inaugurais deste V Centenário de nosso Padre Geral, reconhecendo que a proposta de vida de Santa Teresa precisa reacender em todos os cristãos, os princípios do seguimento a Jesus Cristo, como Caminho e no caminho por Ele proposto, valorizando o colóquio de vida interior, mas com profunda humildade e simplicidade de vida, sem jamais perdermos a determinação. Nos diz ele: “Teresa divide com qualquer um, com pessoa em qualquer lugar do mundo cujo andar esteja perdido - aquilo que ela tem encontrado: uma morada um caminho.  Precisamente estes são os títulos de suas principais obras: caminho e morada. Se pensarmos bem, são propriamente as dimensões fundamentais que a vida necessita para existir e ser humana, as quais sentimos hoje tão amenizadas por um modo de viver que nos invade e nos dispersa. Aquele Caminho e aquela Morada em que Teresa tem vivido deveria conduzir-nos neste centenário. Se não conseguirmos coloca-los no centro, creio que não agradariam à Santa Teresa as celebrações que organizaremos para ela. Por mais solenes, atraentes e refinados que sejam! Teresa é uma monja simples e pobre, não nos esqueçamos! Uma monja com o hábito e as sandálias quase sempre cheios de pó, com o rosto marcado pelo cansaço físico, com o animo muitas vezes cheio de sofrimentos e preocupações com suas irmãs e seus irmãos. Mas sem duvida, embaixo desta superfície de cansaço e fragilidade existe uma força e uma determinação férreas!” (Mensagem do P. Saverio Cannistrà por ocasião do V Centenário)

Por outro lado, devemos prosseguir sem jamais esquecer que a tarefa que nos espera tem inúmeras dificuldades e obstáculos, mas o que nos aguardar ao final da longa caminhada, nesta e na outra vida, é o ‘Amor Infinito e Misericordioso de Deus’, como nos diz o nosso Presidente da OCDS. “Levar Santa Teresa para o mundo é mostrar a todos um caminho de esperança, um caminho seguro até Jesus. Com certeza não é um caminho fácil, pois é um caminho de subida, de pedras e de obstáculos, mas é um caminho certo de salvação, pois chegando exaustos e machucados ao topo do Monte, com certeza seremos acolhidos e abraçados pelo Amor Infinito e Misericordioso de Deus!” (Luciano Dídimo, Presidente da OCDS - Província São José)
Agradecemos a Deus e a Nossa Senhora - Esplendor e Formosura do Carmelo, com São José e seus filhos carmelitas, que preparam para nós o caminho que nos anima sempre mais a viver o nosso chamado com fé, esperança, amor, alegria e confiança, todas as vezes que nos apresentam experiências como estas vividas neste dia.
Salve Santa Teresa!
Estela Márcia – OCDS/Petrópolis, RJ.

                                                                   Santa Missa



                                                                            

Frei Antônio e Frei Cleber com a OCDS

 


 

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Convite - O Cajado de Santa Teresa na Diocese de Petrópolis (22 de Outubro de 2014)

 
         "Caminho da Luz" é o nome da Peregrinação Mundial com o Cajado usado por santa Teresa de Jesus, como temos falado. Portanto, as nossas irmãs do Carmelo São José de Petrópolis, convidam aos irmãos da Diocese de Petrópolis, e cidades vizinhas, para a sua chegada em nossa Diocese de Petrópolis dia 22 de Outubro, próxima quarta-feira. Estão previstas 2 (duas) Missas:
- No Carmelo São José, de Petrópolis às 15h.
- Na Catedral São Pedro de Alcântara, de Petrópolis às 18h.          
 
 
 



"Faça Vossa Paternidade o que está em suas mãos para deixar esses avisos que dei da maneira como Vossa Paternidade procede nessas visitas. O Senhor proverá as outras coisas por Sua misericórdia e pelos méritos dessas irmãs, cujo intento é somente acertar em Seu serviço e ser para isso instruídas." (Modo de Visitar os Conventos/55, Santa Teresa de Jesus)

Estela Márcia - OCDS/PETRÓPOLIS, RJ.
 
 
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Poesias de Santa Teresa - Alma Carmelita homenageia a "Abertura do V Centenário de Santa Teresa".







 
Por: Estela Márcia - OCDS/ Petrópolis, RJ.

Transverberação de Santa Teresa - “me deixava totalmente abrasada no amor do grande Deus”.

Nas intensas experiências da oração de Santa Teresa de Jesus, o "Capítulo 29" do Livro da Vida, reserva algo muito especial, a TRANSVERBERAÇÃO, que trata-se de uma experiência silenciosa de uma graça mística, por ela bem explicada a seguir: “Quis o Senhor que eu tivesse algumas vezes esta visão: eu via um anjo perto de mim, do lado esquerdo, em forma corporal, o que só acontece raramente. Muitas vezes me aparecem anjos, mas só os vejo na visão passada de que falei. O Senhor quis que eu o visse assim: não era grande, mas pequeno, e muito formoso, com um rosto tão resplandecente que parecia um dos anjos muito elevados que se abrasam. Deve ser dos que chamam querubins, já que não me dizem os nomes, mas bem vejo que no céu há tanta diferença entre os anjos que eu não os saberia distinguir. Vi que trazia nas mãos um comprido dardo de ouro, em cuja ponta de ferro julguei que havia um pouco de fogo. Eu tinha a impressão de que ele me perfurava o coração com o dardo algumas vezes, atingindo-me as entranhas. Quando o tirava, parecia-me que as entranhas eram retiradas, e eu ficava toda abrasada num imenso amor de Deus. A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus. Não se trata de dor corporal; é espiritual, se bem que o corpo também participe, às vezes muito. É um contato tão suave entre a alma e Deus que suplico à Sua bondade que dê essa experiência a quem pensar que minto. Nos dias em que isso acontecia, eu ficava como que abobada; não queria ver nem falar com pessoa alguma, mas ficar abraçada ao meu sofrimento, que era para mim uma glória maior do que todas as das coisas criadas. Isso me acontecia algumas vezes quando o Senhor desejava que me viessem esses arroubos tão grandes, e eu, mesmo estando entre pessoas, não podia resistir a eles. Para meu pesar, isso começou a ser divulgado. Desde que os tenho, não sinto tanto esse tormento, mas apenas a dor de que falei antes, não me lembro onde, que é muito diferente em muitas coisas e de maior valor. Quando começa esta dor de que falo agora, parece que o Senhor arrebata a alma e a leva ao êxtase, não havendo como ter mágoa ou padecer, porque o deleite logo vem. Bendito seja para sempre Aquele que tantas graças concede a quem tão mal corresponde a tão grandes benefícios.”  (V, 29/13-14)
Na Igreja, são poucos os santos com duas celebrações litúrgicas. Santa Teresa foge à regra porque, além da sua festa própria que se celebra a 15 de Outubro – data que mais se aproxima ao dia da sua morte – tem, a partir do século XIII, outra celebração litúrgica, a da Transverberação do seu coração, um fenômeno ou graça mística que recebeu pela primeira vez em 1560.
Atualmente esta segunda ocorrência litúrgica da Transverberação só se celebra no Carmelo Teresiano e nas dioceses de Ávila e de Salamanca. Mas com uma particularidade: a data oficial é o dia 26 de Agosto e nas dioceses referidas celebra-se a 27 do mesmo mês. A história desta segunda e tardia festa carmelitana está ligada a uma mentalidade peculiar em que se tem em conta o peso da arte e da iconografia, tal como a presença da relíquia do coração incorrupto da Santa em Alba de Tormes, que é uma testemunha silenciosa, mas eficaz, daquela graça mística. É no século XVIII, ao pedir-se a Roma esta nova celebração, quando se exige, como prova, uma inspeção, ou exame médico ao coração, para ver se se podia demonstrar a existência dalgum sinal ou ferida do fenômeno místico. Tal exame ou processo aconteceu em 1726 e, abertamente se diz que se tratava de examinar a chaga da Transverberação. Sentia-se, portanto, a falta duma leitura física e natural do fenômeno que ia ter ainda repercussão nos textos litúrgicos que se elaborariam para a mesma celebração. Essa mentalidade teve tal peso, que o Papa Bento XIII decretou a festa em 25-07-1726.
A descrição teresiana (V, 29/13-14), bem como a explicação que S. João da Cruz dá (Chama 2, 6-12) do mesmo fenômeno não conduzem às pretensas explicações daqueles médicos. Tratou-se apenas dum fenômeno puramente espiritual, ainda que, como afirma a própria Santa, vai influenciar também o aspecto físico, causando alguma dor. Mas nunca se dá a entender que se trata de ferida natural e física. Na reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, a liturgia da Transverberação (textos e leituras bíblicas) foi renovada e corrigida na linguagem, atendendo-se mais a uma expressão de caráter simbólico que a uma afirmação rotunda da fisiologia do caso.
Todos os anos a 26 de Agosto, no mosteiro de São José e de Nossa Senhora (de la Calle), as filhas de Santa Teresa celebram a Transverberação do Coração de Santa Teresa, essa experiência mística da proximidade com Deus e da ferida que sentiu no coração, em que via um anjo introduzir uma lança no seu peito que, segundo as suas palavras, “me deixava totalmente abrasada no amor do grande Deus”.
Estela Márcia – OCDS/Petrópolis, RJ. (Adaptações)

 

 

Quem é Teresa de Ávila?


Quem é Teresa de Ávila? Uma mulher que fala de Deus. Fala de Deus como de Alguém conhecido. Quem mergulhar na leitura destas suas Obras terá a real impressão de que ela se encontrou com Ele, antes de se pôr a escrever. Mas nem todos viram a Santa de Ávila por esse prisma, houve quem dissesse tratar-se de uma mulher inquieta, andarilha, desobediente e teimosa, que a título de devoção inventava más doutrinas, andando fora da clausura, contra o que ordenara o Concílio de Trento e os prelados; ensinando como mestra, contra são Paulo, que ordenara às mulheres não ensinar.
Teresa de Ávila teve por inimigos aqueles que viam em nossa monja um perigo permanente: ela se apresentava como modelo de liberdade e de acesa busca do Absoluto, caminheira incansável e defensora da verdade. As ações, palavras e escritos dessa mulher audaciosa perturbaram a tantos, mas iluminaram a muitos outros em seu tempo e ao longo da história. A sua doutrina tornou-se um texto de indiscutível sabedoria, onde todos vão beber com segurança, em busca de uma autêntica experiência de Deus.
Teresa nasceu em 28 de março de 1515, em Ávila, e morreu em 4 de outubro de 1582, em Alba de Tormes. Viveu 67 anos, dos quais apenas vinte de intensa atividade como fundadora, escritora, contemplativa e caminheira de Deus pelas terras da Espanha do século XVI.
Educada com esmero, ouvia nas longas noites invernais, ao calor da lareira, a leitura da vida dos santos mártires, feita por seus pais. Animada por essas leituras, aos 7 anos Teresa sente a necessidade de fugir para a terra dos mouros, com seu irmão, Rodrigo. Fuga frustrada. Mas o ideal da fuga — “quero ver a Deus” — torna-se o seu horizonte de vida.
A morte da mãe, doña Beatriz, provavelmente em 1529, foi uma experiência cruciante, a partir da qual ela decide tomar Nossa Senhora por Mãe. Não obstante, confessa, continuou a viver uma vida medíocre, dedicando-se à leitura de romances de cavalaria, do que se sentiria culpada por muito tempo.
O pai, preocupado com o futuro da filha, decide levá-la para o colégio de Nossa Senhora das Graças (1531), onde Teresa foi recuperando o antigo fervor. A saúde é que se debilita, e Teresa é forçada a deixar o colégio em 1532 e a voltar para casa. Recuperada a saúde, pede ao pai para ingressar no Carmelo da Encarnação em Ávila. A recusa paterna leva-a a tomar uma atitude drástica: no dia 2 de novembro de 1535, junto com seu irmão, Antônio, que queria ser dominicano, foge de casa e é aceita entre as Carmelitas.
Em 1538, abandona o convento para restabelecer-se de uma enfermidade misteriosa que quase a levou à morte. A leitura do famoso livro Abecedário espiritual, do franciscano Francisco de Osuña, será para a jovem madre Teresa o início do despertar espiritual e do amor pela oração. O encontro com as Confissões de Santo Agostinho constituirá também uma retomada da vida de oração, ante a angústia que vai tomando forma em sua vida. Nesse processo, a presença de São Pedro de Alcântara, franciscano austero, um pouco extravagante em penitência, mas possuidor de grande sabedoria, será para a santa auxílio determinante.
A ideia de assumir como projeto de vida a regra primitiva do Carmelo foi se tornando lentamente o ponto de referência para a meditação e vida de Teresa. No dia 24 de agosto de 1562, ela inicia nova vida no pequeno mosteiro de São José, em Ávila. Um desejo cada vez mais veemente leva Teresa a cuidar da propagação de sua obra. As fundações se sucedem com rapidez. Visões e graças místicas surgem como estímulo à doação integral e à radicalidade na vida de oração. O sucesso da iniciativa teresiana estende-se de forma providencial e maravilhosa, com o auxílio de São João da Cruz, outro inquieto com a mediocridade do Carmelo. João planejava ir para a Cartuxa, mas Teresa o conquista para sua obra.
O duro período da reforma teresiana encontra madre Teresa atenta aos sinais do Espírito, sempre pronta a trabalhar sem desanimar em favor da obra que iniciara. Nem mesmo o seqüestro e prisão de João da Cruz no cárcere conventual de Toledo abatem o espírito dessa mulher, totalmente entregue à ação de Deus, tornada instrumento em Suas mãos. Ao redor da contemplativa carmelita encontramos um séquito de discípulos que passa a seguir sua doutrina. Assessorada por teólogos, doutos e sábios, consegue fugir à caçada da Inquisição. Problemas internos à reforma dos descalços a preocupam, mas sua personalidade de madre e fundadora não permite que dissensões internas entravem o assentamento da obra. Teresa, obediente à Igreja, questionadora da Igreja, submissa à autoridade, procura caminhos para levar à frente os desígnios de Deus, defendendo, acima de tudo, a felicidade de ser filha da Igreja. Como tal, falece em 1582.
Com seus escritos, Teresa rompe os limites do mundo dos carmelitas descalços e das monjas carmelitas descalças. Seu nome, sua mensagem ultrapassam a Igreja e conquistam pessoas de todas as raças e religiões, em busca do Infinito e do desejo de Deus. Não se pode hoje aprofundar o tema da necessidade do encontro do homem com Deus sem recorrer à experiência e doutrina teresianas. Os escritos teresianos se configuram como incomparável fonte de esperança. E Teresa tornou-se mestra e doutora.
O povo, que, com suas intuições, normalmente precede a Igreja, desde o início descobriu em Teresa a mestra dos espirituais. Paulo VI, no dia 27 de setembro de 1970, a proclamou solenemente doutora da Igreja.
A melhor forma de compreender a figura dessa mulher é aproximar-se de seus escritos em atitude de simplicidade, sem esquecer que Madre Teresa fala mais ao coração que à inteligência. A sua afetividade encontra pleno transbordamento no íntimo diálogo com Deus. O método de oração teresiano é o caminho que devemos seguir para obter a água da fonte para regar o jardim de nossa alma.
Nada te turbe, nada te espante.
Todo se pasa, Dios no se muda.
La paciência todo lo alcanza.

Quien a Dios tiene nada le falta.

Sólo Dios basta!

Estela Márcia (Prefácio do Livro da Vida. Por Frei Patrício Sciadini, OCD)

 

"Não apenas honrar Teresa, mas ser Teresa"


Fortaleza, 15 de outubro de 2014

Caros irmãos da OCDS – Província São José,

Hoje celebramos o dia de Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe e Mestra, dando assim início ao ano comemorativo dos 500 anos de seu nascimento.
Quanto ao modo como devemos celebrar esse V Centenário, nosso Padre Geral, Frei Savério Canistrà, em sua mensagem por ocasião desta data, sabiamente nos adverte que “não celebraremos adequadamente só fazendo coisas para honrar a memoria de Santa Teresa, mas sim fazendo-nos Teresa.[1]” Ou seja, a melhor maneira que podemos honrá-la é sendo Teresa! É imitando-a; é buscando ser determinados como ela; é procurando vivenciar a oração e a intimidade com Deus como ela ensina; é tendo coragem de realizar as obras que o Senhor nos pede; é procurando forças para sermos andarilhos e missionários como ela; é tentando alcançar a graça de sermos verdadeiramente humildes, desapegados e fraternos, como nosso carisma teresiano nos pede!

Este ano celebrativo que ora iniciamos nos impele a convidar Santa Teresa de Jesus a nascer dentro de nós, a nascer em nossos corações. Não só nascer, mas também crescer e amadurecer em nossas vidas, para que assim nós, como carmelitas seculares, possamos leva-la conosco para onde formos, derramando sua espiritualidade pelo mundo, na nossa casa, na nossa família, no nosso trabalho, na nossa escola, na Igreja, e de forma especial na sociedade que tanto sofre, carente e necessitada de Deus!
Levar Santa Teresa para o mundo é mostrar a todos um caminho de esperança, um caminho seguro até Jesus. Com certeza não é um caminho fácil, pois é um caminho de subida, de pedras e de obstáculos, mas é um caminho certo de salvação, pois chegando exaustos e machucados ao topo do Monte, com certeza seremos acolhidos e abraçados pelo Amor Infinito e Misericordioso de Deus!

 
 
A todos uma feliz festa de Santa Madre e um abençoado ano celebrativo!

 

Luciano Dídimo
Presidente Provincial
 



[1] Mensagem do Frei Savério Canistrà por ocasião do V Centenário (Ávila, 14 de outubro de 2014) 

Mensagem do P. Saverio Cannistrà por ocasião da ABERTURA do V Centenário de SANTA TERESA


+ Ávila, 14 de outubro de 2014
Convento de “La Santa” 

A todos os membros da Ordem do Carmelo Descalço, frades, monjas e seculares e a toda a grande família Teresiana, irmãs e irmãos, daqui da Casa Mãe, casa de Teresa: que a paz de Cristo, o Jesus de Teresa , esteja com todos vocês!
Depois de cinco anos e meio de uma consciente preparação pessoal e comunitária, chagamos a este dia tão desejado: 15 de outubro de 2014, SOLENIDADE DE Santa Teresa de Jesus em que iniciamos as celebrações do V Centenário de seu nascimento! Feliz 500º aniversario Santa Madre!
É para todos nós uma magnífica oportunidade este quinto centenário para que Teresa continue  nos falando com a força de seu testemunho e de sua paixão. A Santa nos fala daquilo que tem vivido e nos conta a sua história de sua alma, a sua história! Depois de muitas resistências, cedeu ao amor de Deus vivo e descobriu em si própria a verdade, a bondade e a beleza radical. Teresa não fez alarde para si mesma de sua experiência, mas somente no-la mostrou a nós para que possamos entrar em sua mesma plenitude de vida e felicidade que de outro modo, não haveríamos conhecido, sendo prisioneiros do mundo.
Constatamos, no dia a dia , que nosso ser tende a reduzir-se às proporções de um mundo dominado pelas dinâmicas dos poderes econômico e tecnológico. Cremos ser onipotentes, porém na realidade estamos perdendo o que de melhor possui o ser humano: sua capacidade de amar, como Deus o ama. Teresa nos leva a estar acima de nosso ser, no ponto de contato entre Homem e Deus, o qual tem um rosto e um nome: O JESUS CRISTO CRUCIFICADO E RESSUCITADO.
No centro do centenário Teresiano deve estar aquilo que está no centro do coração de Teresa e não aquilo que está no centro de nossos projetos mundanos, de nossas iniciativas. No centro do centenário devemos colocar aquilo que, há quinhentos anos de distancia, não tem envelhecido, nem muito menos tem perdido a atualidade, uma vida repleta, marcada por Deus, a qual tem sido confiada uma missão de crucial importância: recordar à Igreja e ao ser humano de todos os tempos que o centro do homem é Deus e que o centro de Deus é o homem.
Tenho medo de denominar a toda esta mística porque esta etiqueta poderia fazer de Teresa um jardim fechado, uma fonte selada a qual só podem se aproximar uns poucos eleitos. A missão de Santa Teresa é universal e não é senão uma nova proposta do Evangelho, a alegria do Evangelho, de seu frescor,  de sua força libertadora e humanizadora.
Teresa divide com qualquer um, com pessoa em qualquer lugar do mundo cujo andar esteja perdido - aquilo que ela tem encontrado : uma morada um caminho.  Precisamente estes são os títulos de suas principais obras: caminho e morada. Se pensarmos bem, são propriamente as dimensões fundamentais que a vida necessita para existir e ser humana, as quais sentimos hoje tão amenizadas por um modo de viver que nos invade e nos dispersa.
Aquele Caminho e aquela Morada em que Teresa tem vivido deveria conduzir-nos neste centenário. Se não conseguirmos coloca-los no centro, creio que não agradariam à Santa Teresa as celebrações que organizaremos para ela. Por mais solenes, atraentes e refinados que sejam! Teresa é uma monja simples e pobre, não nos esqueçamos! Uma monja com o hábito e as sandálias quase sempre cheios de pó, com o rosto marcado pelo cansaço físico, com o animo muitas vezes cheio de sofrimentos e preocupações com suas irmãs e seus irmãos . Mas sem duvida, embaixo desta superfície de cansaço e fragilidade existe uma força e uma determinação férreas!
É a força de quem apesar de ter que mover-se continuamente, permanece em casa; é a decisão de quem em meio da complicação de situações, não perde de vista a meta que orienta seu caminho. Como faremos para colocar no centro o Caminho e a Morada de Teresa? Reler seus escritos, como fizemos ao longo destes últimos anos, é certamente um primeiro passo, de importância fundamental. Porém não podemos permanecer quietos. Temos que começar a praticar!
Somos chamados a reconhecer em nós mesmos aquilo que as palavras de Santa Teresa descrevem, a encontrar minha casa, meu caminho. Advirto que isto não se poderá conseguir se não fizermos escolhas. Não sei se teremos que escolher apagar um pouco mais vezes nossos telefones celulares, nossos computadores, nossos tablets, ou algum bem mais importante para nós. Teremos que aprender a fazer de todos os bens um uso diferente! De algo sim, estou convencido, é que não celebraremos adequadamente só fazendo coisas para honrar a memoria de Santa Teresa, mas sim fazendo-nos Teresa, se me aceitais esta expressão um tanto audaz! Creio que Teresa nos esta dizendo o que São Paulo dizia a seus discípulos de Corinto “Vocês mesmos são minha carta de recomendação, escrita não com tinta, mas com o Espirito do Deus vivo! Não sobre tábuas de pedras, mas sobre tábuas de carne que são os vossos corações! ” (2 Cor 3, 2-3).
Conclusão: onde nos leva o centenário de Teresa? Nos leva aos nossos corações, ao lugar onde habita nossa verdade e a vontade de Deus vivo. Que elas se encontrem no nome e seguindo as pegadas da Santa: esta é a única celebração que poderá alegrar o coração da Madre e faze-la sentir a fecundidade de sua busca, de sua luta e de sua infatigável peregrinação.
Obrigado Teresa! Porque não nasceste para ti, mas nasceste verdadeiramente para todos nós! 

Fr. Saverio Cannistrà, ocd
Prepósito General 

 Estela Márcia - OCDS/Petrópolis,RJ. (Conf. Blog Província São José)