sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

DISCURSO DE NATAL DO PAPA FRANCISCO - Em 22 de dezembro de 2014

O Papa Francisco, em audiência com membros da Cúria Romana (Cardeais, Bispos e altos funcionários) fez um dos mais duros discursos feitos por um Papa na História da Igreja, ao apontar e criticar várias "doenças" existenciais e comportamentais que acometem a Cúria. 
O seu jeito peculiar de ser, alternando momentos de palavras fortes e exortadoras com palavras amáveis e consoladoras, o Santo Padre "abriu o peito da Igreja" para expor vícios e pecados que, segundo ele, precisam ser extirpados para que a Igreja, a começar pelo próprio Vaticano, seja sinal verdadeiro da presença de Cristo no mundo.  

“A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.
O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da Reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.
Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”. O Pontífice fez então um elenco das doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.
Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis e, na verdade, estão lá, sepultadas! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em "padrões" e se sentem "superiores a todos" e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos eleitos”.
Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.
Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapazes de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.
Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário, mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer planejamento humano. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.
Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor (barulho, desarmonia) porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.
Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.
A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso "misticismo” e um falso “quietismo”.
A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres  burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.
A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a "semeadora de discórdia" (como Satanás), e em muitos casos "assassino a sangue frio" da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: "Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!
A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os superiores quando cortejam alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.
A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.
A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros - especialmente aquelas consideradas inferiores - com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.
A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque "a mortalha não tem bolsos" e todos os nossos tesouros terrenos - mesmo se são presentes - nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!
A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se "um câncer" que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal - escândalos - especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou "fogo amigo" de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.
E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!
Irmãos, - concluiu o Papa - tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial, etc.. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.
É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo - a Alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: "Creio ... no Espírito Santo, Senhor que dá a vida" – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.
A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança.
Cidade do Vaticano (Rádio Vaticana)
 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Poesia de Santa Teresa sobre o Natal do Senhor


 
Para a Natividade de Jesus - POESIA "XIII", de Santa Teresa de Jesus
 
Já Deus nos há dado
O amor: assim, pois,
Não há que temer,
Morramos os dois.
Seu Único Filho
O Pai nos envia:
Nasce hoje na lapa,
Da Virgem Maria.
O homem — que alegria!
É Deus: assim pois,
Não há que temer,
Morramos os dois.
— Olha bem, Vicente:
Que amor! e que brio!
Vem Deus, inocente,
A padecer frio;
Deixa o senhorio
Que tem; assim, pois,
Não há que temer,
Morramos os dois.
— Mas como, Pascoal,
Tem tanta franqueza,
Que veste saial,
Deixando riqueza?
Mais quer à pobreza!
Sigamo-lo pois:
Se já vem feito homem,
Morramos os dois.
Mas qual sua paga
Por tanta grandeza?
— Só grandes açoites
Com muita crueza.
— Que imensa tristeza
Teremos depois!
Ah! se isto é verdade,
Morramos os dois.
— Mas como se atrevem,
Sendo Onipotente?
— Será morto um dia
Por perversa gente.
— Se assim é, Vicente,
Furtemo-lo pois:
— Não vês que o deseja?
Morramos os dois!
 

Homilia do Papa Francisco, 24 de dezembro de 2014


«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9, 1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2, 9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria. Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte.

A origem das trevas

A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos.

A luz

Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido.

O sinal de Deus

A profecia de Isaías anuncia a aurora duma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.

Ternura

Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!» – poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a encontrar-me e cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem?

E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes, mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura!

A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor ajudai-me a ser como Vós!  Concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida! Dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito».

Presépio

Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele, «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Viram-na as pessoas simples, dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Olhemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!»

 

Meditação sobre o Natal a partir da oração de Santa Teresinha do Menino Jesus


           Meditar sobre o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir das orações de Santa Teresinha do Menino Jesus, é poder contemplar, o 'Menino' da humildade e da pureza suplicado pela amada santinha. Sabendo-se que ela, na sua pequenez muito nos ajudar a compreender o sentido de tão grande Festa Cristã, pois, na grandeza de sua alma, o Grande Rei, como Deus Menino a preenche e inunda.
           Clamando a paz e o amor para sua alma, Teresinha nos conduz ao mesmo. Desapegando-se das coisas, das criaturas e de si mesma, ela percorre na sua oração o limiar da proposta do Pai, que é dar ao mundo a salvação a partir do 'martírio de amor', martírio que precisa ser atualizado no corpo e na alma de todo cristão. Martírio que passa pela sua humildade e pequenez: "Faze (...) que ninguém se ocupe de mim; que eu seja olhada, pisada com desprezo, esquecida, como um grãozinho de areia, para ti, Jesus. 
           Não com estranheza, a solenidade do Natal traz em si o caráter e a promessa emblemática da salvação. Em sua proposta de amor extenuado, o Pai nos presenteia, e nos faz compreender que o alvo a ser acertado pelo cristão é o Céu, mas que para alcança-lo, será necessário o nascimento para a vida nova. A celebração do Natal traz em si a "Vida", e 'vida em abundância', que é o próprio Cristo Jesus. E a palavra de ordem para a meditação desta Festa é a humildade, esperada e vivida por nossa santinha.  
           “Ó Jesus, meu divino esposo, que eu jamais perca a segunda veste do meu batismo, toma-me antes que eu cometa a mais leve falta voluntária”. Que eu nunca procure e nunca encontre senão a ti somente; que as criaturas não sejam nada para mim e que eu nada seja para elas, mas que tu, Jesus sejas tudo!... Que as coisas da terra jamais consigam perturbar a minha alma, que ninguém perturbe a minha paz; Jesus só te pede a paz, e também o amor, o amor infinito sem outro limite além de ti, o amor que já não seja eu, mas tu, meu Jesus, que por ti eu morra mártir, o martírio do coração e do corpo, ou antes, os dois... Dá-me cumprir meus votos em toda a sua perfeição e faze-me compreender o que deve ser uma esposa tua. Faze que eu nunca seja um encargo para a comunidade, mas que ninguém se ocupe de mim; que eu seja olhada, pisada com desprezo, esquecida, como um grãozinho de areia, para ti, Jesus. Que tua vontade seja feita em mim, perfeitamente; que eu chegue ao lugar que me deves ter preparado...
Jesus faze que eu salve muitas almas, que hoje não haja nem uma só condenada e que todas as almas do purgatório sejam salvas. Jesus, perdoa-me se digo coisas que não se devem dizer; só quero dar-te prazer e te consolar.” (Santa Teresinha do Menino Jesus - Livro Chuva de Rosas, Frei Patrício Sciadini)  
   
            Ó meu Senhor Jesus, Esposo Eterno de minha alma, venha comigo no ‘martírio de amor’, testemunhando a Vossa Palavra, anunciando e denunciando as profecias eternas! Amai m mim, Senhor Jesus, com Vosso Espírito de Amor e Luz! Dai-me ser e viver para fazer a Tua vontade e de nosso Pai celeste! E nesta belíssima manhã de Natal, que eu possa respirar a fragrância natalina, mas, sobretudo, levar a todos ao meu redor, a Tua Graça, com humildade e pequenez Senhor.
            Dai-me ser, como Teresinha, mensageira da paz, levando-O a todos os que jazem nas trevas da vaidade, da dor, da solidão, do desamor, da desunião... a todos que necessitam da confirmação da Tua (Vossa) Graça Eterna!
             Vinde, Senhor Jesus! Vinde, Luz sem ocaso! Feliz e abençoado Natal!
Estela Márcia - 25.12.2014
           

 

 

 

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parabéns Papa Francisco! Deus escolheu de uma família humana... um Papa humilde fiel ao seu projeto de Amor...

"Deus escolheu de uma família humana... um Papa humilde fiel ao seu projeto de Amor"
“Deus escolheu nascer numa família humana, que Ele mesmo formou... Abramos espaço no nosso coração e nos nossos dias ao Senhor...Toda vez que há uma família que protege este mistério, mesmo que seja na periferia do mundo, o mistério do Filho de Deus está em obra. E vem para salvar o mundo".  

Amado Papa Francisco, fazemos nossas as suas próprias palavras neste dia que comemoras o dom da vida, para dizer-lhe a respeito da escolha de Deus por sua vida. Pensamos que ao escolher alguém tão especial assim, Deus estava renovando a Sua salvação. Afinal era ali, na abençoada família Bergoglio, naquela casa do Bairro Flores, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, que o Pai criou e escolheu aquele que teria a missão de pastorear a sua Igreja no século XXI. Assim, o chamou e o capacitou para ser no mundo a verdadeira testemunha do Cristo que abençoa e cuida, que dialoga e ensina, que ama e une, que faz o que fala, o crê e o que espera.

Obrigada Papa Francisco...

Pelo seu amor filial a Deus e à Virgem Maria;

Pela sua fidelidade à Igreja;

Pelo seu amor aos pobres;

Pelo seu testemunho de humildade;

Por nos ensinar a crer, esperar e amar a cada dia mais a Deus e aos irmãos!
 
Parabéns Papa Francisco! Que Deus e a Virgem Maria o abençoe sempre mais!
Alma Carmelita

Salve 17.12.2014! Aniversário do Papa Francisco - Audiência e Homenagens


Deus se faz homem na família, Audiência
Milhares de fiéis participaram nesta quarta-feira (17/12), na Praça S. Pedro, da última Audiência Geral do ano. Em 2014, foram 43 Audiências no total, com a participação de um milhão e 200 mil peregrinos. Antes de se dirigir à multidão, o Papa fez seu ingresso na Praça a bordo do papamóvel para saudar os fiéis. Muitos deles parabenizaram Francisco por seu aniversário, que hoje completa 78 anos. Em preparação ao Sínodo sobre a Família, em outubro próximo, o Papa decidiu dedicar suas reflexões semanais a este tema. Com a proximidade do Natal, Francisco meditou nesta quarta-feira sobre a família de Nazaré. “Deus escolheu nascer numa família humana, que Ele mesmo formou. E a formou num vilarejo perdido da periferia do Império Romano. Não em Roma, numa grande cidade, mas numa periferia quase invisível. E não só, inclusive mal falada.” Jesus, prosseguiu Francisco, permaneceu naquela periferia por 30 anos, levando uma vida normal, sem milagres, curas ou pregações. “Os Evangelhos, em sua sobriedade, não referem nada acerca da adolescência e deixam esta tarefa à nossa meditação afetuosa”, disse o Papa, acrescentando que os membros da família de Nazaré poderiam servir de exemplo e inspiração para as mães, pais e até mesmo para a juventude atual. Assim como fizeram os pais de Cristo, indicou Francisco, cada família cristã pode antes de tudo acolher Jesus, ouvi-lo, protegê-lo, e assim melhorar o mundo. “Abramos espaço no nosso coração e nos nossos dias ao Senhor”, exortou. Todavia, reconheceu o Papa, não é fácil acolhê-lo, assim como não foi fácil nem para Maria e José, que tiveram que superar inúmeras dificuldades. “Não era uma família aparente, irreal”, explicou o Papa. Pelo contrário, ela nos empenha a redescobrir a vocação e a missão da família; e fazer com que o amor, e não o ódio, se torne normal; que o amor recíproco se torne comum, e não a indiferença ou a inimizade. “Toda vez que há uma família que protege este mistério, mesmo que seja na periferia do mundo, o mistério do Filho de Deus está em obra. E vem para salvar o mundo". Após a catequese e a leitura dos resumos em várias línguas, o Papa pediu a todos orações pelas vítimas dos desumanos ataques terroristas perpetrados nos últimos dias em Sydney, na Austrália, e em Peshawar, no Paquistão. “Que o Senhor acolha os mortos em sua paz, conforte os familiares e converta o coração dos violentos”. 

Ao completar 78 anos, as homenagens a Francisco

 
Na Praça São Pedro: “Hoje aqui sopra o vento do pampa! Parece a Praça do 2 x 4”, exclamou o Papa Francisco ao final da Audiência Geral, saudando os milhares de bailarinos presentes na Praça, que logo após, tomaram a Via da Conciliação e a Praça Pio XII para homenageá-lo com a tradicional dança argentina. Mas não foram somente os dançarinos a homenagear Francisco. Centenas de cartazes com felicitações eram portados pelos fiéis de todas as partes do mundo, que saudavam efusivamente o Pontífice quando girava pela praça a bordo do Jeep papal. Um grupo de sacerdotes argentinos lhe ofereceu um bolo com 78 velinhas e chimarrão e um grupo de sem-teto ofereceu-lhe um buquet de girassóis, “flor que olha sempre em direção ao sol, como o Papa olha sempre para Deus”, explicaram. Mas, ao final da audiência, foram ligados amplificadores na Praça Pio XII, em frente à Praça São Pedro, dando o compasso aos mais de 2.500 – alguns falam em 3 mil – ‘tangueros’, que ao som de Astor Piazzola, Amelia Baltar e Juan D’Arienzo, homenageram Francisco com os passos de um ritmo que lhe é muito caro. Esta espécie de flash-mobe convocado pelas redes sociais, foi considerado como “a maior milonga do mundo”. A organizadora do evento, Cristina Camorani, contou que a idéia surgiu numa brincadeira entre um grupo de amigos. Inicialmente os funcionários do Vaticano ficaram um pouco reticentes com o pedido para dançar na Praça, mas sabendo do pedido, Francisco concedeu a autorização. Inicialmente, somente 50 pessoas haviam confirmado a presença. Após, começaram a recolher adesões no boca-a-boca e nas redes sociais e este número chegou a três mil. Da Espanha, por sua vez, chegou na tarde de hoje  um caminhão com 800 quilos de frango, para ser doado aos pobres. Uma doação de uma cooperativa espanhola, que repete um gesto realizado também no passado. No final da tarde de hoje, segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, alguns indigentes prestarão uma pequena homenagem ao Papa Francisco, numa iniciativa da Esmolaria Pontifícia. 

Ainda neste dia boas notícias para o Papa Francisco, para a América e o mundo... Raúl Castro agradece intermediação de Francisco entre Cuba e Estados Unidos...Imprimir

De Havana – Cuba e Estados Unidos restabeleceram as relações diplomáticas, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, a partir do levantamento do embargo “que provoca muitos danos ao nosso país e que deve necessariamente cessar”. Em um histórico discurso transmitido ao vivo pela TV de Havana, o Presidente cubano, Raúl Castro, anunciou o descongelamento  das relações com Washington, 55 anos após a revolução de Fidel Castro. Raúl Castro sublinhou que a decisão de Barack Obama de repatriar a Cuba três ex-agentes secretos deu “uma alegria enorme às suas famílias e a todo o povo” cubano, sendo um gesto “merecedor de respeito e gratdião”. Castro agradeceu “ao Vaticano, e em particular ao Papa Francisco, pelo apoio dado às negociações” que levaram à reaproximação com os Estados Unidos. “Reconhecendo que temos muitas fundamentais diferenças em temas como a soberania nacional, a democracia, os direitos humanos e a política exterior, confirmamos a nossa vontade em discutir todas estas questões”, assegurou Castro. O Presidente cubano convidou Obama para adotar medidas concretas para remover os “obstáculos” existentes. Em particular, Castro citou o restabelecimento dos voos diretos entre Cuba e EUA, além de acordos na área comercial que facilitem as expedições, as telecomunicações e o movimento de mercadorias. Em troca da libertação do estadunidense Alan Gross e de um cidadão da CIA, os Estados Unidos entregaram a Cuba os três agentes Gerardo Hernandez, Ramon Labanino e Antonio Guerrero, considerados como heróis por Havana. Esta troca de prisioneiros acabou impulsionou a decisão de ambos os países.

Por último... Homenagem portenha aos 78 anos de Bergoglio

De Buenos Aires – No dia em que Jorge Mario Bergoglio completa seu 78º aniversário – em 17 de dezembro de 2014 - será descerrada uma placa comemorativa na casa onde nasceu no Bairro Flores, em Buenos Aires, com os dizeres: “Nesta casa nasceu o Papa Francisco em 17 de dezembro de 1936. Câmara de Vereadores da Cidade Autônoma de Buenos Aires – Ano 2014”. O verdadeiro endereço de nascimento de Bergoglio na Rua Varela 268 foi conhecido apenas recentemente, após a investigação de um jornalista que ficou curioso com uma frase dita pelo Papa Francisco em certa ocasião. A confusão nasceu do fato que Bergoglio cresceu na Rua Membrillar 531, casa para onde sua família se transferiu após o nascimento de outros filhos. A “descoberta”, feita há poucos meses,  foi confirmada pelo Papa Francisco. A colocação da placa comemorativa foi uma sugestão do jornalista-historiador Héctor Daniel Vargas, autor da "descoberta". Ele apresentou ao município a documentação completa de sua pesquisa, a partir do Certificado de Nascimento de Jorge Mario Bergoglio. A proposta foi apoiada imediatamente pelas autoridades.

 

 

 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Magno, "Assim, brilhe vossa luz diante dos homens(...)"! - Homenagem póstuma.


"Assim, brilhe vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras
e glorifiquem vosso Pai que está nos céus." (Mt 5,16)
            No Sermão da Montanha, Nosso Senhor Jesus Cristo apresenta a sua pedagogia de vida para sermos bons cristãos. Com verdade e agradecimento, na condição de professora durante 20 anos do Centro Educacional Soares Coimbra, gostaria de reavivar a mente dos parentes, amigos e funcionários a respeito deste irmão que diante de Deus buscou o Caminho, a Verdade e a Vida em todas as suas atitudes. 
            Os mais jovens estão se perguntando, os mais próximos se recordando e todos nós aqui refletimos: Quem foi Magno Coimbra?
            Diríamos que Magno Coimbra foi apenas um bom cristão, aquele que buscou agir, decidir, solucionar e empreender em sua vida, tudo pautado na Palavra de Deus. Um homem perfeito? Jamais. Porém, dizemos ter sido um incansável esposo, pai, filho, cursilhista, professor, amigo e patrão.
            Dizemos que foi um homem impetuoso, de sonhos concretos e cheios de fé. Fé que o fez , ainda jovem, trabalhando na fabrica de tecidos, acreditou que poderia estudar. Estudando, nos intervalos e descansos - como costumava dizer, foi se preparando como pedagogo para o algo mais que Deus lhe tinha reservado: a fundação de uma Escola. Fundação vista por ele como "Missão" dada por Deus.
            Escola na qual, fazia questão de dizer que era igual a todos as outras "em quase tudo" - como fazia questão de repetir. Porque, nesta Escola por ele idealizada, Deus era - e como assim o prosseguiu - e é, o principal Mestre. Em todas as reuniões, ao atribuir aos seus professores a qualidade de mestre, o dizia ser um título de responsabilidade, pois só o trazia verdadeiramente pleno, Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, sempre levou a sério tamanho compromisso. Em todos os momentos celebrativos, sempre deu destaque a oração, associada aos versículos bíblicos, conduzindo as inúmeras atividades. Assim, diante de sua "Missão", repetia, continuamente, estar "educando gerações", algo que lhe confirmava a fé, a esperança e o amor, sempre crescente pela educação.
            Magno Coimbra foi ...
            Aquele que acreditou que a educação poderia mudar o mundo, a partir da comunidade escolar, do apoio de sua família - aqui com especial destaque a Maria, sua esposa, a quem sempre consultava antes das suas decisões, e também, a quem ele dizia que pelo seu olhar sabia se devia ou não continuar falando. Aquele que nunca hesitava em dizer a verdade, ainda que usasse de uma retórica, de frases e provérbios populares para convencer aos que o questionavam. Aquele que, sem dúvida, sonhou e concretizou, porque Deus sempre foi a sua única e eterna esperança. Aquele que silenciou, durante quinze anos, para que outros pudessem dar continuidade a sua "Missão".
            Como assim o cremos... Agradecemos a Deus e a Virgem Maria - sua fiel intercessora,  pela vida e "Missão de Magno Coimbra, e pedimos que o acolha na eternidade, e o faça intercessor de todos os que aqui ficam, em especial, sua família - esposa, filhos, netos, genros e nora; familiares, amigos e irmãos na fé; de sua escola e de todos os que buscam em Deus a vontade para as suas vidas.
            Crendo na eternidade pedimos: "Assim, brilhe vossa luz, Magno, diante de Deus..."
            Que a alma de nosso irmãos Magno, descanse em paz... 
            Pai Nosso...  Ave Maria ...
Por Estela Márcia da Paz Moreira de Araújo -
ex-professora de História do CESC.
05/06 de dezembro de 2014.