terça-feira, 3 de janeiro de 2017

domingo, 18 de dezembro de 2016

"Deus escolhe uma Mãe, Deus escolhe um pai, Deus escolhe uma família para seu Filho nascer"
Com riqueza de detalhes a liturgia do 4° Domingo do Advento nos envolve na figura patriarcal de São José, unido a sua escolha e eleição (Mateus 1,18-24).
A começar dos primeiros versículos, percebemos a realidade do "Mistério da Encarnação", onde a ação divina envolve o ser da Virgem desposada com José, e lhe confia a nobre missão maternal.
Com sutileza o evangelista Mateus narra, "A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo."
Dentro desta realidade divina, percebemos na figura adjetiva de José, seja como homem justo, seja inspirado por Deus, ou ainda, na  obediência e fidelidade às promessas de Deus e às escrituras, que há uma "escolha divina" na centralidade de sua vida. Centralidade que vai além, pois, trás em si a grandíssima missão: ser pai adotivo do Filho de Deus, ser responsável por Lhe dar um Nome, uma paternidade e uma sescendência, que a descendência davídica. Portanto, ser esposo da Virgem escolhida, receber a paternidade, dar um Nome e uma descendência, é a clara missão do carpinteiro escolhido.
Vejamos como sua escolha se revela: "José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: 'José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados'".
Estamos, então, diante do Mistério salvífico se configurando. Mistério de preparação! Mistério de advento! Mistério de escolha! Mistério de eleição! Mistério de salvação! Mistério Divina! Mistério do Amor de Deus!
Sendi assim, em torno de tamanho "Mistério" se revelam a eleição de José e Maria, e  compreendemos que Deus dá pleno cumprimento a sua profecia messiânica: "Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 'Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco.' Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa."
Peçamos, em união com a Santíssima Virgem Maria, a intercessão e o cuidado de São José, a fim de crescermos no entendimento deste Mistério de fé.
José, conhecedor das promessas da Salvação;
José, obediente ao Espírito Santo para a maior missão paternal já conhecida na humanidade;
José, acolhedor da Mãe do Salvador, sem fazer exigências humanas, intercedei por nós!
José, homem inspirado por Deus, para assumir a missão de cuidado e nutrição do Seu Filho feito Homem;
José, homem justo e fiel ao Plano de Deus;
José, guarda e protetor do Filho de Deus, intercedei por nós!
José, responsável pelos ensinamentos ao Filho de Deus;
José, cumpridor da missão confiada por Deus;
José, protetor e guia da FAMÍLIA DE NAZARÉ,  intercedei por nós!
(AlmaCarmelita)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Do #CânticoEspiritual, de #SãoJoãoDaCruz, presbítero* - (Obras completas, Burgos, 1982, p. 1124-1135) - (Séc. XVI)
#AlmaCarmelita

Conhecimento do mistério escondido em Cristo Jesus


Embora os santos doutores tenham explicado muitos mistérios e maravilhas, e pessoas devotadas a esse estado de vida os conheçam, contudo, a maior parte desses mistérios está por ser enunciada, ou melhor, resta para ser entendida. Por isso é preciso cavar fundo em Cristo, que se assemelha a uma mina riquíssima, contendo em si os maiores tesouros; nela por mais que alguém cave em profundidade, nunca encontra fim ou termo. Ao contrário, em toda cavidade aqui e ali novos veios de novas riquezas. 


Por este motivo o apóstolo Paulo falou acerca de Cristo: Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência de Deus (Cl 2,3). A alma não pode ter acesso a estes tesouros, nem consegue alcançá-los se não houver antes atravessado e entrado na espessura dos trabalhos, sofrendo interna e externamente e sem ter primeiro recebido de Deus muitos benefícios intelectuais e sensíveis e sem prévio e contínuo exercício espiritual. Tudo isto é, sem dúvida, insignificante; são meras disposições para as sublimes profundidades do conhecimento dos mistérios de Cristo, a mais alta sabedoria a que se pode chegar nesta vida. 


Quem dera reconhecessem os homens ser totalmente impossível chegar à espessura das riquezas e da sabedoria de Deus! Importa antes entrar na espessura das labutas, suportar muitos sofrimentos, a ponto de renunciar à consolação e ao desejo dela. Com quanta razão a alma, sedenta da divina sabedoria, escolhe antes em verdade entrar na espessura da cruz. 


Por isso, São Paulo exortava os efésios a não desanimarem nas tribulações, a serem fortíssimos, enraizados e fundados na caridade, para que pudessem compreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento, a fim de serem cumulados até receber toda a plenitude de Deus (Ef 3,17-19). Já que a porta por onde se pode entrar até esta preciosa sabedoria é a cruz, e é porta estreita, muitos são os que cobiçam as delícias que por ela se alcançam; pouquíssimos os que desejam por ela entrar. 


Santo Padre João da Cruz, intercedei por nós! 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

*9° Dia - Meditando "Ditos de Luz e Amor" - 3,161*
*(São João da Cruz)*...

161. Para mortificar as quatro paixões naturais — gozo, tristeza, temor e esperança — muito lhe pode ajudar o seguinte:
Procurar inclinar-se sempre não ao mais fácil, mas ao mais difícil.
Não ao mais saboroso, mas ao mais desabrido.
Não ao mais gostoso, mas ao que não dá gosto.
Não se inclinar ao que é descanso, mas ao mais trabalhoso.
Não ao consolo, mas ao desconsolo.
Não ao mais, mas ao menos.
Não ao mais alto e precioso, mas ao mais baixo e desprezível.
Não ao desejar algo, mas ao não querer nada.
Não procurar o melhor das coisas, mas o pior.
E, por amor a Jesus Cristo, viver na desnudez, no nada e na pobreza de tudo
quanto há no mundo.

(Alma Carmelita)
*8° Dia - Meditando "Ditos de Luz e Amor" - 3,158-160*
*(São João da Cruz)*...

158. Aquele que trabalha por Deus com puro amor, não se importa que os homens o saibam, nem o faz para que o próprio Deus o saiba. E mesmo que Deus nunca o viesse a saber, não deixaria de realizar esses trabalhos com a mesma alegria e amor.
159. Outro aviso para vencer os apetites: Trazer um constante desejo de imitar a Jesus Cristo em todas as suas obras, conformando-se à Sua vida, a qual deve meditar para saber imitar, e fazer tudo como Ele faria (1S 13,3).
160. Para isto, é necessário renunciar a qualquer apetite ou gosto que não seja só para honra e glória de Deus, e ficar sem nada por amor d’Aquele que, durante esta vida, não teve nem quis fazer senão a vontade de seu Pai, à qual chamava sua comida e alimento.

(Alma Carmelita)
*7° Dia - Meditando "Ditos de Luz e Amor" - Pontos de Amor 2,120*
*(São João da Cruz)*

120. As propriedades do pássaro solitário são cinco. Primeira, voa para a parte mais alta; segunda, não tolera nenhuma companhia, nem mesmo da sua natureza; terceira, vira o bico para o ar; quarta, não tem cor determinada; quinta, canta suavemente. Estas mesmas qualidades há-de ter a alma contemplativa; colocar-se acima das coisas passageiras, fazendo tanto caso delas como se não existissem; ser muito amiga da solidão e do silêncio de modo a não tolerar companhia de outra criatura; voltar o bico para a brisa do Espírito Santo, correspondendo às suas inspirações, a fim de se tornar mais digna da Sua companhia; não ter cor determinada, ou seja, não ter tomado outra determinação, a não ser naquilo que é vontade de Deus; cantar suavemente na contemplação e no amor do seu Esposo.

(Alma Carmelita)

sábado, 10 de dezembro de 2016

*6° Dia - Meditando "Ditos de Luz e Amor" - Pontos de Amor 2,118*
*(São João da Cruz)*...

118. Os sinais do recolhimento interior são três: primeiro, se a alma não gostar das coisas transitórias; segundo, se gostar da solidão e do silêncio e se sentir impelida para o mais perfeito; terceiro, se as coisas que antes a costumavam ajudar, por exemplo reflexões, meditações e actos, agora a estorvam, não encontrando outro apoio na oração senão a fé, a esperança e a caridade.

 (Alma Carmelita)