sábado, 17 de maio de 2014

“O Êxtase e o Mistério da Eucaristia” (Por Estela Márcia)


O Catecismo vai nos dizer que a Eucaristia é o ‘sacramento da nossa salvação realizada por Cristo na cruz’ de Ação de graças e Louvor ao Pai ‘pela obra da criação’, e que ‘só é possível através de Cristo: Ele une os fiéis à sua pessoa, ao seu louvor e à sua intercessão, de maneira que o sacrifício de louvor ao Pai ë oferecido por Cristo e com Cristo, para ser aceite em Cristo’. (CES 359-361) A Eucaristia assume a nossa condição humana e nos eucaristiza, como nos diz São Justino (Séc. II - São Justino, Apologia, 1. 65: CA 1, 176-180 /PG 6. 428)

Se pensarmos então que ‘êxtase’ é um estado espiritual de profundo encanto, tomado de intensa adoração e admiração, perceberemos que ao comungarmos do Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, experimentamos a graça de nos oferecermos ao Pai, ‘por Cristo e com Cristo, para ser aceite em Cristo’. Adentramos no Mistério da Fé. Com Cristo experimentamos a Cruz, atualizamos com Ele o Mistério que se deu no madeiro do Sacrifício, e com Ele temos a oportunidade de entregarmos as nossas misérias. Porém, se com Ele padecemos, com Ele ressurgimos pelo penhor de Sua Ressurreição. “Eis o Mistério da Fé!” Mistério para ser crido e adorado. Extremado de adoração eucarística, São João Paulo II, o então Papa, escreve-nos: «A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera-nos neste sacramento do amor. Não regateemos o tempo para estar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e disposta a reparar as faltas graves e os pecados do mundo. Que a nossa adoração não cesse jamais». (João Paulo II, Ep. Dominicae Cenae, 3: AAS 72 (1980) 119; cf. Enchiridion Vaticanum 7, 177.).

Os santos compreenderam se tratar de um Mistério que ultrapassa os sentidos, como escreve São Tomás de Aquino: «A presença do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo neste sacramento, não a apreendemos pelos sentidos, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus". (cf. Summa theologiae, 3. q. 75, a. 1. c: Ed. Leon. 12, 156); São Cirilo de Alexandria declara, comentando o texto de São Lucas 22, 19 "Isto é o Meu corpo que será entregue por vós": "Não vás agora perguntar-te se isso é verdade; mas acolhe com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a verdade, não mente"» (Commentarius in Lucam 22, 19: PG 72, 912).

Comungar é entrar em comunhão com alguém ou mesmo com uma ideia. Portanto, ao comungarmos do Corpo e Sangue de Cristo, comungamos uma Pessoa, comungando não mais apenas Sua ideia, mas o Seu Espírito que em nós, faz-nos outro Cristo. Na dimensão do banquete eucarístico nos faz um com Ele e o Pai: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também o que Me come viverá por Mim» (Jo 6,56-57). Afirma-nos a Igreja: “O que o alimento material produz na nossa vida corporal, realiza-o a Comunhão, de modo admirável, na nossa vida espiritual. A comunhão da carne de Cristo Ressuscitado, «vivificada pelo Espírito Santo e vivificante» (Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 5: AAS 58 (1966)997).

            Como Memorial sacrificial, ‘no sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens’ (Cf. Ex 13,3). Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles tornam-se de certo modo presentes e atuais. Porque é o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22, 19-20). Na Eucaristia, Cristo dá aquele mesmo corpo que entregou por nós na cruz, aquele mesmo sangue que «derramou por muitos em remissão dos pecados» (Mt 26, 28).  (CES 1363.1365) Dessa forma, cabe-nos compreender que apesar de nós, o Mistério se realiza pelas palavras do próprio Cristo, que de antemão, quis comer esta Ceia com os seus.

         Diante de tamanho Mistério, a Igreja espera de seus filhos o verdadeiro ‘culto’ à Eucaristia (Cf. 1378-1381), e nos diz: “Na liturgia da Missa, nós exprimimos a nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho, entre outras maneiras, ajoelhando ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor.” E afirma através de Paulo VI: «A Igreja Católica sempre prestou e continua a prestar este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia, não só durante a missa, mas também fora da sua celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas, apresentando-as aos fiéis para que solenemente as venerem, e levando-as em procissão» (Paulo VI, Enc. Mysterium fidei: AAS 57 (1965) 769). Assim, aprofundando o Mistério da presença real de Cristo na Eucaristia, e, tendo tomado ‘consciência do sentido da adoração silenciosa do Senhor, presente sob as espécies eucarísticas’ (CES 1379), a Igreja recomenda que até mesmo o sacrário encontre um lugar de centralidade e importância nas igrejas – ‘de tal modo que sublinhe e manifeste a verdade da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento’. Sem deixar de lado, é claro, a ideia inicial, de que as mesmas se destinam aos enfermos e impossibilitados de participarem da Santa Missa.

Busquemos na visita ao Santíssimo Sacramento, através da adoração silenciosa a força de que precisamos para vencer o pecado e a morte do dia-a-dia, lembrando sempre que a Eucaristia ‘conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Batismo (1392), e que ‘A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera-nos neste sacramento do amor’, como nos disse São João Paulo II.

Estela Márcia

(Fundamento: Catecismo da Igreja Católica)

Intercessão para as mães através de Nossa Senhora

É pertinente a afirmação de que maio é o mês das mães e o mês de Maria. Portanto, cabe-nos fazer súplicas que atenuem os sofrimentos das mulheres que, como a Virgem Maria, são marcadas por inúmeras situações, simplesmente por serem aquelas que devotam aos seus filhos a sua vida e as suas mais prementes intenções. Longe, é claro, de ser completa a intenção abaixo, mas caberá a nós, completá-las a partir das intenções que trazemos em nossos corações. Lembremos que de fato, os inúmeros sinais que Deus nos tem permitido conhecer através das aparições da Santíssima Mãe de Jesus, vem de encontro as tantas necessidades que circundam as nossas vidas. Rezemos!
 
1 - Nossa Senhora de Lourdes - As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, que afirmava ter visto uma "dama" na gruta de Massabielle, região da França, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga. A "dama" também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos, num total de dezoito aparições. A Nossa Senhora de Lourdes são atribuídas inúmeras curas até os dias de hoje, devido a poderosa intercessão de Nossa Senhora, como aconteceu com a cura de Bernadette. Celebramos N.S. de Lourdes no dia 11 de Fevereiro.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. de Lourdes, que conceda a Graça da cura para as mães que se encontram enfermas. Rezemos uma Ave Maria...
 
2 - Nossa Senhora de Fátima - (ou Nossa Senhora do Rosário de Fátima) é uma das designações atribuídas à Virgem Maria que, segundo os relatos da época, apareceu repetidamente a três pastorinhos, em Fátima, região de Portugal. A primeira aparição aconteu no dia 13 de Maio de 1917. Estas aparições continuaram durante seis meses seguidos, sempre no mesmo dia (exceto em Agosto). A aparição é associada também a Nossa Senhora do Rosário, devido a insistência, em todas as aparições pela reza do Rosário, com o pedido de oração pela conversão dos pecadores. Celebramos N.S. de Fátima no dia 13 de Maio.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. de Fátima, que conceda a Graça da conversão  para todas as mães. Rezemos uma Ave Maria...
 
 
 
 

3 - Nossa Senhora do Carmo - Este título apareceu com o propósito de relembrar o convento construído em honra da Santíssima Virgem Maria nos primeiros séculos do Cristianismo, no Monte Carmelo, em Israel. A principal característica desta invocação mariana é apresentar o Escapulário do Carmo, símbolo que representa o ato de se estar a serviço do Reino de Deus e que traz muitas indulgências, graças e outros benefícios espirituais a quem assume este sinal e esta proposta como seus. Celebramos N.S. do Carmo no dia 16 de Julho.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. do Carmo, que conceda a Graça da pertença a Deus para todas as mães. Rezemos uma Ave Maria...
 
 
 
 
 
4 - Nossa Senhora da Glória - é o titulo que se refere a três verdades de fé professadas pela Igreja: a Dormição de Nossa Senhora, sua Assunção ao céu em corpo e alma e sua Glorificação como Rainha do céu e da terra. Estas verdades de nossa fé são meditadas nos quarto e quinto Mistérios Gloriosos do Rosário. Sua festa litúrgica é dia 15 de agosto.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. da Glória, que estabeleça Seu Reinado na vida de todas as mães. Rezemos uma Ave Maria...
 
 
 
 
 
 
5 - Nossa Senhora Desatadora dos Nós - é uma devoção que surgiu em 1700, na cidade de Augsburgo, na Alemanha. Um pintor desconhecido pintou a Virgem Maria inspirado na meditação feita por São Irineu, bispo de Lyon e mártir no ano 202, que, à luz do escrito de São Paulo sobre Adão-Cristo, criou o de Eva-Maria, dizendo: “Eva, por sua desobediência, atou o nó da desgraça para o gênero humano; ao contrário, Maria, por sua obediência, o desatou!”. Esta devoção se estendeu pelo mundo, chegou até nós e ganhou a experiência de muitos devotos, que contando com a intercessão da Virgem Maria, alcançam a solução para as inúmeras situações difíceis da vida, mediante a fé. É comemorada no dia 15 de agosto.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. Desatadora dos nós, que solucione as inúmeras situações difíceis da vida muitas mães, que hoje pedem com fé sua intercessão. Rezemos uma Ave Maria...


6 - Nossa Senhora das Dores - É representada sendo ferida por sete espadas no seu Coração Imaculado. Dentre os sofrimentos experimentos pela Virgem Mãe, a Profecia de Simeão de que uma «espada de dor» lhe transpassaria a alma quando da Paixão e Morte de seu Filho, tem especial destaque. Unida a outras situações por ela experimentadas, a Fuga para o Egito, com José e o Menino; a procura do seu Filho Jesus em Jerusalém, aos 12 anos; o encontro com Jesus no caminho do Calvário; aos pés da Cruz; ao receber seu Filho descido da Cruz em seus braços e no momento em que depositavam seu Divino Filho no Sepulcro. Celebramos N.S. das Dores no dia 15 de setembro, antecedida pela Exaltação da Santa Cruz, no dia 14.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. das Dores, que alivie as dores do coração das mães que sofrem alguma espécie de angústia ou decepção pela vida ou pela morte de seus filhos. Rezemos uma Ave Maria...

 
 
7 - Nossa Senhora da Conceição Aparecida - Na segunda quinzena de outubro de 1717, quando o governador da capitania de São Paulo e Minas, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá em viagem até Vila Rica, o povo decidiu fazer uma festa. Mesmo fora da temporada de pesca, os pescadores lançaram-se à pesca no rio Paraíba. Nada encontrando rezaram para a Virgem Maria, pedindo a ajuda de Deus. Quase desistindo da pescaria, João Alves jogou sua rede novamente, em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem. Após terem recuperado as duas partes da imagem, envolveram-na num lençol. A figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la. Os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, devido ao volume da pesca ameaçando afundar a embarcação. Este foi o primeiro MILAGRE atribuído a Mãe de Jesus na região do Vale do Paraíba. Celebramos N.S. Aparecida no dia 12 de outubro.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. da Conceição Aparecida, que renove o dom da vida de todas as mães. Rezemos uma Ave Maria...

8 - Nossa Senhora das Graças - Em 1830, na cidade de Paris, na França, Nossa Senhora apareceu por duas vezes a uma das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, a humilde noviça Santa Catarina Labouré. Na 2ª aparição, Catarina ouviu uma voz que lhe disse:  "Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que Me as pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir."  Celebramos N.S. das Graças no dia 27 de novembro.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. das Graças, um pedido especial para uma mãe que conhecemos (façamos um breve silêncio). Rezemos uma Ave Maria...

 
 
 
 
9 - Nossa Senhora Imaculada Conceição - O Papa Pio IX, na bula Ineffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854, declarou como dogma da Igreja e artigo de fé o seguinte: “Ë de Deus revelada a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, e dessa maneira deve ser honrada firme e constantemente por todos os fiéis.” Sua Festa litúrgica é celebrada no dia 8 de dezembro.
Vamos pedir ao Senhor, com a intercessão de N.Sra. Imaculada Conceição que abençoe todas as mães do mundo inteiro. Rezemos uma Ave Maria...

 
 
 
 
Estela Márcia

 

 

 


 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Papa Francisco: “rezar, celebrar e imitar Jesus para conhecê-Lo.” (16.05.2014)


 “Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,1-6)

A partir do Evangelho do dia 16 de maio, disse Papa Francisco: Para conhecer Jesus, não basta estudar, mas rezar e imitá-Lo. Comentando a afirmação de Jesus “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Francisco observou que o “conhecimento de Jesus é o trabalho mais importante da nossa vida”. Para isso, o estudo é sim importante, mas não suficiente. “Algumas pessoas, afirmou ele, acreditam que somente as ideias nos levarão ao conhecimento de Jesus. Inclusive entre os primeiros cristãos se pensava assim. Mas, no final, ficam presos em seus pensamentos: As ideias por si só não dão vida e quem percorre o caminho somente das ideais acaba num labirinto e não sai mais! É por isso que, desde o início da Igreja, existem as heresias. As heresias são isto: tentar entender quem é Jesus somente com a nossa mente e a nossa luz. Um grande escritor inglês dizia que a heresia é uma ideia que enlouqueceu. É assim. Quando as ideais estão sós, enlouquecem… Este não é o caminho! Para conhecer Jesus – afirmou o Papa – é preciso abrir três portas: Primeira porta: rezar a Jesus. O estudo sem oração não serve. Rezar a Jesus para conhecê-Lo melhor. Os grandes teólogos fazem teologia de joelhos. E com o estudo, com a oração, nos aproximamos um pouco.... Mas sem oração jamais conheceremos Jesus. Jamais! Segunda porta: celebrar Jesus. Não basta a oração, mas também a alegria da celebração. Celebrar Jesus nos seus Sacramentos, porque ali nos dá a vida, a força, o alimento, o conforto, a aliança e a missão. Sem a celebração dos Sacramentos, não conseguiremos conhecer Jesus. Isso é próprio da Igreja: a celebração. Terceira porta: imitá-Lo. Pegar o Evangelho: o que Ele fez, como era a sua vida, o que nos disse, o que nos ensinou e tentar imitá-Lo. Entrar por essas três portas – disse ainda Francisco –, significa “entrar no mistério de Jesus”. Somente se formos capazes de entrar no seu mistério poderemos conhecer Jesus, “sem medo”: Podemos hoje, durante o dia, pensar em como anda a porta da oração na minha vida: mas a oração do coração, não a do papagaio! Como anda a celebração cristã na minha vida? E a imitação de Jesus? Como imitá-Lo?  Para quem não se lembra porque o Evangelho está “todo empoeirado e nunca é aberto”, o Papa aconselhou a abri-lo, pois lá encontrará como imitar Jesus. “Pensar como estão essas três portas na nossa vida fará bem a todos”, concluiu. A missa na Casa Santa Marta foi a única atividade do Papa Francisco esta manhã. Os demais compromissos previstos foram cancelados devido a uma leve indisposição do Pontífice.
Estela Márcia (Adaptações)

Santa Sé autoriza início da causa de canonização de Dom Luciano


 


A Arquidiocese de Mariana (MG) divulgou em 13 de maio o comunicado da Congregação para a Causa dos Santos sobre o processo de beatificação de Dom Luciano Mendes de Almeida: “Por parte da Santa Sé, não há nada que impeça que se inicie a Causa de Beatificação e Canonização de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida”, informa a Congregação. A solicitação de abertura do processo foi feita pelo arcebispo local, Dom Geraldo Lyrio Rocha, que poderá instituir o Tribunal que levará adiante o processo. Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida foi arcebispo de Mariana de 1988 a 2006, quando faleceu aos 75 anos. O arcebispo, da Companhia de Jesus, foi Secretário-geral (de 1979 a 1986) e Presidente (de 1987 a 1994) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por dois mandatos consecutivos. Em nota publicada em 2006 sobre Dom Luciano, a Presidência da CNBB destacou entre as marcas que deixou na instituição o dinamismo, a inteligência privilegiada, a dedicação incansável e o testemunho de amor à Igreja. Carioca, Dom Luciano nasceu em 5 de outubro de 1930. Doutor em Filosofia, foi membro do Conselho Permanente da CNBB de 1987 até o ano de sua morte. Também atuou na Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, foi vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e presidente da Comissão Episcopal do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome. Durante quase duas décadas à frente da arquidiocese de Mariana (MG), o bispo deu forte impulso pastoral àquela Igreja particular, onde a organizou em cinco Regiões Pastorais. Deu atenção à formação permanente do clero, à realização de assembleias pastorais e à reestruturação de conselhos arquidiocesanos. Também organizou pastorais, religiosos, processos formativos do Seminário Arquidiocesano e obras sociais, além do investimento na capacitação e participação dos leigos e na preservação das Igrejas históricas. (CNBB)

O programa da visita do Papa à Terra Santa. "Viagem breve, intensa e em clima sereno", diz Pe. Lombardi (15.05.2014)


Será repleta de encontros e celebrações a peregrinação do Papa Francisco à Terra Santa, programada para os dias 24, 25 e 26 de maio. O programa da viagem - a ser realizada por ocasião do 50º aniversário do encontro entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras ocorrido em Jerusalém -, foi apresentado pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi. A peregrinação à Terra Santa será a segunda viagem internacional do Papa Francisco, após a viagem ao Rio de Janeiro, para a JMJRio2013: “Serão apenas três dias. É uma viagem muito breve e muito intensa, como foram os três dias de viagem de Paulo VI. As etapas fundamentais desta viagem são a Jordânia, Amã, e também Bethany the Jordan, Belém, no do Estado da Palestina e após Jerusalém. Três Estados, três etapas fundamentais, três dias”. Uma viagem intensa marcada por uma agenda lotada: “A organização do programa levou em consideração a existência de um domingo, para a celebração da Missa em Belém e o encontro ecumênico com o Patriarca Bartolomeu e com todos os outros representantes cristãos, na parte da tarde. O dia precedente, sendo o shabbat, será dedicado à Jordânia e a segunda-feira, por sua vez, ao Estado de Israel”.

A peregrinação do Papa Francisco será também uma ocasião para recordar o 50º aniversário do encontro entre Paulo VI e Atenágoras, e a viagem do Papa Montini à Terra Santa: “Como vocês recordam foi também a primeira das viagens internacionais dos Papas, porque no tempo do Concílio houve aquele anúncio extraordinário por parte de Paulo VI de que iria à Terra Santa. E foi nos primeiros dias de janeiro. Os dias de janeiro não eram os mais propícios para realizar uma viagem à Terra Santa. Portanto, foi adiada para maio, um tempo mais adequado. Mas a idéia era justamente a de recordar aquela viagem extraordinária”.

A viagem do Papa à Terra Santa terá um caráter inter-religioso. Dimensão que caracterizará também a delegação papal: “Justamente inserimos no séquito, mesmo se não partindo de Roma, um rabino e um representante muçulmano. O Papa quis consigo, formalmente, como membro do séquito, o Rabino Skorka e o Sr. Omar Ahmed Abud, Secretário Geral do Instituto de Diálogo Inter-religioso da República da Argentina. São duas pessoas que o Papa conhece bem, desde os tempos da Argentina, com quem cultivou relações de diálogo e de amizade, desde então, e que participa, com eles deste momento assim importante”.

O primeiro dia da peregrinação, sábado, 24 de maio, será dedicado à partida de Roma para Amã e aos encontros na Jordânia: “A viagem começa na manhã de sábado, com o vôo de Roma à Amã. Na chegada do Papa não haverá nenhuma cerimônia de acolhida no aeroporto. Ele se desloca diretamente do aeroporto ao Palácio Real de Amã para a cerimônia de boas-vindas. Alí acontece primeiro a visita de cortesia ao Rei da Jordânia e após, em um grande salão, o encontro com as autoridades jordanianas no Palácio Real. Por volta das 15 horas está prevista a chegada ao Estádio Internacional de Amã. E alí haverá um giro entre a multidão com um Jeep descoberto e após a celebração da Santa Missa. Na Santa Missa está prevista a Primeira Comunhão de 1.400 crianças. Logo após, o deslocamento à Bethany beyond the Jordan, isto é, o lugar do batismo de Jesus, no lado jordaniano do Rio Jordão. O Papa dirige-se então às margens do Rio Jordão para abençoar a água, como havia feito Paulo VI. Após o Papa vai até a Igreja latina onde encontra refugiados e jovens com deficiência. Após retorna para Amã”.

No dia seguinte, domingo 25 de maio, o Santo Padre vai à Belém: “Na manhã de domingo a transferência de Amã à Belém, feita em helicóptero. Após está prevista a transferência imediata ao Palácio presidencial de Belém, onde o Presidente Mahmoud Abbas recebe o Santo Padre. Após se dirige para a Praça da Manjedoura de Belém, para a Missa. A Missa que será celebrada é uma celebração com leituras e Liturgia da Natividade. Teremos, então, a homilia do Papa, naturalmente, e então o Regina Coeli no final, pois será domingo. Por volta das 13 horas o Papa se desloca à Casa Nova, que é uma casa anexa ao Convento Franciscano, para os peregrinos. O Papa almoça com algumas famílias da Palestina. Ao final do almoço, o Papa se dirige à Basílica da Natividade. Após a visita à Gruta, o Papa se desloca para o Phoenix Center, no Campo de Refugiados de Dheisheh. Lá o Papa encontrará um grupo de crianças, provenientes de diversos campos para refugiados. Após dirige-se, imediatamente, ao heliporto de Belém, despedindo-se do Estado da Palestina”.

No domingo à tarde, o Papa chegará ao Estado de Israel. Após o encontro com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu, haverá um momento crucial e histórico com a oração ecumênica na Basílica do Santo Sepulcro: “A chegada no Estado de Israel começa com uma simples cerimônia de boas-vindas no Aeroporto de Tel-Aviv, na tarde de domingo. Então, o deslocamento para Jerusalém. O Papa dirige-se imediatamente à delegação apostólica de Jerusalém. E alí realiza-se o encontro com o Patriarca Ecumênico. Portanto, é outro momento importante da viagem. Lá acontecerá um encontro privado, um encontro historicamente importantíssimo, porque ocorre no mesmo lugar, na mesma sala, em que Paulo VI encontrou-se com Atenágoras, há 50 anos. E terá a assinatura de uma declaração conjunta. Após, os dois se transferem ao Santo Sepulcro para aquele que é considerado um evento fundamental nesta viagem: a celebração ecumênica no Santo Sepulcro. O Papa e o Patriarca chegam – não juntos – mas por caminhos diferentes, à Praça que está diante do Santo Sepulcro, entrando por duas portas diferentes a partir da Praça. Depois são acolhidos na entrada da Basílica do Santo Sepulcro pelos três superiores das comunidades do status quo: a comunidade greco-ortodoxa, a comunidade armena-ortodoxa e a Custódia da Terra Santa. O Papa e o Patriarca veneram a Pedra da Unção, que se encontra próxima à entrada e dirigem-se onde é custodiado o Santo Sepulcro. O Papa e o Patriarca entram no Santo Sepulcro para venerar o Sepulcro vazio, saem do Sepulcro, abençoam os presentes e dirigem-se após ao Calvário, ao Gólgota, acompanhados pelos três chefes das comunidades do status quo. Um momento ecumênico, que entre outras coisas, é a grande novidade ecumênica desta viagem: uma oração em comum em um lugar santo de Jerusalém, no Santo Sepulcro em particular, é algo que nunca aconteceu antes. As comunidades cristãs que podem celebrar e rezar nos lugares santos o fazem – e sempre o fizeram até agora – separadamente, nos tempos propícios e destinados às diversas comunidades. Após esta celebração – verdadeiramente histórica - o Papa e o Patriarca – desta vez juntos, no mesmo automóvel -, seguem para o Patriarcado para o jantar”.

Denso de encontros também o último dia de peregrinação na Terra Santa, segunda-feira 26 de maio: “Segunda-feira pela manhã o Papa transfere-se imediatamente para a Esplanada das Mesquitas. O Papa entra na Cúpula da Rocha, com o Grão Mufti. Às 9 horas está prevista a transferência ao Muro Ocidental, o chamado Muro das Lamentações. Lá está previsto um momento de oração do Santo Padre. O Papa se aproxima e poderá deixar o seu papel nas fissuras do muro, como é habitual. Do Muro Ocidental, o Papa se transfere ao Monte Herzl para depositar flores. Herzl é o fundador do movimento sionista. É uma comemoração distinta daquela que após fará no Yad Vashem, que ao contrário, é especificamente em memória do Holocausto. Após, a transferência ao Centro Heichal Shlomo, portanto, a sede do Grande Rabinato de Israel para a visita de cortesia aos dois grandes Rabinos de Israel. Às 11h30min, deveremos já nos dirigir ao Palácio presidencial para o encontro com o Presidente Peres. Às 12h45min transferência para a Notre Dame Jerusalém Center. Alí o Papa recebe em audiência privada o Primeiro-Ministro de Israel. Após o almoço, o Papa se transfere para Viri Galileai, que se encontra praticamente sobre o Monte das Oliveiras e é uma pequena Igreja Greco-ortodoxa. Ali o Papa encontra e se despede do Patriarca Bartolomeu. Após o Papa se transfere para a Igreja do Getsêmani, onde encontra, às 16 horas, sacerdotes, religiosos e religiosas e seminaristas. O Papa planta uma pequena oliveira, próxima àquela que foi plantada por Paulo VI há 50 anos. Após tem o último evento importante desta viagem: no Cenáculo tem lugar uma Missa com os Ordinários da Terra Santa e com o séquito papal. De helicóptero dirige-se a Tel Aviv. Em Tel Aviv despede-se do Estado de Israel e parte com destino à Roma, onde deve chegar por volta das 23 horas”.


Não existem motivos para duvidar – concluiu Pe. Lombardi – que a viagem se desenvolverá num clima sereno.



“Acreditar com o coração, não só com o intelecto”, diz Papa Francisco (13.05.2014)


“22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. 25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”. (Jo 10,22-30)

“Não se pode entender as coisas de Deus só com a cabeça; é preciso abrir o coração ao Espírito Santo”. Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã do dia 13de maio, na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que a “fé é um dom de Deus, mas não pode ser recebida por quem vive ‘separado’ de seu povo e da Igreja. Observando as leituras do dia, Francisco falou que existem “dois grupos de pessoas”. A Primeira Leitura mostra aqueles que se dispersaram por causa da perseguição desencadeada depois da morte de Estevão. “Foram dispersos com a semente do Evangelho e a levaram a todos os lugares”. No início, falavam somente aos judeus. Depois, “de modo natural, alguns deles, ao chegarem a Antioquia, começaram a falar também aos gregos”. “Assim, lentamente” - o Papa continuou - “abriram as portas aos gregos, aos pagãos. Quando a notícia chegou a Jerusalém, Barnabé foi enviado a Antioquia para uma visita de inspeção e todos ficaram contentes porque uma multidão foi acrescentada ao Senhor”. “Este povo – destacou Francisco – não disse ‘vamos primeiro aos judeus, depois aos gregos, aos pagãos, a todos!’ Não! Deixou-se levar pelo Espírito Santo, foi dócil ao Espírito Santo”. Depois, uma coisa leva à outra, e “acabaram abrindo as portas a todos: inclusive aos pagãos, que segundo sua mentalidade, eram impuros. Abriam as portas a todos”. Este é o primeiro grupo de pessoas, dóceis ao Espírito Santo. “Algumas vezes – acrescentou Francisco –, o Espírito Santo nos leva a fazer coisas fortes, como levou Filipe a batizar o ministro etíope; como levou Pedro a batizar Cornélio”. “Outras vezes, o Espírito Santo nos conduz, suavemente, e a virtude é justamente deixar-se levar por ele, não fazer resistência, ser dócil ao Espírito Santo. E o Espírito Santo age hoje na Igreja, age hoje em nossa vida. Vocês podem me dizer: “Eu nunca o vi!”; “Preste atenção, têm na cabeça coisas boas?”. É o espírito que convida a percorrer aquele caminho! É preciso docilidade ao Espírito Santo!”. O segundo grupo que as Leituras nos apresentam “são os intelectuais” que se aproximam de Jesus no templo: são os doutores da Igreja. Jesus, observou o Papa, sempre teve problemas com eles, “porque queriam sempre entender: refletiam sobre as mesmas coisas, pois acreditavam que a religião era somente algo de cabeça, de leis”. Para eles, era necessário “cumprir os mandamentos e nada mais. Não imaginavam que o Espírito Santo existisse”. Interrogavam Jesus, “queriam discutir. Estava tudo na cabeça, tudo é intelecto”. “Nessas pessoas, acrescentou Francisco, não há coração, não há amor e beleza, não há harmonia”, querem somente “explicações”: “E você explica e eles, não convencidos, voltam com outra pergunta. E assim: rodam, rodam… Rodaram em volta de Jesus toda a vida, até o momento que conseguiram pegá-lo e mata-lo! Eles não abriram o coração ao Espírito Santo! Acreditavam que inclusive as coisas de Deus podiam ser compreendidas somente com a cabeça, com as ideias, com as próprias ideais. Eram orgulhosos. Acreditavam que sabiam tudo. E aquilo que não entrava em sua inteligência, não era verdade. Um morto podia até ressuscitar diante deles, mas não acreditariam!”. Francisco destacou que Jesus foi além e disse algo forte: “Vocês não acreditam porque não são parte das minhas ovelhas! Não acreditam porque não são o povo de Israel. Abandonaram o povo. Estão na aristocracia do intelecto”. Esta atitude, advertiu o Pontífice, “fecha o coração. Eles renegaram o seu povo”: “Essas pessoas se distanciaram do povo de Deus e, por isso, não podiam acreditar. A fé é um dom de Deus! Mas a fé chega se estiver no povo, se acreditar que esta Igreja é Povo de Deus. Ao afastar-se da Igreja, comete-se o pecado de resistir ao Espírito Santo”. Há “dois grupos de pessoas”, retomou o Papa, os da doçura, das pessoas doces, humildes e abertas aos Espírito Santo”, e outro grupo, “orgulhoso, suficiente, soberbo, distante do povo, aristocrático do intelecto, que fechou as portas e resistiu ao Espírito Santo”.  “E não se trata de teimosia, disse Francisco, é muito mais: “É ter o coração duro! E isso é ainda mais perigoso”. Olhando esses dois grupos de pessoas, “peçamos ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito Santo para prosseguir na vida, para sermos criativos e alegres”. E quando “há muita seriedade, o Espírito Santo não está presente”. Peçamos, portanto, “a graça da docilidade e que o Espírito Santo nos ajude a nos defender deste espírito da suficiência, do orgulho, da soberba e do fechamento do coração ao Espírito Santo”.

Estela Márcia (adaptações)



Lede e meditai assiduamente a palavra do Senhor para acreditar naquilo que lestes, ensinai o que aprendestes na fé, vivei o que ensinastes - DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES (11.05.2014)


ORDENAÇÕES PRESBITERIAIS
DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
IV Domingo de Páscoa, 11 de Maio de 2014
Queridos irmãos!

Estes nossos filhos e irmãos foram chamados à ordem do presbiterado. Como vós bem sabeis, o Senhor Jesus é o único sumo sacerdote do Novo Testamento; mas n’Ele também todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal. Contudo, entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns em particular, para que exercendo publicamente na Igreja em seu nome o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuem a sua pessoal missão de mestre, sacerdote e pastor.

Depois de uma reflexão madura, agora estamos prestes a elevar à ordem dos presbíteros estes nossos irmãos, a fim de que ao serviço de Cristo mestre, sacerdote e pastor cooperem para edificar o Corpo de Cristo, que é a Igreja, no povo de Deus e templo santo do Espírito.

Com efeito, eles serão configurados a Cristo sumo e eterno sacerdote, ou seja, serão consagrados como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, e com este título, que os une no sacerdócio ao seu bispo, serão pregadores do Evangelho, pastores do povo de Deus, e presidirão as acções de culto, especialmente na celebração do sacrifício do Senhor.

Quanto a vós, irmãos e filhos diletíssimos, que estais para ser promovidos à ordem do presbiterado, considerai que exercitando o ministério da sagrada doutrina sereis participantes da missão de Cristo, único mestre. Proclamai a todos aquela Palavra, que vós mesmos recebeis com alegria, das vossas mães, das vossas catequistas. Lede e meditai assiduamente a palavra do Senhor para acreditar naquilo que lestes, ensinai o que aprendestes na fé, vivei o que ensinastes. Portanto, a vossa doutrina, que não é propriedade vossa, seja nutrimento para o povo de Deus: vós não sois proprietários da doutrina! É a doutrina do Senhor, e vós deveis ser fiéis à doutrina do Senhor! Por conseguinte, a vossa doutrina seja o alimento para o povo de Deus, o perfume da vossa vida seja alegria e apoio aos fiéis de Cristo, para que com a palavra e o exemplo edifiqueis a casa de Deus, que é a Igreja.

E assim vós continuareis a obra santificadora de Cristo. Mediante o vosso ministério o Sacrifício espiritual dos fiéis torna-se perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas vossas mãos em nome de toda a Igreja é oferecido de modo incruento sobre o altar na celebração dos santos mistérios.

Portanto, reconhecei o que fazeis, imitai o que celebrais, para que, participando no mistério da morte e ressurreição do Senhor, carregueis a morte de Cristo nos vossos membros e caminheis com ele na novidade de vida.

Com o baptismo agregareis novos fiéis ao povo de Deus; com o sacramento da Penitência perdoareis os pecados em nome de Cristo e da Igreja. E aqui quero deter-me e pedir-vos, por amor a Jesus Cristo: nunca vos canseis de ser misericordiosos! Por favor! Tende esta capacidade de perdão que o Senhor teve, o qual não veio para condenar, mas para perdoar! Tende misericórdia, tanta! E se tiverdes o escrúpulo de ser demasiado «perdoadores», pensai naquele santo sacerdote do qual vos falei, que ia diante do tabernáculo e dizia: «Perdoa-me, Senhor, se perdoei demasiado. Mas foste tu que me deste o mau exemplo!». E eu digo-vos, verdadeiramente: sofro tanto quando encontro pessoas que já não se vão confessar, porque foram maltratadas, repreendidas. Sentiram que lhes eram fechadas na cara as portas da igreja! Por favor, não façais isso: misericórdia, misericórdia! O bom pastor entra pela porta e a porta da misericórdia são as chagas do Senhor: se entrardes no vosso ministério pelas chagas do Senhor, não sareis bons pastores.

Com o Óleo santo dareis alívio aos enfermos; celebrando os ritos sagrados e elevando nas várias horas do dia as orações de louvor e de súplica, vós sereis a voz do povo de Deus e da humanidade inteira.

Cientes de que fostes sido escolhidos entres os homens e constituídos em seu favor para estar ao serviço das coisas de Deus, exercitai com júbilo e caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, concentrados unicamente em agradar a Deus e não a vós mesmos.

E pensai naquilo que dizia santo Agostinho sobre os pastores que procuravam agradar a si mesmos, que usavam as ovelhas do Senhor como refeição e para se vestirem, para vestir a majestade de um ministério que não se sabia se era de Deus. Enfim, participando na missão de Cristo, chefe e pastor, em comunhão filial com o vosso bispo, comprometei-vos por unir os fiéis numa única família, para os conduzir a Deus por meio de Cristo no Espírito Santo. Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir, e procurar salvar o que estava perdido.

 







© Copyright - Libreria Editrice Vaticana