sexta-feira, 16 de maio de 2014

"Igreja concede graça, não cria burocracia", diz o Papa Francisco (08.05.2014)


“Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém.28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiam o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?” 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eu­nuco. 39Quando saíram da á­gua, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evan­gelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.” (At 8,26-40)

A partir da Primeira Leitura, o Papa Francisco disse na missa da manhã do dia 08 de maio, que “na Igreja, quem administra sacramentos deve dar espaço à graça de Deus e não criar obstáculos ‘burocráticos’”. Este foi o teor da homilia da missa presidida na Casa Santa Marta. “Quem faz evangelização é Deus”: palavra do Papa Francisco, que reafirmou esta verdade opondo-a ao excesso de burocratização que por vezes na Igreja pode impedir a aproximação das pessoas a Deus. O modelo a seguir é o Apostolo Filipe, que na leitura dos Atos dos Apóstolos, evidencia as três qualidades cristalinas de um cristão: docilidade de espírito, diálogo e confiança na graça. A primeira se destaca no momento em que o Espírito manda Filipe interromper suas atividades e ir até a carruagem na qual viajavam, de Jerusalém para Gaza, a rainha dos etíopes e o ministro. “Ele, Filipe, obedece. É dócil ao chamado do Senhor. certamente deixou de lado muitas coisas que tinha que fazer, porque naquela época, os apóstolos eram muito atarefados na evangelização. Ele deixa tudo e vai. Isto nos mostra que sem docilidade à voz de Deus, ninguém pode evangelizar, ninguém pode anunciar Jesus Cristo. No máximo, pode anunciar a si mesmo”. Para Filipe, o encontro com o ministro etíope é uma ocasião de anunciar o Evangelho, mas este anúncio não é um ensinamento que vem do alto, imposto. É um diálogo que o Apóstolo tem o escrúpulo de começar respeitando a sensibilidade espiritual de seu interlocutor, que está lendo, mas sem entender, um texto do Profeta Isaías: “Não se pode evangelizar sem diálogo, porque se começa justamente de onde é preciso evangelizar. Como é importante o diálogo. “Padre, perde tanto tempo com as estórias de todos!”. Deus perdeu mais tempo na criação do mundo, e o fez bem!. Perder tempo com a outra pessoa é importante porque é ela que Deus quer que se evangelize, que lhe seja dada a notícia de Jesus”. As palavras de Filipe despertam no ministro etíope o desejo de ser batizado, e no primeiro riacho que encontram na estrada, o Apóstolo administra o Batismo ao etíope. “Leva-o – observou o Papa – às mãos de Deus, à sua graça”. Assim, o ministro, por sua vez, será capaz de gerar a fé e “talvez isso nos ajude a entender melhor que quem faz a evangelização é Deus”. “Pensemos nestes três momentos da evangelização: a docilidade para evangelizar, fazendo o que Deus manda; o diálogo com as pessoas, partindo de onde elas estão; e o terceiro: entregar-se à graça, pois ela é mais importante do que toda a burocracia. “O que impede que?”: às vezes, na Igreja, somos uma fábrica que produz impedimentos para as pessoas chegarem à graça. Que o Senhor nos faça entender isso”, concluiu Francisco.

Estela Márcia (Adaptações)



 





sábado, 10 de maio de 2014

Pelo dia das Mães! (11 de Maio de 2014)


Obrigada Li! Obrigada Ju! Obrigada filhas! Vocês sempre me surpreendem!
Quero agradecer a Deus por ter me concedido a alegria de ter duas filhas maravilhosas...
Mas quero e preciso agradecer também pela Mãe que Ele me concedeu, e que me ensinou a ser mãe nas grandes e nas pequenas coisas.
Saibam meninas...
Vocês são os dois grandes presentes que Deus que concedeu para amar e cuidar!
Vocês são o complemento de tudo aquilo que Deus queria me conceder, pois são diferentes, mas se completam, e completam o coração e a vida da mamãe!
Que bom, filhas! Vocês são diferentes na personalidade, nas escolhas, ... mas são iguais no amor que dispensam à família, no valor que dão à vida e na fé que têm em Deus!
Vocês são as riquezas que mesmo sem compreender, um dia, na juventude, eu havia pedido a Deus!
Vocês, Li e Ju, são especiais naquilo que cada uma recebeu com "dom" de Deus, mas especialmente, no jeito carinhoso e cuidadoso de preservar o amor e a obediência filial!
Vocês são as minhas meninas, e me fazem mais mãe, quando me permitem dar os "conselhos" para as suas decisões, participar de suas escolhas, ou quando pedem as "receitinhas"... - de cozinha... de uma aula... seja de português ou de história... rsrsrs!
O dia que estamos comemorando é o dia que celebramos sempre, todos os dias, porque vocês jamais esquecem que são filhas. Muito obrigada as duas e a cada uma!
Obrigada meninas por vocês existirem! Vocês são o motivo do meu agradecimento a DEUS neste dia!
Obrigada Senhor pelo dom da maternidade, e com ele, a Vossa Sabedoria para executar tamanha tarefa!
Obrigada Senhor, por dar razão a minha maternidade, e com ela, dar-me a oportunidade de contribuir com a vossa Criação!
Obrigada Senhor, por fazer com que a maternidade de cada filha levasse-me ao desejo de estar mais próxima de Vós!
Obrigada Senhor por ensinar-me a ser Mãe, mesmo quando, ainda jovem, o sonho era mais cristalino do que a realidade!
Obrigada Senhor por conduzir cada gestação, cada acompanhamento infantil, cada adolescência e juventude de minhas filhas com a grandeza do amor que só de Vós poderia ter recebido!
Obrigada Senhor pela vida de cada uma delas, Lizza Marcia e Jullia Márcia, e pelo momento da vida de cada uma delas, abençoada em cada 'Deus te abençoe' que profiro em Vosso Nome!
Obrigada Senhor por poder ser Mãe e ser filha!
Obrigada Senhor por ser filha da Dona Leny - in memorian, nossa nova intercessora!
Obrigada Senhor pelos conselhos que a instruiu na formação humana e cristã de cada um de nós, seus filhos!
Obrigada Senhor por ter nos concedido uma 'mestra' da paz e da concórdia em família!
Obrigada Senhor por nos permitir aprender com ela que a vida só tem sentido se a Vossa Graça conduzir!
Obrigada Senhor por ter aprendido com ela a ser Mãe!
Acolhei a sua alma orante na eternidade, Senhor!
Acolhei a sua oração por todos nós que a amamos, ainda neste mundo!
E acolhei, Senhor, todas as Mães do mundo inteiro: as idosas e as jovens, as felizes e as sofridas, as realizadas e as por se realizarem, as mães biológicas ou do coração, as mães espirituais e as mães fraternais, a fim de que, pautando as suas vidas na Vossa Graça, possamos todas nós, sermos a réplica de Vosso Amor para nossos filhos e para o mundo inteiro!
Bendito Sois Senhor, pela vida de todas as Mães!
Glorificado Sejas Senhor, por fazer-nos participantes do Vosso Amor!
Tudo isso Vos entrego e peço sob o olhar da Virgem Maria, Mãe de todas as mães - Vossa Filha, Mãe e Esposa! AMÉM!

Estela Márcia (Maio de 2014)

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 6 de maio de 2014

“O testemunho cristão é fundamental”, diz Papa Francisco (06.05.2014)


 “Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei: 51 “Homens de cabeça dura, insensíveis e incir­cuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós! 52 A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do Justo, do qual, agora, vós vos tor­nastes traidores e assassinos. 53 Vós recebestes a Lei, por meio de anjos, e não a observastes!” 54 Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para a céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56 E disse: “Estou vendo o céu aberto, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. 57 Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estêvão; 58 arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59 Enquanto o apedrejavam, Estêvão clamou dizendo: “Senhor Jesus, acolhe o meu espírito”. 60 Dobrando os joelhos, gritou com voz forte: “Senhor, não os condenes por este pecado”. E, ao dizer isto, morreu. 8,1ª Saulo era um dos que aprovavam a execução de Estêvão. (At 7,51-8,1a)

Como todas as manhãs, o Papa Francisco celebrou a Missa na capela da Casa Santa Marta. A homilia do Pontífice foi inspirada no martírio de Santo Estevão, narrado nos Atos dos Apóstolos. Francisco comentou o caminho que levou o primeiro mártir da Igreja à morte. Também ele, como Jesus, explicou o Papa, encontrou “o ciúme dos dirigentes que queriam” eliminá-lo, sofrendo falsas acusações e juízos apressados. “Mas aquelas pessoas não estavam tranquilas, não havia paz em seus corações. Havia ódio que foi semeado pelo demônio.” Por outro lado, prosseguiu o Pontífice, Jesus já dizia que é bem-aventurado aquele dá a sua vida por Ele. Eis porquê “o demônio não pode ver a santidade de uma Igreja ou a santidade de uma pessoa sem causar problemas. É o que aconteceu com Estevão, que morreu como Jesus, isto é, perdoando. Martírio é a tradução da palavra grega que significa também testemunho. E assim podemos dizer que, para um cristão, o caminho é percorrer as pegadas desse testemunho, seguir o rastro de Jesus para testemunhá-Lo e, muitas vezes, este testemunho acaba dando a vida. Não se pode entender um cristão que não seja testemunha. Nós não somos uma ‘religião’ de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e oferece testemunho. Depois da morte de Estevão - lê-se nos Atos dos Apóstolos – “desencadeou-se uma grande perseguição contra a Igreja que estava em Jerusalém”. Essas pessoas, observou Francisco, se sentiam fortes, impulsionados pelo demônio. Assim, os cristãos se dispersaram pelas regiões da Judeia e da Samaria. Mas a perseguição, comentou o Papa, fez com que essas pessoas fossem para longe e explicassem o Evangelho, dando testemunho de Jesus. Deste modo, teve início a missão da Igreja. Muitas pessoas se converteram ouvindo os cristãos. Francisco citou um dos Pais da Igreja, que dizia: “O sangue dos mártires é semente de cristãos”. Com o seu testemunho, pregam a fé: O testemunho, seja na vida cotidiana, com algumas dificuldades, seja na perseguição, com a morte, é sempre fecundo. A Igreja é fértil e mãe quando testemunha Jesus Cristo. Ao invés, quando a Igreja se fecha em si mesma, acredita ser – digamos assim – uma ‘universidade da religião’, com muitas boas ideias, belos templos, belos museus, mas que não testemunha, se torna estéril. E o mesmo acontece com o cristão. Estevão, prosseguiu o Papa, do“estava repleto Espírito Santo”. E advertiu que “não se pode dar testemunho sem a presença do Espírito Santo em nós”. “Nos momentos difíceis – quando devemos escolher a estrada correta, quando devemos dizer ‘não’ a tantas coisas que tentam nos seduzir – devemos recorrer ao Espírito Santo, e Ele nos faz fortes para percorrer o caminho do testemunho”: E hoje, pensando nesses esses dois ícones – Estevão, que morre, e os cristãos que fogem da perseguição violenta– devemos nos questionar: como é o meu testemunho? Sou um cristão testemunha de Jesus ou sou um simples numerário desta seita? Sou fecundo porque dou testemunho, ou sou estéril porque não sou capaz de deixar que o Espírito Santo me leve avante na minha vocação cristã?

Estela Márcia - adaptações




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Que os cristãos se libertem da vaidade, da sede de poder e dinheiro”, diz Papa Francisco (05.05.2014)


“Depois que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o mar. 22No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos. 3Entretanto, tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças. 24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. (Jo 6,22-29)

Meditando o evangelho do dia, Papa Francisco faz três advertências aos cristãos, a primeira quanto à vaidade e a segunda, quanto ao poder e a terceira, quanto ao dinheiro, frente aos trabalhos na Igreja. “Na Igreja, existem pessoas que seguem Jesus por vaidade, sede de poder ou dinheiro” (palavras de Francisco na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta). Em sua homilia, o Papa se inspirou no Evangelho do dia, em que Jesus repreende a multidão por procurá-lo somente porque se saciou depois da multiplicação dos pães e dos peixes. O Papa faz a mesma reflexão aos fiéis, questionando se seguimos Cristo por amor ou por alguma vantagem. O próprio Jesus identifica três atitudes que não são positivas ao buscar Deus. A primeira delas é a vaidade, em especial a dos “dirigentes” que faziam esmolas ou jejuavam para aparecer, como pavões: “Esses dirigentes queriam aparecer, eles gostavam – para dizer a palavra justa – de envaidecer-se como verdadeiros pavões! Eram assim. E Jesus diz: ‘Não, isto não é bom. A vaidade não faz bem’. E algumas vezes, nós fazemos coisas tentando aparecer um pouco, buscando a vaidade. A vaidade é perigosa, pois logo nos faz cair no orgulho, na soberba, tudo acaba ali. E me faço a pergunta: como eu sigo Jesus? As coisas boas que faço, as faço escondidas ou gosto de aparecer?”. O Papa prosseguiu dizendo que pensa também nos pastores, porque “um pastor que é vaidoso não faz bem ao povo de Deus”: pode ser padre ou bispo, mas não segue Jesus se gosta da vaidade. Jesus também repreende a multidão por outra atitude: o poder. “Alguns seguem Jesus um pouco buscando o poder, mas não completamente cientes, um pouco inconscientemente, não? O caso mais evidente é João e Tiago, os filhos de Zebedeu, que pediam a Jesus a graça de ser primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro na vinda do Reino. E na Igreja existem os que fazem escaladas. Quem quiser, que vá ao Norte e faça alpinismo: é mais saudável! Mas não venham na Igreja para fazer carreira! E Jesus repreende esses escaladores que buscam o poder”. “Os discípulos mudam somente com a vinda do Espírito Santo”, observou o Papa, acrescentando que o pecado na nossa vida cristã permanece e nos fará bem fazer a seguinte pergunta: "como eu sigo Jesus? Somente por Ele, até a Cruz, ou busco o poder e uso a Igreja, a comunidade cristã, a paróquia, a diocese para ter um pouco de poder?". "A terceira coisa que nos afasta da retidão das intenções é o dinheiro": “Os que segue Jesus por dinheiro, com o dinheiro, tentam se aproveitar economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio... Pensemos na primeira comunidade cristã, que teve esta tentação: Simão, Ananias e Safira … Esta tentação houve desde o início, e conhecemos tantos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores da Igreja, inclusive com várias honorificências... tantos! Que depois se descobriu que fizeram negociações um pouco obscuras: se revelaram negociantes e ganharam dinheiro! Apresentavam-se como benfeitores da Igreja, mas ganhavam dinheiro e nem sempre dinheiro limpo”. Papa Francisco então concluiu pedindo que o Espírito Santo nos dê a graça de caminhar atrás do Senhor com a retidão de intenções: somente por Ele. "Sem vaidade, sem ambição de poder e de dinheiro."

Estela Márcia - Adaptações


A 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil em Aparecida (6º dia.05.05.2014)


Os trabalhos da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil em Aparecida, iniciam nesta segunda-feira com a celebração da missa no Santuário Nacional presidida por Dom Francisco Biasin, Bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda, que tem como celebrantes principais os bispos de dioceses de bispos falecidos no último ano. Na primeira seção de trabalhos, após a missa, os participantes da Assembleia Geral seguem para o auditório Padre Noé Sotillo, no subsolo do Santuário Nacional, para um encontro reservado. Por volta das 11 da manhã, serão retomadas as atividades no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, onde está o plenário da Assembleia. A temática principal desta manhã é a Questão Agrária. Esse tema já foi discutido nos dias passados centralizado no texto “A Igreja e a questão agrária no início do século 21”. O tema central da Assembleia Geral “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, retorna na parte da tarde.

Neste final de semana os bispos participaram do retiro pregado pelo Arcebispo de Chieti-Vasto (Itália), Dom Bruno Forte. Tema das reflexões “Caminhando na Fé”. O retiro se encerrou ontem às 12h30. Ainda na manhã deste domingo os bispos participaram da missa de ação de graças no Santuário Nacional pela canonização de José de Anchieta.

Os bispos reunidos em Aparecida enviaram neste final de semana uma mensagem ao Papa Francisco na qual afirmam que os Bispos do Brasil estão reunidos em Aparecida sob o manto da Mãe de Jesus, na Casa de Maria, que o Santo Padre conhece bem.

Na mensagem os bispos destacam que “apesar dos muitos problemas que cada irmão enfrenta, nossa Assembleia é marcada por um clima de esperança e de alegria. Nossa alegria deve-se tanto à consciência da presença do Ressuscitado entre nós como à certeza de que nos encontramos com irmãos atentos às histórias e desafios que trazemos no coração. Assim, o peso das responsabilidades de cada um é repartido entre todos”.

Em seguida o agradecimento pela oportunidade da presença do Santo Padre, “entre nós” durante a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, em julho passado, e o testemunho “de quanto o nosso país e, particularmente, nossos jovens lhe são gratos por isso. Todos se sentiram confortados com sua presença no meio de nós, com suas palavras e gestos. Nossos jovens recordam com carinho o que viram, ouviram e viveram. Com a simplicidade que os caracteriza, constatam que o Papa "roubou" o seu coração.

Um agradecimento também ao Papa Francisco pela recente canonização do Padre José de Anchieta, "o Apóstolo do Brasil" acrescentando que “nós, apóstolos de hoje, temos muito que aprender com esse irmão que veio para o Brasil, não em busca de ouro ou fama, mas para trazer aos que aqui moravam o que ele tinha de mais precioso: a fé em Jesus Cristo, o Salvador. Recordação ainda Santa Missa celebrada em Roma, no dia 24 de abril passado, na Igreja de Santo Inácio, quando Francisco, com muitos brasileiros, rendeu graças a Deus por essa canonização e o anúncio de uma celebração no Santuário da Mãe Aparecida, neste domingo, também em ação de graças pela canonização de Anchieta.

Na conclusão o lembrete do tema dessa Assembleia, a Paróquia - comunidade de comunidades e a importância da Exortação Apostólica de Francisco Evangelii Gaudium que têm iluminado os estudos dos bispos sobre esse assunto. Enfim, ao bispos pedem uma bênção à Assembleia, às dioceses paróquias e famílias. “Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por seu ministério!”

Um dos últimos temas discutidos em plenário na última semana foi sobre a situação dos povos indígenas; Dom Erwin Kräutler, Presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), fez uma reflexão aos bispos.

“A situação indígena é uma questão crucial no Brasil” disse o prelado presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Erwin Krautler, apresentou o assunto aos participantes da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, na tarde desta sexta-feira, 2 de maio, em Aparecida (SP). Antes, na coletiva de imprensa, o bispo conversou com os jornalistas sobre o assunto.
De acordo com dom Erwin, a demora na demarcação de terras indígenas é um desrespeito à Constituição. “A Constituição de 1988 determinou um prazo de quinze anos para esta demarcação em todo o território nacional. Nem a metade destas áreas foram ainda demarcadas. Muitas estão em processo ou engavetadas. Este é o motivo das hostilidades entre os que ocupam ilegalmente estas áreas e os povos indígenas”, disse.

O presidente do Cimi explicou que não se pode acusar os agricultores, já que a grande maioria deles foi assentada em áreas indígenas pelo Estado. “O governo nada ou pouco faz para dirimir esse conflito. É algo sério e está acontecendo muito derramamento de sangue”, alertou. Por este motivo, ele considera que a demarcação de terras indígenas deve ser feita em caráter de urgência. A Rádio Vaticano conversou com Dom Erwin sobre o assunto...

Uma nota triste que chegou à Assembleia em Aparecida foi a do falecimento na noite de sexta-feira última, do bispo emérito da Cidade de Goiás, Dom Tomás Balduíno, aos 91 anos de idade. Ele estava internado há vários dias em tratamento de complicações cardíacas e de um câncer. “Este nosso irmão agora realiza o seu encontro com o Pai e agradecemos a Deus pelo dom de sua vida”, declarou Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo emérito de Manaus na sua homilia sábado de manhã. (De Aparecida, Silvonei José)
Fotos - Estela Márcia






"Escrituras e Eucaristia indispensáveis no encontro com o Senhor", diz Papa Francisco (04.05.2014)


“13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso o para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.” (Lc 24,13-35)

O Papa Francisco rezou a Oração do Regina Coeli na manhã deste 3º Domingo de Páscoa, junto a milhares de peregrinos que lotavam a Praça São Pedro e adjacências. Da janela do apartamento Pontifício, o Santo Padre refletiu sobre a passagem dos discípulos de Emaús, da Liturgia do dia, onde o “partir o pão torna-se o novo sinal da presença de Jesus”. “Palavra de Deus e Eucaristia, nos enchem de alegria”, afirmou. Após a reflexão e a oração do Regina Coeli, o Papa recordou a “grave” situação vivida na Ucrânia e as milhares de vítimas de um deslizamento de terra no Afeganistão. A reflexão de Francisco foi inspirada no Evangelho do dia, onde “dois discípulos de Jesus, após a sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e retornam tristes e abatidos, em direção ao povoado, chamado Emaús”. Eles não reconhecem Jesus ao longo do caminho, que inicialmente, então, os ajudam a entender que “a paixão e a morte do Messias estava prevista no plano de Deus e eram pré-anunciadas nas Sagradas Escrituras”. E assim “reascende um fogo de esperança nos seus corações”. Movidos por uma extraordinária atração por Jesus, os discípulos o convidam para permanecer com eles naquela noite. E quando Jesus está à mesa, “abençoa o pão e o parte, eles o reconhecem, mas ele desaparece de suas vistas, deixando-os plenos de estupor. Após terem sido iluminados pela Palavra, haviam reconhecido Jesus ressuscitado no partir o pão, novo sinal de sua presença”: “O caminho de Emaús torna-se assim o símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis no encontro com o Senhor. Também nós vamos frequentemente à Missa dominical com nossas preocupações, as nossas dificuldades e desilusões .... A vida, às vezes, nos fere e nós vamos embora tristes, em direção à nossa ‘Emaús”, virando as costas ao plano de Deus. Mas nos acolhe a Liturgia da palavra: Jesus nos explica as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança”. Após, Francisco reiterou a importância da Palavra e Deus e da Eucaristia: “Palavra de Deus-Eucaristia. Ler cada dia 1 trecho do Evangelho. Recordem bem! Cada dia um trecho do Evangelho. E no domingo comungar, receber Jesus. Assim aconteceu com os discípulos de Emaús. Acolheram a palavra, partilharam o pão e de tristes e derrotados – e assim se sentiam -, tornaram-se alegres. Sempre, caros irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia nos alegram”. O Santo Padre observou que “na Liturgia Eucarística, Jesus se dá a nós, no Pão da vida eterna. A Missa, presença viva de Jesus ressuscitado – uma presença que se expressa na Palavra e na Liturgia – nos ilumina e nos conduz em direção à Jerusalém, isto é, em direção à comunidade de irmãos e a comunidade dos homens, onde se vive a partilha e a missão”. Ao concluir, o Santo Padre pede, por intercessão de Maria Santíssima, que rezemos para que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformante com o Senhor ressuscitado. “Existe sempre uma Palavra de Deus que nos dá a orientação após as nossas debandadas; e através as nossas fadigas e desilusões existe sempre um Pão partido que nos faz seguir em frente no caminho”. Ao final do tradicional encontro dominical, o Papa saudou os presentes, em especial a Associação Meter - a quem conclamou a continuar a luta contra todo o tipo de abuso a menores, dizendo um "Obrigado pelo trabalho de vocês!" -, os participantes da Caminhada pela Vida, que "neste ano tem um caráter internacional e ecumênico". Ele recordou ainda o 90° Dia Nacional para a Universidade do Sagrado Coração. "Rezo por esta grande Universidade, para que seja fiel à sua missão original, e adaptada ao mundo atual. Se Deus quiser, em breve visitarei a Faculdade de Medicina e Cirurgia e o Policlínico Gemelli, que cumpre 50 anos", afirmou. E por fim, o já tradicional "Bom almoço e até logo!".


Estela Márcia - Adaptações






"Choro pelos cristãos crucificados", diz Papa Francisco (Evangelho de 02.05.2014)


“Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9“Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” 13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.” (Jo 6,1-15)

O Papa Francisco, na manhã de sexta-feira, 02 de maio de 2014, presidindo a Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta - no Vaticano, em sua homilia, o Pontífice meditou sobre a liturgia do dia, resumindo-a em três ícones: amor de Jesus pelas pessoas, o ciúmes das autoridades religiosas da época e o padecimento em nome de Jesus. Explicando o primeiro ícone, o Papa deteve-se sobre o amor e a atenção de Jesus com as pessoas. Ele não se preocupava com a quantidade dos que o seguiam, se eram muitos ou poucos... e, por conseguinte, não se preocupava se a Igreja aumentava ou não. Ele, simplesmente, pregava, amava, rezava, acompanhava, caminhava com as pessoas, manso e humilde. A todos os que o seguiam, o Senhor falava mediante a força do amor. O segundo ícone, apresentado pelo Bispo de Roma, refere-se aos ciúmes das autoridades religiosas do seu tempo, que não toleravam que as pessoas seguissem Jesus. Eram ciumentos e invejosos. Tanto é verdade que até pagaram os guardas para dizer que os Apóstolos haviam roubado o corpo de Jesus do sepulcro. E o Papa explicou: “Ele pagaram para calar a verdade. Mas, eram perversos! Pagar para esconder a verdade consiste em uma grande perversidade. As pessoas sabiam quem eles eram e não os seguiam. Elas apenas toleravam a sua autoridade: autoridade de culto, de disciplina eclesiástica e sobre o próprio povo. Enfim, não toleravam a mansidão de Jesus, do Evangelho, do amor. Por isso, pagavam por ter inveja e ódio”. O último ícone apresentado pelo Pontífice, com base na liturgia do dia, consiste na alegria daqueles que são submetidos a ultrajes por causa do nome de Jesus. Aqui, o Papa Francisco confessou ter até chorado diante da notícia veiculada pela mídia, sobre a crucificação de cristãos em um país não-cristão, dias atrás: “Primeiro ícone: Jesus com as pessoas, o amor, o caminho que Ele nos ensinou e no qual devemos caminhar. Segundo ícone: a hipocrisia destes dirigentes religiosos do povo, que haviam aprisionado o povo com tantos mandamentos, com este legalismo frio, duro, e que também pagaram para esconder a verdade. Terceiro ícone: a alegria dos mártires cristãos, a alegria de tantos irmãos e irmãs nossos que na história experimentaram esta alegria, esta alegria de serem julgados dignos de sofrerem ultrajes por causa do nome de Jesus. E hoje existem tantos! Pensem que em alguns países, somente por carregar uma Bíblia se vai prá prisão. Tu não podes usar um crucifixo, te farão pagar uma multa. Mas o coração está alegre. Os três ícones: olhemos para eles, hoje. Faz parte da nossa história da salvação”.
Estela Márcia (Adaptações)