domingo, 25 de maio de 2014

Na Jordânia, Francisco pede solução "urgente" para conflitos na região


Paz, diálogo e liberdade religiosa: estes foram os principais temas tratados por Francisco em seu primeiro discurso na Terra Santa, no Palácio Real de Amã. A Jordânia foi a porta de entrada para Francisco nesta peregrinação. A cerimônia de boas-vindas não se realizou no aeroporto, mas no Palácio Real, onde o Pontífice foi acolhido pelo Rei Abdallah II Hussein e pela Rainha da Jordânia, Rania. Quando Paulo VI visitou o país, em 1964, seu anfitrião foi o pai de Abdallah II. O atual monarca, no trono desde 1999, deu as boas-vindas a João Paulo II em 2000 e a Bento XVI em 2009, e já foi recebido duas vezes por Francisco no Vaticano (agosto 2013 e abril de 2014). Após as execuções dos hinos dos dois Estados, houve o encontro privado, com a família, a troca de presentes e a apresentação das delegações. Mas foi com as autoridades jordanianas que Francisco fez seu primeiro pronunciamento na Terra Santa. O Papa escolheu a língua italiana para se comunicar com os médio-orientais, pois quer ter a possibilidade de improvisar em seus discursos e homilias. Francisco definiu a Jordânia uma “terra rica de história e de grande significado religioso para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo”. De modo especial, o Pontífice destacou o acolhimento “generoso” a um grande número de refugiados palestinos, iraquianos e sírios – vítimas de um “conflito que já dura há muito tempo”. “Este acolhimento merece a estima e o apoio da comunidade internacional”, afirmou o Papa, garantindo o empenho da Igreja Católica na assistência aos refugiados e a quem vive em necessidade, sobretudo através da Cáritas Jordaniana. A seguir, Francisco constatou a persistência de “fortes tensões na área médio-oriental”, agradecendo às autoridades do Reino Hachemita pelo compromisso na busca da paz. Para este objetivo, advertiu o Papa, “torna-se imensamente necessária e urgente uma solução pacífica para a crise síria, bem como uma solução justa para o conflito israelense-palestino”. Quanto ao diálogo inter-religioso, mais uma vez o Papa expressou sua gratidão à Jordânia por ter incentivado uma série de importantes iniciativas para promover a compreensão entre judeus, cristãos e muçulmanos. “Aproveito esta oportunidade para renovar o meu profundo respeito e a minha estima à comunidade muçulmana e manifestar o meu apreço pela função de guia desempenhada pelo Rei na promoção duma compreensão mais adequada das virtudes proclamadas pelo Islã e da serena convivência entre os fiéis das diferentes religiões.” Aos cristãos, o Papa agradeceu principalmente pelo trabalho no campo da educação e da saúde, ressaltando que na Jordânia eles podem professar com tranquilidade a sua fé. A liberdade religiosa, recordou Francisco, é um direito humano fundamental, fazendo votos de que o mesmo seja tido em “grande” consideração em todo o Oriente Médio e no mundo inteiro. “Os cristãos sentem-se e são cidadãos de pleno direito e pretendem contribuir para a construção da sociedade, juntamente com os seus compatriotas muçulmanos, oferecendo a sua específica contribuição.” Por fim, o Pontífice saudou o Reino da Jordânia e seu povo, “com a esperança de que esta visita contribua para incrementar e promover boas e cordiais relações entre cristãos e muçulmanos”.

Para refletir e orarmos junto ao Papa Francisco: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.” (Jo 14,27)

 

Piedade Mariana do Papa Francisco


Na véspera de sua viagem à Terra Santa, o Papa Francisco visitou na manhã da sexta-feira a Basílica de Santa Maria Maior. Segundo informou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, o Papa foi à Basílica, em caráter privado, para rezar e confiar a Nossa Senhora - na  entrega da iminente viagem a Amã, Belém e Jerusalém. Após a oração, que durou 15 minutos, o Pontífice ofereceu um maço de flores a Nossa Senhora - Como fez após a sua eleição como sucessor de Pedro, e em outras oportunidades, Francisco visitou a Basílica de Santa Maria Maior, que fica no centro de Roma, para orar diante do ícone de Maria “Salus Populi romani” (protetora do povo romano). Vale lembrar que por ocasião desta viagem, a partir desta última sexta-feira, 23 de maio, foram suspensas as Missas matutinas que o Papa Francisco celebra na capela de sua residência, na Casa Santa Marta. A próxima missa está programa para sexta-feira, 30 de maio. As missas às 7h da manhã que o Papa celebra pessoalmente, fazendo breves homilias sobre as leituras do dia, representam uma das novidades mais relevantes do seu pontificado. Trata-se de um magistério “diário”, através do qual Francisco alcança milhares de católicos, que aguardam diariamente suas reflexões. As homilias são breves e são fruto da reflexão do Pontífice, que não segue um “roteiro” ao momento de pronunciá-las. O que chega ao público é uma síntese do que foi dito, e não o pronunciamento integral – elaborada diariamente pela Rádio Vaticano e publicada pelo jornal L’Osservatore Romano. As reflexões estão agora disponíveis em dois livros, intitulados “Homilias da manhã”. O primeiro volume reúne as homilias de 22 de março a 6 de julho de 2013. O segundo as de 2 de setembro de 2013 a 31 de janeiro de 2014. As Edições CNBB publicaram em português o primeiro volume.

Estela Márcia (Adaptações)



A Peregrinação da Paz


Mais um posicionamento importante para a Igreja, foram as palavras do Núncio em Israel. Em vista da segunda Viagem Apostólica do Papa Francisco, que, depois do Brasil, o levará à Terra Santa, o Núncio em Israel e Delegado Apostólico na Palestina, Dom Giuseppe Lazzarotto, falou antes da viagem  da expectativa e da importância do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, ocorrido 50 anos atrás: “Há 50 anos, o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu querem recordar juntos aquele gesto, com todos os líderes das Igrejas cristãs de Jerusalém, para abrir novos caminhos. Aquele foi, realmente, um momento que deu impulso a uma mudança muito significativa, da qual, ainda hoje, colhemos os frutos. Foi um gesto inspirado pelo Espírito Santo. Este também será um encontro histórico, porque há muita determinação em realizar este novo abraço ecumênico. Por isso, há grande expectativa, grande esperança e confiança em vista desta visita do Papa à Terra Santa. O povo precisa da presença do Santo Padre, da sua palavra, dos seus gestos, que possam levar otimismo e encorajamento a todos. Da minha parte, espero que esta viagem do Papa possa dar esperança e confiança aos cristãos, que enfrentam grandes dificuldades e exclusão na terra de Jesus. Esperamos poder aprender a viver e a caminhar juntos, como uma grande família, em comunhão, diálogo e paz”.

Assim, “Para que sejam um”: sob o signo da unidade, teve início na manhã de sábado a peregrinação de Francisco à Terra Santa – a primeira viagem fora da Itália decidida por ele desde o início do seu pontificado (a participação na JMJ do Rio de Janeiro, em julho de 2013, já havia sido marcada por seu antecessor, Bento XVI). O avião com o Pontífice e sua comitiva decolou do aeroporto romano de Fiumicino no horário previsto, às 8h15 locais. Francisco embarcou carregando sua maleta preta, depois de saudar as autoridades presentes. Até a capital jordaniana, o Papa percorreu 2.365 km em três horas e 45 minutos. No aeroporto internacional da cidade, Francisco foi acolhido pelo Núncio Apostólico e pelo representante do Rei Abdallah II Hussein, o Príncipe Muhammed. Duas crianças entregaram ao Pontífice dois buquês de íris preta - símbolo do Reino Hachemita. Amã, Belém e Jerusalém: três dias, três cidades escolhidas com duas motivações principais. A primeira, recordar os 50 anos do abraço entre Paulo VI e Atenágoras, e assim dar um novo impulso ao diálogo ecumênico. A segunda, reforçar o apelo à paz no Oriente Médio. A primeira etapa da viagem de Francisco à Terra Santa, em Amã, prevê quatro eventos. Desde a sua chegada à Jordânia, às 13h locais, até o jantar na Nunciatura Apostólica, às 20h55, não está previsto qualquer repouso por decisão do próprio Papa. Aliás, os três dias de viagem serão marcados por esse ritmo intenso, sem descanso entre um compromisso e outro. Após a cerimônia de boas-vindas no Palácio Real, o Pontífice se dirige ao estádio internacional de Amã, para presidir à Santa Missa. Está prevista a presença de numerosos refugiados cristãos provenientes da Palestina, da Síria e do Iraque. Durante a celebração, cerca de 1.400 crianças recebem a Primeira Comunhão.  Do estádio, Francisco se dirige para o local do batismo de Jesus, às margens do rio Jordão, para um momento de oração silenciosa e o rito da bênção das águas. Ali mesmo, na igreja latina ainda em construção, o Papa encontra cerca de 600 refugiados e jovens com deficiência, aos quais faz seu terceiro pronunciamento desta viagem. O dia se encerra com o jantar na Nunciatura Apostólica. Para explicar as etapas mais significativas em Amã, a Rádio Vaticano contatou o Pe. Antonio Xavier, estudante de Ciências Bíblicas em Jerusalém e que mora em Belém.

Estela Márcia (Adaptações)




CARDEAL LEONARDO SANDRI: presença do Papa Francisco na Terra Santa reforça presença cristã (23.05.2014)


O Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri
 
Lembremos irmãos as palavras do Senhor na última terça-feira: “Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.” (Jo 14,27-29)
Compreendamos com estreita atenção a entrevista feita com a participação do Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais no Vaticano. É bastante esclarecedora.
 
A Terra Santa não é um conjunto de monumentos, mas um lugar em que as "pedras vivas" são os cristãos, aos quais Francisco dará nova coragem. Essa é a convicção do prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, o qual, na vigília da chegada do Papa Francisco à terra de Jesus, reflete sobre o significado da peregrinação a partir do momento central, quando o Bispo de Roma abraçará o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I. Entrevistado pela Rádio Vaticano, eis o que disse o purpurado argentino:

Cardeal Leonardo Sandri:- "A peregrinação do Papa é muito, muito significativa para toda a Igreja, porque chama novamente ao compromisso incessante, duradouro, sempre, na Igreja – obviamente com mais insistência após o Concílio Vaticano II – em favor da unidade da Igreja e, em particular, da relação entre a Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas. Portanto, se evocamos o encontro entre Paulo VI e Sua Santidade Atenágoras, veem à tona todos estes elementos, o caminho que se fez até aquele momento e o caminho que se fez depois até agora, em que Francisco, o Papa, encontra novamente o sucessor de Atenágoras, Sua Santidade Bartolomeu I. Portanto, será um momento de grande significado para avaliar o caminho feito e chamar novamente toda a Igreja ao compromisso e, diria, à obrigação de ouvir a voz de Jesus, "que todos sejam um", mas, em particular, entre a Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas."

RV: O senhor é responsável pelo dicastério vaticano que se ocupa das Igrejas orientais: para elas, o que significa este novo abraço entre o Bispo de Roma e o Patriarca de Constantinopla?

Cardeal Leonardo Sandri:- "O encontro ecumênico entre o Papa Francisco e Sua Santidade Bartolomeu I se dá, para nós, para os católicos, no contexto de convivência contínua com os nossos irmãos ortodoxos na vida cotidiana da Terra Santa e dos países do Oriente Médio. Assim como os católicos devem viver uma dimensão que eu chamaria real, de vida cotidiana, em favor do diálogo inter-religioso – porque são eles que vivem lado a lado, por exemplo, com os muçulmanos em todos estes países e, portanto, devem passar das declarações teóricas à convivência cotidiana –, do mesmo modo, há essa convivência cotidiana com nossos irmãos ortodoxos que, devemos dar graças a Deus, é levada adiante com grande espírito de amor, de compaixão e até mesmo de estudo, por exemplo, em busca de uma data comum para a Páscoa. Para as nossas comunidades católicas os gestos do Papa Francisco, os gestos ecumênicos e o encontro com Sua Santidade Bartolomeu I são, ainda mais, um convite às Igrejas católicas – que são de diferentes ritos e, em particular, a mais numerosa é a Igreja latina da diocese latina do Patriarcado de Jerusalém – a viverem concretamente este ecumenismo, mais ainda com as muitas iniciativas que existem para se ter uma só voz, inclusive diante dos muitos problemas que os cristãos da Terra Santa devem enfrentar. Podemos fazer isso sozinhos, mas, fazê-lo juntos dá mais força a nosso compromisso na vida de todos os dias. Obviamente, a comunidade católica espera o Papa para ter este entusiasmo não somente em recebê-lo, mas para ter, ainda mais, espírito de alegria para levar adiante a sua missão do ponto de vista do anúncio evangélico, com a palavra, com o testemunho e com todas as obras sociais que a Igreja Católica leva adiante."

RV: Nunca é demais falar sobre os cristãos na Terra Santa: uma peregrinação do Papa àquelas terras é uma ocasião privilegiada para recordar a situação deles. O senhor obteve testemunhos ou reações às vésperas desta viagem do Santo Padre:

Cardeal Leonardo Sandri:- "Ouvimos as palavras do Patriarca Latino de Jerusalém, sua Beatitude Fouad Twal, mas ouvi e vi também, mediante a imprensa, as reações de fiéis comuns, pertencentes à Igreja Católica, que esperam do Papa este encorajamento que vem do Bispo de Roma e que dá à vida na Terra Santa uma característica verdadeiramente singular. Não podemos reduzir a Terra Santa a uma terra de monumentos, de museus, de pedras, mas de "pedras vivas" que são os nossos fiéis católicos e todos os cristãos. Também as peregrinações de nossos católicos de todas as partes do mundo são para eles um grande encorajamento para ajudá-los a manter firme este desejo de permanecer e de não fugir da terra de Jesus."

RV: Ao apresentar esta viagem, o Papa Francisco disse: irei também para rezar pela paz na Terra Santa. E os encontros que terá com as autoridades jordanianas, israelenses e palestinas serão uma ocasião direta e concreta para fazer isso. Quais suas expectativas a esse respeito?

Cardeal Leonardo Sandri:- "Penso que a presença do Papa na Terra Santa é muito importante para a paz e não somente para a paz entre israelenses e palestinos, mas para todo o Oriente Médio. Em particular, penso que a palavra do Papa se estenderá à Síria e, obviamente, também ao Iraque e aos outros países que vivem situações muito dolorosas nestes momentos de guerra, de violência, de desrespeito pela dignidade da pessoa humana, das mulheres, das vítimas... Portanto, para mim é imperioso que o Papa, que representa Jesus Cristo, leve uma palavra de paz não somente às autoridades civis dos países visitantes, mas a toda a região do Oriente Médio. Consequentemente, será também uma mensagem de paz, uma mensagem de concórdia, de unidade e de respeito pela dignidade humana."




 





 

Bartolomeu I: unidade em Jerusalém num mundo dividido (23.05.2014)


 
No dia 25 de maio, encontrar-se-ão em Jerusalém o Papa Francisco e o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, para recordar o histórico abraço entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. O encontro de 1964 provocou uma reviravolta nas relações entre as duas Igrejas, divididas com o Cisma de 1054, consumado de fato em 1202-1204. O gesto de 1964 – recorda a Agência Missionária Asianews – ocorreu em um contexto geopolítico bipolarizado e isto permitiu a pacificação das duas Igrejas irmãs com a conseqüente retirada dos anátemas e excomunhões recíprocas, o que deu início ao diálogo pela tão desejada unidade e comunhão entre ortodoxos e católicos. O gesto do próximo domingo - proposto por Bartolomeu no dia do início do Pontificado de Francisco (foi a primeira vez que um Patriarca participou do início de um pontificado) -, foi logo aceito. E assume outro importante significado: convidar todos os cristãos a dar “uma resposta comum à humanidade que vive em uma sociedade individualista e hedonista, onde a coexistência social foi rompida, porque vítima de um mundo economicamente globalizado, mas moralmente desagregado”. “Porque somente um mundo cristão e unido – sublinhou o Patriarca Bartolomeu I à Asianews – poderá dar uma resposta à crise existencial que atinge o mundo contemporâneo, que é globalizado somente do ponto de vista material”. “E não existe outro instrumento senão o diálogo – acrescentou – que nós cristãos podemos propor segundo os ensinamentos e a vontade de Nosso Senhor”. O Metropolita de Pergamo, Ioannis Zizoulas, recordou que quando Atenágoras teve que ir a Constantinopla para assumir como Patriarca Ecumênico, teve que ser transportado pelo ‘Air Force One’, do então Presidente estadunidense Truman. No trajeto, pediu ao piloto do avião para sobrevoar o Vaticano, como sinal de amizade e saudades. O encontro de 25 de maio assume outra conotação particular, que vem do Oriente Médio, onde os cristãos são perseguidos, prescindindo de sua convicção confessional. “Isto demonstra – acrescentou Bartolomeu I – que as respostas devem ser comuns: cada guerra em nome da religião é uma guerra contra a religião”.
Um diálogo para o hoje de nossa sociedade é o diálogo feito a partir das religiões cristãs que, sem perder sua essência doutrinária, se unem para professar a fé no mesmo Criador. Cae-nos, como cristãos católicos, abrirmos o coração e a mente com fins de buscarmos dar ao mundo globalizado a resposta de fé no Cristo, Senhor e Salvador de “toda a humanidade”. Deus abençoe ao Papa Francisco pela coragem de ser a testemunha Fiel de Jesus Cristo, que cumpriu a vontade do Pai, no Seu plano de Salvação para todos os homens.
Oremos irmãos por esse mensageiro da Paz!
Estela Márcia (Adaptações)
 

domingo, 18 de maio de 2014

Nos passos de Paulo VI - Sobre a Peregrinação do Papa Francisco a Terra Santa



Embora se trate de um momento de fé, a Peregrinação do Papa Francisco à Terra Santa será também um momento importante para o diálogo inter-religioso, exatamente como fez o Papa Montini (Papa Paulo VI)  há 50 anos atrás. O destaque desta viagem será o cumprimento do desejo do Papa Francisco, que ele mesmo anunciou no dia 6 de janeiro: “Se Deus quiser, eu vou fazer uma peregrinação à Terra Santa”. O objetivo principal é comemorar o encontro histórico entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que ocorreu exatamente 50 anos atrás. Assim, ‘Nos passos de Paulo VI’, que será declarado Beato em outubro próximo, Francisco, - depois de São João Paulo II, de Bento XVI, e seguindo também outro Francisco, - parte em peregrinação na próxima semana à Terra que meia humanidade chama de Santa.
A viagem do Papa à Terra Santa (de 24 a 26 de maio de 2014) será “muito breve e muito intensa” como foi a viagem de Paulo VI em 1964, disse nos dias passados o Diretor da Sala de Imprensa, Padre Federico Lombardi, durante coletiva de imprensa. Ele explicou a falta de algumas etapas típicas das viagens papais do programa e destacou, no entanto, uma série de pontos em comum entre as duas viagens de Bergoglio e Montini, começando pelos três dias comuns e pelo encontro com o Patriarca Bartolomeu. O Papa e Bartolomeu no Santo Sepulcro participarão de um “encontro ecumênico”, durante o qual comemoração a morte e a ressurreição de Jesus e rezarão juntos o Pai Nosso, “uma oração comum num lugar sagrado de Jerusalém, em particular no Santo Sepulcro, é algo que nunca aconteceu até agora”. Durante a viagem o Papa falará sempre em italiano e não utilizará “nem papamóvel, nem carros blindados”, mas um “carro normal ou jeep aberto”. Nenhuma missa pública em Jerusalém (Bento XVI, por exemplo, celebrou em 2009 no Josafat Valley) e na Galileia. Papa Francisco quis esta viagem na perspectiva da comemoração daquela realizada por Paulo VI. Ainda no âmbito da viagem, o Papa Francisco vai fazer uma oração silenciosa e colocar uma mensagem entre as pedras do Muro das Lamentações em Jerusalém. Na viagem, o Papa será acompanhado por dois amigos argentinos, o rabino Abraham Skorka e o líder islâmico Omar Abboud. É uma maneira concreta de falar do diálogo inter-religioso. O foco da visita será o encontro histórico com o Patriarca Ecumênico, em Jerusalém, a visita à Igreja local e ao povo palestino. Uma viagem importante que se insere no âmbito do movimento ecumênico, mas que também olha para a solidariedade com os que sofrem e para a Igreja local. A Terra Santa durante três dias terá as luzes dos holofotes do mundo sobre si, e quem sabe, dessas luzes, dessa viagem, não se conseguia fazer passar um lume de esperança, para iluminar a vida e o futuro de tantas pessoas que ainda esperam a paz.
Desde a manifestação do desejo do Papa Francisco, no início do ano, a Terra Santa começou a se preparar para este evento histórico, e todos, cristãos e não cristãos, hebreus, muçulmanos, em vários momentos ao longo destes últimos meses expressaram a sua alegria e deram a boas-vindas ao Papa. Os irmãos cristãos da Igreja ortodoxa de Constantinopla, da Grécia, de Jerusalém e da Igreja Armênia, aguardam ansiosos essa visita e o encontro que será o foco central da viagem; o encontro ecumênico no Santo Sepulcro no domingo, dia 25. “Somos chamados a ser um e o Papa vem para nos lembrar disso e renovar o espírito de unidade e de amor fraterno”, disse o Patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal.
O logotipo e o lema que foram escolhidos para esta peregrinação se concentram neste desejo de unidade: “Para que todos sejam um”, e o logotipo mostra o abraço dos Santos Apóstolos Pedro e André, patronos da Igreja de Roma e da Igreja de Constantinopla. O Santo Padre, vai se reunir com os fiéis da Terra Santa, mais particularmente nas celebrações da Santa Missa – em Amã e em Belém. Em Jerusalém, na cena da Última Ceia, vai celebrar uma missa especial com os Ordinários Católicos da Terra Santa. Também haverá ocasiões para ele se reunir com diferentes grupos de fiéis: deficientes, refugiados, religiosos e religiosas, seminaristas e sacerdotes. O Papa Francisco, prestará também homenagens aos irmãos e irmãs muçulmanos e hebreus, visitando a esplanada das Mesquitas, e o Muro das Lamentações. Certamente mais um incentivo para o diálogo, para conhecê-los melhor e trabalhar juntos em prol da justiça, da paz, do perdão e reconciliação numa terra tão machucada.
O Papa Francisco visitará três realidades políticas – Jordânia , Palestina e Israel. Em cada um desses lugares vai se reunir com os chefes de Estado, para incentivar cada um e a todos para um governo justo em benefício de todos os cidadãos com o convite a trabalharem juntos, para superar todos os obstáculos que se interpõem no caminho do bem-estar e da prosperidade de todos. Brota assim a esperança de que Francisco, como o pobrezinho de Assis que também caminhou nestas terras inspire maior unidade para que todos sejam mais corajosos para quebrar as barreiras de inimizade.
Estela Márcia (Adaptações)





"As fofocas, as invejas e os ciúmes não levam à harmonia e à paz", disse Papa Francisco (18.05.2014)


 “As fofocas, as invejas e os ciúmes” na Igreja, “não nos levam à concórdia, à harmonia e à paz”: foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu a Oração mariana do Regina Coeli - neste 5º Domingo da Páscoa, dizendo que o descontentamento e as lamentações que existem também “nas nossas paróquias” se resolvem “confrontando-se, discutindo, rezando”. Falando a cerca de 50 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro numa manhã de sol o Papa Francisco iniciou recordando que a Leitura dos Atos dos Apóstolos deste domingo nos mostra que também na Igreja primitiva emergiram as primeiras tensões e primeiras dissensões. “Na vida, os conflitos existem, o problema é como enfrentá-los. Até aquele momento a unidade da comunidade cristã era favorecida pela pertença a uma única etnia e cultura, a judaica. Mas, quando o Cristianismo, que por vontade de Jesus é destinado a todos os povos, se abre ao âmbito cultural grego, essa homogeneidade é perdida e surgem as primeiras dificuldades”. Há ventos de descontentamento – continuou o Papa - há queixas, correm vozes de favoritismo e de tratamento desigual. As ajudas da comunidade às pessoas carentes - viúvas, órfãos e pobres em geral - parecem favorecer os cristãos de origem judaica em relação aos outros. Então os Apóstolos tomam a situação em mãos: convocam uma reunião alargada também aos discípulos, discutem juntos a questão: “Os problemas, de fato, não se resolvem fazendo de conta que não existem! E é bonito esse confronto contundente entre os pastores e os outros fiéis. Chega-se, assim, a uma divisão do trabalho. Os Apóstolos fazem uma proposta que é aceita por todos: eles vão se dedicar à oração e ao ministério da Palavra, enquanto sete homens, os diáconos, irão prover os serviços nos refeitórios para os pobres”. Estes sete - disse Francisco - não são escolhidos porque são especialistas em negócios, mas sim como homens honestos e de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria; e são constituídos em seu serviço através da imposição das mãos pelos Apóstolos. E o Papa destacou que também hoje existem esses problemas e devem ser resolvidos: “Os problemas na Igreja se resolvem confrontando-se, discutindo e rezando, com a certeza de que as fofocas, as invejas e os ciúmes não poderão jamais nos levar à concórdia, à harmonia, e à paz. Quando deixamos ao Espírito Santo a guia ele nos leva à harmonia à unidade e ao respeito dos diversos dons e talentos. Nada de fofocas, nada de invejas, e nada de ciúmes. Vocês entenderam bem?” Perguntou o Papa. Francisco concluiu pedindo à Virgem Maria que nos ajude a sermos dóceis ao Espírito Santo, para que saibamos nos estimar entre nós e nos unamos sempre mais na fé e na caridade, mantendo o coração aberto às necessidades dos irmãos.