terça-feira, 18 de setembro de 2012

O poder da Palavra do Pantocrator, “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”

           
“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” Á ressurreição do filho da viúva de Naim, apresentado no Evangelho de São Lucas 7,11-17, traz a proposta de vida nova que somente o Filho do Pai Eterno pode dar.  O milagre da ressurreição assume aqui um caráter - como temos refletido, do poder da Palavra de Jesus Cristo que é capaz de transformar o tudo da vida daqueles que dele se aproximam. Aproximar-se da Palavra de Deus é experimentar a “Cristologia da Palavra"[1].
O mistério de Cristo que se completa em tudo, que de antemão, Ele pregou e fez está na essência de sua divina missão: libertação onipotente do povo de Deus. Através do cortejo de dor e sofrimento da perda de seu filho único, a viúva de Naim encontrada por Jesus, recebe de volta à vida o seu filho como narra Lucas, “Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!”Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”.
Aqui, o jugo da dor, do pecado e da morte recebe o poder da Palavra Onipotente do Deus que ‘tudo pode’. É viver a Onipotência de Cristo, o Pantocrator.
Deixar-se encontrar por Cristo e sua Palavra, é estar diante da Luz que dissipa todas as trevas da morte. E ainda é desfrutar das promessas que a misericórdia de Deus quer assumir conosco em todas as fragilidades da vida.  
Com a Igreja, busquemos nos aproximar cada dia mais da Palavra Onipotente de Deus que ‘tudo pode’ e ‘tudo faz’ por aqueles que dela se aproximam. “No mistério refulgente da ressurreição, este silêncio da Palavra manifesta-se com o seu significado autêntico e definitivo. Cristo, Palavra de Deus encarnada, crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator, e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele para sempre (...) a Palavra que ressuscita. Desde o início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz”.[2]
Estela Márcia


[1] Ref. à Verbum Dei, O Deus que fala, I Parte. (Exortação Apostólica VERBUM DOMINI, Papa Bento XVI, de 30 de setembro de 2010).
[2] Ibidem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Palavra de Deus e a fé

“Senhor, ... não sou digno de que entres em minha casa (...) ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado.” (Lc 7,6-7)
           
A força da palavra de Jesus crida pelo centurião precisa ser atualizada na realidade de todos os cristãos que, por inúmeras doenças físicas e espirituais, padecem pela tibieza da fé. Torna-se assim, importante para a vida dos cristãos deste nosso tempo compreender que a Palavra do Senhor assume o mesmo poder mediante ao abandono da fé. Fé que espera. Fé que deseja. Fé que obedece, entrega sua vontade e sua liberdade. Fé que recria as expectativas de cura e libertação.
Na força da Palavra de Deus está o “encontro” com Cristo, o “logos” de Deus, a Palavra que se fez carne, a palavra que quer e precisa estar no meio de nós.
Diante da formação proposta para este mês de setembro, cabe-nos analisar e acolher os ensinamentos do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-Sinodal “VERBUM DOMINI”, de 30 de setembro de 2010 – fazendo memória de São Jerônimo.
O Santo Padre nos exorta sobre a Palavra de Deus que fala, mas que espera a reposta do homem – I Parte, “Verbum Dei”. Fazendo menção á Constituição dogmática “Dei Verbum”, do Concílio Vaticano II, nos afirma que a fé requer uma entrega total de obediência à Palavra , e que a história da salvação nos traduz situações de íntima relação e encontro com Cristo. E que esse encontro “toma a forma de encontro com uma Pessoa à qual se confia a própria vida”.
A Palavra de Deus e a fé (Verbum Domini-Parte I)
25. «A Deus que Se revela é devida “a obediência da fé” (Rm 16, 26; cf. Rm 1, 5; 2 Cor 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo a Deus revelador “o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestando voluntário assentimento à sua revelação».[76] Com estas palavras, a Constituição dogmática Dei Verbum exprimiu de modo claro a atitude do homem diante de Deus. A resposta própria do homem a Deus, que fala, é a fé. Isto coloca em evidência que, «para acolher a Revelação, o homem deve abrir a mente e o coração à ação do Espírito Santo que lhe faz compreender a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras».[77] De fato, é precisamente a pregação da Palavra divina que faz surgir a fé, pela qual aderimos de coração à verdade que nos foi revelada e entregamos todo o nosso ser a Cristo: «A fé vem da pregação, e a pregação pela palavra de Cristo» (Rm 10, 17). Toda a história da salvação nos mostra progressivamente esta ligação íntima entre a Palavra de Deus e a fé que se realiza no encontro com Cristo. De fato, com Ele a fé toma a forma de encontro com uma Pessoa à qual se confia a própria vida. Cristo Jesus continua hoje presente, na história, no seu corpo que é a Igreja; por isso, o ato da nossa fé é um ato simultaneamente pessoal e eclesial. 
[76]Conc. Ecum.  Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 5.
[77] Propositio 4.


Estela Márcia

domingo, 16 de setembro de 2012

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo..."

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la." (Mc 8-34-35)

Seguir a Jesus é um ato deliberado da vontade e do desejo de estar perto de Deus. Mas o seguimento propõe mudança de vida, mudança de vista, mudança de gostos e opções, é uma "metanóia", mudança de mentalidade, mudança total.
            É inadmissível que o seguidor de Jesus Cristo compactue com as hipocrisias que o mundo vive impondo. É irreal pensar que um seguidor de Jesus Cristo ceda aos apelos dos meios de comunicação que teimam em impor valores contra a família, contra a honestidade e a verdade. É um contravalor. É um contratestemunho, imaginar um cristão que ultraja a sua fé a partir das conformidades com o paganismo das músicas erotizadas, e muitas vezes satânicas.
            "Renuncie a si mesmo ..." significa estar preparando-se a todo instante para analisar as opções que lhes são apresentadas. A todo instante recebemos apelos para sermos avarentos, orgulhosos, soberbos, e mentirosos, sem falar obviamente que, estamos sendo treinados para a acomodação e a preguiça, então a "cruz" para seguir a Jesus a partir das renúncias jamais será abraçada.                        
            O comer, o vestir, o ter, o comprar ... vão dando espaço, cada vez maior, na gulodice dos nossos dias. E tudo contribuindo para uma disputa nervosa que acaba com os bravos valores da paciência e da compreensão, gerando uma relação cada vez mais irascível. É o trânsito caótico que descortina um amontoado de pessoas sem paciência, sem cortesia e sem respeito. O amor vai dando lugar ao ódio, nas ruas, nas praças, nos convícios humanos, e infelizmente, começando nas famílias. É a cultura da morte, chega a ser caótico, dramático e anticristão. E nos perguntamos o que fazer.
            Incansavelmente, o Senhor Jesus renova todos os dias a sua Boa Nova. O Senhor nos convida a lermos, meditarmos, contemplarmos e colocarmos em prática a sua PALAVRA. Ele deseja que mudemos as nossas escolhas. Ele nos propõe novas opções. Suas opções estão baseadas no amor e na fidelidade aos seus ensinamentos, no "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".
           Muito propícia, neste domingo de setembro, estarmos refletindo sobre a importância do seguimento de Jesus. É uma contraproposta para tudo o que estamos vendo, ouvindo e vivendo. É um convite para aprofundarmos a cultura da vida. É uma proposta para deixarmos os "vícios capitais" - Vícios que dão origem a outros vícios cada vez piores, para abraçarmos as "virtudes cardeais" - Virtudes que nos fazem cuidar bem dos que estão ao nosso redor, a começar de nós mesmos, é claro.
            Parece incoerente falar de Cruz e de Amor na mesma medida, mas ao contrário, é falar de entrega, de doação, de renúncia das próprias vontades, de cuidado com o outro, de gentilezas e amizades que só na meditação da Cruz de Cristo encontraremos ensinamento. É aí. É na Cruz que todos os males que estamos padecendo encontram suas explicações. É na Cruz de Cristo que está o complemento de vida que o cristão precisa para ser feliz. É abraçando a sua, a nossa Cruz - problemas, dificuldades e limites, e olhando fixo para a Cruz de Cristo, que todos nós conseguiremos renunciar aos valores do mundo para abraçarmos os valores do Céu.
            Deus nos abençoe e nos ensine a abraçar a Cruz de Cristo, renunciar a nós mesmos e segui-Lo.
                                                                            Estela Márcia. 
 
 

sábado, 15 de setembro de 2012

O que dizer a N. S. das Dores???

Cantada ou rezada, esta é a solidariedade, agradecimento e louvor a Virgem Santíssima, Senhora e Mãe das Dores de Jesus e nossa que a Igreja nos convida a fazer neste dia.
(Sequência da liturgia da Santa Missa):

Estava a Mãe dolorosa,
Junto da cruz lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.
 Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.
 Oh quão triste e tão aflita
Padecia a Mãe bendita,
Entre blasfémias e pragas,
 Ao olhar o Filho amado,
De pés e braços pregado,
Sangrando das Cinco Chagas!
 Quem é que não choraria,
Ao ver a Virgem Maria,
Rasgada em seu coração,
Sem poder em tal momento,
Conter as fúrias do vento
E os ódios da multidão!
Firme e heróica no seu posto,
Viu Jesus pendendo o rosto,
Soltar o alento final.
Ó Cristo, por vossa Mãe,
Que é nossa Mãe também,
Dai-nos a palma imortal.
 * Maria, fonte de amor,
Fazei que na vossa dor
Convosco eu chore também.
 Fazei que o meu coração
Seja todo gratidão
A Cristo de quem sois Mãe.
 Do vosso olhar vem a luz
Que me leva a ver Jesus
Na sua imensa agonia.
Convosco, ó Virgem, partilho
Das penas do vosso Filho,
Em quem minha alma confia.
Mãos postas, à vossa beira,
Saiba eu, a vida inteira,
Guiar por Vós os meus passos.
 E quando a noite vier,
Eu me sinta adormecer
No calor dos vossos braços.
Virgem das Virgens, Rainha,
Mãe de Deus, Senhora minha,
Chorar convosco é rezar.
Cada lágrima chorada
lembra uma estrela tombada
Do fundo do vosso olhar.
No Calvário, entre martírios,
Fostes o Lírio dos lírios,
Todo orvalhado de pranto.
Sobre o ódio que O matava,
Fostes o amor que adorava
O Filho três vezes santo.
A cruz do Senhor me guarde,
De manhã até à tarde,
A minha alma contrita.
 E quando a morte chegar,
Que eu possa ir repousar
À sua sombra bendita.

Oremos irmãos:
Oh, Maria Santíssima, nossa Senhora e nossa Mãe

Obrigada por ser o modelo de santidade agradável ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Senhora!
Obrigada por ser fazer presente em nossas vidas nos ensinando a vencer os momentos de dor e sofrimento!
Obrigada por nos ensinar, estando com os apóstolos depois do martírio de vosso Filho, que a VITÓRIA DA CRUZ é para os que creem e esperam em Deus!
Obrigada por nos ensinar a ficar de pé em meio as dificuldades da vida, para podermos contemplar com força, vigor e esperança da alma, os momentos de VITÓRIA DA CRUZ!
Obrigada por rogar por nós pecadores!
Nossa Senhora das Dores, Mãe da Piedade, rogai por nós!
Rogai por nossa Igreja, pelos sacerdotes, religiosos, consagrados, sminaristas e vocacionados!
Rogai pelo amor entre os casais!
Rogai por nossas famílias, nossos filhos, crianças, adolescentes e jovens; nossos idosos e enfermos!
Rogai pela conversão dos pecadores! 
Rogai pela paz no mundo!
Rogai por todas as almas do purgatório!
Rogai por todos os que sofrem sem saber a quem procurar!
Acolhei as necessidades de todos os que declaram o Senhorio de Jesus em suas vidas!
Enfim, Senhora e Mãe das Dores, rogai por todos os aflitos e necessitados de vossa maternal proteção! Amém!
Estela Márcia

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

“O mundo está crucificado para mim”


 “Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo”. (Gl 6,14)

            “O mundo está crucificado para mim”, o mundo está abençoado para mim e para você a partir da Cruz redentora, da Cruz salvadora, da Cruz libertadora...
Tudo ao nosso redor se redime quando não desviamos os olhos da Cruz que é o prêmio recebido na terra com promessa e certeza de Céu. “O céu já começa aqui”, vai cantar a poesia da alma que anseia se encontrar com a verdade redentora dos sofrimentos desta vida passageira.
Viver este momento presente com os olhos fixos na Cruz é da-nos a oportunidade de traduzir com a própria vida aquilo que o Senhor da vida fez por nós, a entrada no Céu. É viver a experiência perene do que São Paulo revela aos gálatas ”Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou” (Gl 2,20). É experiência de glória jamais compreendida pelo mundo. É experiência de loucura para o mundo e de vitória para os que crêem.
            Neste dia em que a Igreja nos leva a adoração da Santa Cruz, façamos “a” experiência de contemplação da Cruz redentora, e deixemos que a Cruz do senhor nos cure e liberte da falta de fé, e então poderemos perceber que tudo ao nosso redor será diferente. Todos os sofrimentos remoídos e as angústias valorizadas pelos nossos pecados, a partir da Cruz de Cristo, serão transformadas em benção. O que era maldição se fará bendição.
Contemplemos a Cruz, e veremos que no silêncio da Cruz está impressa a salvação e a libertação de que necessitamos. Afinal, Jesus Cristo se fez “maldição” por nós, se entregou e deu-nos, do seu lado aberto a água e o sangue de que necessitamos para nos purificar de todas as impurezas , infidelidades e incredulidades que nos impedia o acesso ao Céu.
Com a Igreja oramos neste dia:
Salve, salve Cruz santa,
salve, glória do mundo,
verdadeira esperança,
nosso gozo profundo.

Salvação nos perigos,
és da graça o sinal.
Dás a todos a vida,
doce lenho vital.

Santa Cruz adorável,
de onde a vida brotou,
nós, por ti redimidos,
te cantamos louvor.

Doce glória do mundo,
nos teus braços abertos
os escravos do lenho
são, no lenho, libertos.

 Honra e glória a Deus Pai
pela Cruz de seu Filho,
que, no lenho elevado,
a vestiu com seu brilho.

Honra e glória ao Espírito,
da Trindade na luz.
E nos céus e na terra
brilhe a glória da Cruz.
Amém!
(Hino do Ofício da Leituras)

Estela Márcia



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A UNIDADE DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO

O CATECISMO E A SAGRADA ESCRITURA (ARTIGO 3) - 8
128. A Igreja, já nos tempos apostólicos (107), e depois constantemente na sua Tradição, pôs em evidência a unidade, do plano divino nos dois Testamentos, graças à tipologia. Esta descobre nas obras de Deus, na Antiga Aliança, prefigurações do que o mesmo Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa do seu Filho encarnado. (107. Cf. 1 Cor 10, 6: Heb 10, 1; 1 Pe 3, 21).
129. Os cristãos lêem, pois, o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Mas não deve fazer-nos esquecer de que ele mantém o seu valor próprio de Revelação, reafirmado pelo próprio Jesus, nosso Senhor (108). Aliás, também o Novo Testamento requer ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorreu constantemente a este método (109). Segundo um velho adágio, o Novo Testamento está oculto no Antigo, enquanto o Antigo é desvendado no Novo: « Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet» – «O Novo está oculto no Antigo, e o Antigo está patente no Novo» (110). (108. Cf. Mc 12, 29-31; 109. Cf. 1 Cor 5, 6-8: 10, 1-11; 110. Santo Agostinho, Quaestiones in Heptateucumt 2, 73: CCL 33. 106 (PL 34, 623); cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 16: AAS 58 (1966) 825).
130. A tipologia significa o dinamismo em ordem ao cumprimento do plano divino, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 28). Assim, a vocação dos patriarcas e o êxodo do Egipto, por exemplo, não perdem o seu valor próprio no plano de Deus pelo facto de, ao mesmo tempo, serem etapas intermédias desse mesmo plano.
V. A Sagrada Escritura na vida da Igreja
131. «É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual» (111). É necessário que «os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura» (112). (111. Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: A AS 58 (1966) 828; 112. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 22: AAS 58 (1966) 828).
132. «O estudo das Páginas sagradas deve ser como que a "alma" da sagrada teologia. Também o ministério da Palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura» (113). (113. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829).
133. A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl. 3, 8) na leitura frequente da Sagrada Escritura. Porque "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo"» (114). 114. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829: cf. São Jerónimo, Commentarii in Isaiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 17).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Cânon das Escrituras, AT e NT


O CATECISMO E A SAGRADA ESCRITURA (ARTIGO 3) 
IV. O Cânon das Escrituras
120. Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados (97). Esta lista integral é chamada «Cânon» das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27 (98): (97. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821; 98. Cf. Decretum Damasi: DS 179-180: Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis: DS 1334-1336; Concílio de Trento. Sess. 4ª. Decretum de Libris Sacris et de traditionibus recipiendis: DS 1501-1504).
Para o Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;
Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Atos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filêmon: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse.
O ANTIGO TESTAMENTO
121. O Antigo Testamento é uma parte da Sagrada Escritura de que não se pode prescindir. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente (99), porque a Antiga Aliança nunca foi revogada. (99. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 14: AAS 58 (1966) 825).
122. Efectivamente, «a "economia" do Antigo Testamento destinava-se, sobretudo, a preparar [...] o advento de Cristo, redentor universal».
Os livros do Antigo Testamento, «apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias», dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: neles «encontram-se sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces»; neles, em suma, está latente o mistério da nossa salvação» (100). (100.  II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 15: AAS 58 (1966) 825).
123. Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja combateu sempre vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento, sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar (Marcionismo).
O NOVO TESTAMENTO
124. «A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de quem acredita, apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento»(101). Estes escritos transmitem-nos a verdade definitiva da Revelação divina. O seu objecto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus actos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a acção do Espírito Santo (102). (101. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 17: AAS 58 (1966) 826; 102. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 20: AAS 58 (1966) 827).
125. Os evangelhos são o coração de todas as Escrituras, «enquanto são o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador» (103). (103. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 18: AAS 58 (1966) 826).
126. Na formação dos evangelhos podemos distinguir três etapas:
1. A vida e os ensinamentos de Jesus. A Igreja sustenta firmemente que os quatro evangelhos, «cuja historicidade afirma sem hesitações, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, durante a sua vida terrena, até ao dia em que subiu ao Céu».
2. A tradição oral. «Na verdade, após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes (com aquela compreensão mais plena de que gozavam, uma vez instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade) as coisas que Ele tinha dito e feito».
3. Os evangelhos escritos. «Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro evangelhos, escolhendo algumas coisas, entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das Igrejas, conservando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas verdadeiras e sinceras acerca de Jesus» (104). (104. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 19: AAS 58 (1966) 826-827).
127. O Evangelho quadriforme ocupa na Igreja um lugar único, de que são testemunhas a veneração de que a Liturgia o rodeia e o atractivo incomparável que em todos os tempos exerceu sobre os santos:
«Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos» (105). (105. Santa Cesária, A Jovem, Epistula ad Richildam et Radegundem: SC 345, 480).
«É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos» (106). (106. Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrit A, 83v: Manuscrits autobiographiques, Paris 1929, p. 268. [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos. Edições do Carmelo 1996) p. 213]).