terça-feira, 12 de novembro de 2013

“Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo (...) porque a vida dos justos está nas mãos de Deus.”


“Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!” (Sl 33,2-3) Bendizer e louvar com a alma as maravilhas que o Senhor opera em nossas vidas, eis a grande glória oferecida pela alma e merecida por Deus para o tanto daquilo que É e que faz. Ao criar o homem, Deus o cumulou de graças inimagináveis, dando a ele uma imagem a ser cuidada. Porém, muitas vezes o próprio homem se caricaturiza diante das escolhas erradas que faz, ora por sugestão diabólica, ora por sua humanidade concupiscente. Uma e outra se traduzem nas distrações do mundo que teima em dar o prazer ao invés do sacrifício, os louros da vitória ao invés da cruz, a perdição ao invés da salvação. Deste ponto de nossa reflexão encontramos no Livro da Sabedoria as promessas e advertências de Deus: “Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem. A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos.” (Sb 2,23–3,9)

Estela Márcia

 

sábado, 9 de novembro de 2013

Celebrar a Festa da Igreja-Mãe, é celebrar a vida nova que Cristo trouxe a nós


 
Festa da DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO



Diz-nos a Igreja que segundo uma tradição que remonta ao século XII, celebra-se neste dia 9 de novembro, o “aniversário da dedicação da Basílica do Latrão, construída pelo imperador Constantino. Inicialmente foi uma festa exclusivamente da cidade de Roma; mais tarde, estendeu-se à Igreja de Rito romano, com o fim de honrar a basílica que é chamada ‘mãe e cabeça de todas as igrejas da Urbe e do Orbe’ e como sinal de amor e unidade para com a Cátedra de Pedro que, como escreveu Santo Inácio de Antioquia, ‘preside a assembleia universal da caridade’.” E ainda, A Basílica de S. João de Latrão, cuja “dedicação” ou consagração aconteceu no ano de 320, é a catedral do Papa, enquanto Bispo de Roma. Ela é a “mãe de todas as igrejas”, o símbolo das Igrejas de todo o mundo, unidas à volta do sucessor de Pedro. A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão convida-nos a tomar consciência de que a Igreja de Deus (que a Basílica de Latrão simboliza e representa) é hoje, no meio do mundo, a “morada de Deus”, o testemunho vivo da presença de Deus na caminhada histórica dos homens.
            Meditando sobre uma das leituras que celebram esta Festa Maternal da Igreja. Analisemos as riquezas que se revelam a nós a nos depararmos não apenas com o Edifício de Pedra, mas sobretudo, no Edifício Espiritual e Divino, que é o próprio Deus se fazendo presente na vida daqueles que são resgatados através do Batismo e renovados, continuamente, na Eucaristia. Edifício esse que através de seu Filho único, o Pai vê atualizada a sua entrega de Amor para remissão da humanidade pecadora. Vejamos por exemplo a Profecia de Ezequiel (Ez 47,1-2.8-9.12): “Naqueles dias, 1 o homem fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida aonde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.
            “A água que correu do lado direito”, não está sendo aqui prefigurada a água que correu do Coração Santo de Jesus e que ao desembocar no coração humano o cura, o liberta e o salva, tornando-o saudável? A restauração da vida, dando-lhe o nome de cristão, um ‘novo Cristo’ – no Batismo, no segundo nascimento; na Eucaristia, atualização e renovação da vida daqueles que foram renascidos desta água, não será a capacidade potencial do crescimento frutífero em boas obras de santidade de vida e de evangelização para conversão de novos corações para Cristo, quando o profeta nos diz: “crescerá toda espécie de árvores frutíferas (...)”. Não é o mesmo que dizer que da ‘água’ do Templo surgirá o ‘alimento’ e ‘remédio’ para as vidas por ele banhados?
            Portanto irmãos, celebrar a Festa da Igreja-Mãe, é celebrar a vida nova que Cristo trouxe a nós, e que, ao celebrarmos este momento, estamos também fazendo uma introspecção para o mais fundo de nossas almas, lugar latente da vida de Cristo em nós. Assim, torna-nos oportuno mergulharmos em nosso interior para fazermos uma ‘boa vasculhada’, daquelas que somente uma boa confissão poderá nos ajudar a completar. Oportunamente olhando para a vida interior nos perguntaríamos: Tenho me relacionado com Deus como Senhor desse templo que é a minha alma? Como tenho valorizado a presença Dele? Dialogo amorosamente com Ele diariamente? Escuto o que Ele me sugere através de seu Espírito Santo na oração ou sua Palavra? Correspondo ao seu interesse por minha vida (e dos meus), nos interesses e projetos, dando-lhe a devida obediência antes de fazer algo? Pensemos. Meditemos. E façamos algo para mudar ou aperfeiçoar aquilo que temos feito por Deus, com Deus e para Deus.
             Oremos com a Igreja: “Senhor Jesus, a quem tudo pertence, mas aceitais dos homens os presentes: um lugar santo hoje vos dedicaram, por isso nós exultamos contentes. Salve lugar, Senhor, que foi chamado Casa do Rei, porta de umbrais celestes, por onde sobe a Deus todo o seu povo, como a Escada que a Jacó vós destes! Eis o lugar, Senhor, onde os fiéis cantando acorrem neste vosso dia, para buscar na fonte a vida eterna e oferecer no altar da Eucaristia! Ó Deus, volvei a nós um rosto amigo e com carinho guardai o vosso povo, que hoje celebra o templo consagrado, cantando em vossa honra um canto novo. Louvor a vós, o Pai, e glória ao Filho, que foi na terra o templo verdadeiro, e nos mandou o Espírito divino que faz um templo vivo ao povo inteiro.” (Hino do Ofício das Leituras)
             Bom final de semana! Santo domingo e abençoada semana guiados pelas mãos de Maria Santíssima o primeiro e perfeito templo do Senhor!                                                                   
                                                                                                                                                 Estela Márcia

 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Beata Elisabete da Trindade


Elisabete Catez nasceu no acampamento militar de Avor (Bourges), em 1880.   Em 1901, entrou no Carmelo Descalço de Dijon, emitindo os votos em 1903. Passou “a luz, ao amor, à vida” da Pátria, em 9 de novembro de 1906.  Verdadeira adoradora em espírito e verdade, entre penas interiores e doenças viveu como “louvor de glória” da Santíssima Trindade presente na alma, encontrando o mistério da inabitação o seu “Céu na terra”, seu carisma e missão eclesial.
PÉTALAS DE ROSAS
1.                  Inabalável é minha confiança em tua divina Providência... Jesus, a ti me abandono por completo.
2.                  A minha alma arde e queima com a tua chama incandescente e pura; ó Espírito Santo, consome-a no teu divino amor.
3.                  Visto que é impossível impor a própria vontade aos outros sofrimentos, devo também convencer-me de que o sofrimento físico e corporal não passa dum meio, aliás precioso, para chegar à mortificação interior e ao pleno desapego de nós mesmos.
4.                  A caridade é indispensável. Reconhecemos o cristão pela caridade que ele revela.
5.                  Que alegre mistério a presença de Deus dentro de nós, nestes íntimos santuários de nossas almas, onde sempre podemos encontrá-lo, também quando experimentamos mais sensivelmente a sua presença!
6.                  Procuremos Jesus mediante a pureza de nossa fé.
7.                  Amo tanto a pureza deste mistério da Santíssima Trindade, pois é um abismo em que me perco!
8.                  Deus tem desígnios que nem sempre compreendemos, mas que devemos adorar.
9.                  O abandono, eis o que nos recomenda a Deus. Quando tudo se complica, quando o momento presente é tão doloroso e o futuro me parece mais escuro, fecho os olhos e abandono-me como uma criança no braço daquele Pai que está nos céus.
10.              Não há outro madeiro capaz, como o da cruz, de acender com grande intensidade na alma o fogo do amor!
11.              Mais do que a Eucaristia, parece-me que não há nada que nos possa dizer o amor que existe em Deus. É a união consumada, é ele em nós e nós nele.
12.              Como é lindo ser criança do bom Deus, sempre deixar que ele nos carregue, descansar no seu amor.
13.              Jesus é o meu tudo, o meu único tudo. Que alegria, que paz este pensamento proporciona a alma.
14.              A alma necessita de silêncio para adorar.
15.              O sofrimento é algo tão grande e divino! Parece-me que, se os bem-aventurados no céu pudessem invejar-nos algo, invejar-nos-iam este tesouro. É uma alavanca tão poderosa no coração do bom Deus!
16.              Jesus continua sempre vivo. Vivo no adorável sacramento do tabernáculo, vivo em nossas almas... Porque vive em nós, façamos-lhe companhia como o amigo faz com o amigo!
17.              Quanto mais damos a Deus, mais Ele se dá a nós.
18.              A vida do sacerdote, como a da carmelita, é um advento que prepara a Encarnação nas almas.
19.              Com que paz, com que recolhimento Maria se aproxima de tudo e fazia todas as coisas! Assim como as coisas mais banais eram, também, por ela divinizadas! Em tudo e por tudo, a Virgem permanecia em Adoração ao bom Deus. E isto não a impedia de prodigalizar-se extremamente, quando se tratava de exercitar a caridade.
20.              Visto que é o amor que une a alma a Deus, quanto mais intenso é o amor, mais ele entra profundamente em Deus e concentra-se Nele.
21.              A alma que quer servir a Deus noite e dia no seu templo, quero dizer o santuário interior de que fala São Paulo quando diz: “O templo de Deus é santo e esse templo sois vós”, esta alma deve estar decidida a tomar parte, realmente, na paixão de seu Mestre.
22.              A alma que vive unida a Deus não age senão sobrenaturalmente, e as ações mais corriqueiras, ao invés de separá-la Dele, aproximar-se-ão sempre mais.
23.              Oxalá soubesses como o sofrimento é necessário para que se realize em tua alma a obra de Deus!
24.              A meu ver a alma mais livre é aquela que mais esquece de si mesma. Se me perguntassem o segredo da felicidade, diria que consiste em não se preocupar mais consigo, desprendendo-o a todo momento. Eis uma boa maneira de fazer com que o orgulho morra. É como se o subjugássemos pela fome.
25.              Vivamos de amor para morrer de amor e glorificar a Deus, todo amor.
26.              Como é grande o meu desejo de reconduzir almas para Jesus! Daria a minha vida com a única finalidade de contribuir no resgate de uma daquelas almas que Jesus tanto amou.
27.              A oração é tão poderosa no coração de Deus! Rezemos com perseverança, sem desanimar, mesmo que devêssemos morrer sem sermos atendidos.
28.              O sofrimento é a escada que nos leva a Deus, ao céu.
29.              O escapulário é o emblema de Maria. A alma que o traz consigo e que, bem atendido, envida todos os esforços para salvar-se, não pode cair no inferno, pois isto é impossível.
30.              A Eucaristia é a plenitude transbordante do amor divino. Nela Jesus não nos dá apenas o seu mérito e as suas dores, mas totalmente a si mesmo.
31.              Como é maravilhoso perder-se, desaparecer em Deus! Sente-se muito bem que não se é mais que instrumento, que é Ele quem age, que é tudo.
32.              Unir, identificar a nossa vontade com a de Jesus: então somos sempre felizes, sempre contentes.
33.              No céu não podemos mais sofrer por aquele que amamos. Por isso, aproveitemos agora cada um dos nossos sofrimentos para consolar nosso Dileto.
34.              Tudo é delicioso no Carmelo: encontramos o bom Deus tanto na lavanderia como na oração. Ele se encontra por toda parte! Vivemo-lo, respiramo-lo.
35.              Não ser senão um com o bom Deus, significa possuir o céu na fé, aguardando a visão face a face.
36.              Não precisa parar diante da cruz e olhá-la como ela é; mas, recolhendo-nos na luminosidade da fé, é preciso subir mais alto e refletir que ela é o instrumento que obedece ao amor de Deus.
37.              Jesus Cristo está sempre vivo em nós, sempre operante em nossa alma. Deixemos que ela nos construa e seja a alma de nossa alma, vida de nossa vida, a fim de que possamos dizer como São Paulo: “Para mim viver é Cristo”.
38.              Compreendi que meu céu começa na terra, o céu da fé, com o sofrimento e imolação por Aquele que amo.
39.              Como é belo dar quando se ama! E eu amo tanto esse Deus que é cioso em ter-me toda para si. Sinto tanto o amor que envolve a minha alma, É um oceano no qual mergulho e me perco.
40.              Uma alma unida a Jesus é um sorriso vivo que o reflete e expande.
41.              O orgulho alimenta-se do amor-próprio. Pois bem, é preciso que o amor de Deus tão forte, para apagar todo o amor de nós mesmos.
42.              Parece-me que no céu minha missão consistirá em atrair as almas, ajudando-as a sair de si mesma para aderir a Deus, num impulso espontâneo e amoroso, e de mantê-las naquele grande silêncio interior, que permite que Deus se imprima nelas para que as transforme em si mesmo.
43.              Tu bem sabes: sem Ti nada sou; mas, se tu me alentas, Senhor, serei capaz de todo o sacrifício.
44.              No céu de nossa alma, sejamos louvores de glória da Santíssima Trindade, louvor de amor de nossa Mãe Imaculada. Um dia cairá o véu e seremos introduzidos nos templos eternos; lá cantaremos no seio do amor infinito e Deus nos dará o nome novo prometido ao vencedor.
45.              É preciso amar as almas, procurá-las com verdadeira paixão, pois a beleza é grande. Se nos fosse dado ver a beleza duma alma pura, acreditaríamos ter visto Deus.
46.              Que fascinação experimento no sofrimento, quando o aceitamos e desejamos! Que abundante fonte de mérito! Não existe um caminho mais seguro do que a cruz. O próprio Deus a escolheu.
47.              O Rosário é a corrente que nos une a Maria, Com a prática da recitação do rosário... Maria nos estende a mão. Maria dirige a nossa barquinha sobre as ondas agitadas desta vida... E temos a certeza que chegaremos ao porto da salvação eterna.
48.              Deus em mim, e eu Nele – seja este o nosso lema.
49.              Encontrei meu céu na terra, nesta querida solidão do Carmelo onde estou sozinha com Deus somente. Faço tudo com Ele e a tudo me dedico com uma alegria divina. Qualquer limpeza, qualquer trabalho ou qualquer oração. Acho tudo belo e delicioso, porque é meu mestre que vejo por toda parte.
50.              É lá, aos pés da cruz, que sentimos a confiança em Cristo. Todas as obscuridades, todos os nossos sofrimentos acabam prendendo-nos ao nosso único tudo. Purificam-nos a alma para conduzir-nos à união.
 

O evangelho do administrador infiel, sendo atualizado pelo Papa Francisco


“Naquele tempo, 1 Jesus disse aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2 Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. 3 O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4 Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. 5 Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ 6Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!” O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ 7 Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. 8 E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. (Lc 16,1-8)

O Santo Padre comentou a parábola do administrador desonesto nesta sexta-feira, falando do espírito
do mundo, do mundanismo, de como este mundanismo age e de como é perigoso. De fato, Jesus rezou ao Pai para que seus discípulos não caíssem no mundanismo, nas mãos do inimigo. Diz o Papa que quando pensamos em inimigo, pensamos logo no demônio, porque é precisamente ele a causa do mal. A atmosfera do mundanismo agrada muito ao demônio. E o administrador desonesto da parábola é um verdadeiro exemplo de mundanismo. Mas, o patrão elogia a sua esperteza, disse o Papa: “È bem assim: este é um louvor à propina. Este é um costume de propina, um costume mundano e altamente pecador. Porém, se trata de um costume que não vem de Deus. Deus nos pede para levar o pão para casa com o suor do nosso trabalho honesto”. Afirma ainda que este homem administrador da Liturgia de hoje levava o pão para casa. Mas, como? Ele dava de comer “pão sujo” aos seus filhos. Ele havia perdido a sua dignidade; cometeu um grave pecado. Desta forma, afirmou o Bispo de Roma, o costume de propinas torna-se uma dependência, uma esperteza mundana. E concluiu com uma exortação: “Hoje, seria bom que todos nós pudéssemos rezar pelas inúmeras crianças e jovens que recebem “pão sujo” de seus pais. Eles são famintos de dignidade! Rezemos para que o Senhor mude os corações de tais devotos da deusa propina e percebam que a dignidade vem do trabalho digno e honesto”. E concluiu: “Esta pobre gente, que perdeu a dignidade com a prática das propinas, leva consigo, não apenas o dinheiro ganho, mas a falta de dignidade. Rezemos por eles!

Estela Márcia (adaptação)

domingo, 3 de novembro de 2013

Quem são os Santos?


 
            Quem são os Santos? Pergunta a minha’lma, e ela mesma responde ao Seu Deus:
            Os Santos são todos aqueles que venceram a tribulação (Ap 7,14) e se encontram hoje na presença do Senhor.
           São aqueles que vivem da vitória da carne e do mundo alcançada aqui na terra.
           São aqueles que viveram de amor, porque compreenderam o Amor com que Deus lhe dispensara.
           São aqueles que com esse Amor aprenderam a se doar ao seu chamado, aos seus irmãos e sobretudo ao seu Senhor.
           São aqueles que descobriram no amor a chave do perdão.
           São aqueles que fizeram do perdão o caminho mais curto para morrer para si em função do bem do outro.
           São aqueles que descobriram o caminho da ascese – que consiste na prática da renúncia do prazer ou mesmo a não satisfação de algumas necessidades primárias, com o fim de atingir determinados fins espirituais - que leva a santidade.
           São aqueles que se venceram, deixando de lado o seu querer e as suas vontades para fazerem a vontade do Pai.
           São aqueles que experimentaram o sofrimento como meio de oferecimento pelos pecadores e agradecimento pelos sofrimentos da Cruz de seu Senhor.
           São aqueles que renunciaram a tudo por amor a Cruz de Jesus e através dela encontraram o seu único e eterno prazer, com Jesus, salvar almas.
           Mas os Santos não foram homens e mulheres que não pecaram, simplesmente foram aqueles que aprenderam a pedir perdão a Deus.
           Que este dia seja para nós e para Deus, dia de reflexão de nossa missão e ainda, um profundo exame de consciência de nossa peregrinação neste mundo.
           Bom domingo com a graça de Deus e de N.Sra., e a intercessão de todos os Santos!
           Santos e Santas de Deus, rogai por nós!
Estela Márcia
 

 

sábado, 2 de novembro de 2013

FINADOS - Comemoração dos fiéis defuntos

Ressurreição e vida nossa,
Cristo, esperança do perdão,
quando nos fere a dor da morte,
a vós se volta o coração.

Também na cruz a grande angústia
da morte humana vós provastes
quando, inclinando a vossa fronte,
ao Pai o espírito entregastes.   

Ó Bom Pastor, em vossos ombros
vós carregastes nossa dor.
Destes a nós morrer convosco
do Pai no seio acolhedor.

Braços abertos, vós pendestes,
e vosso peito transpassado
atrai a si os que carregam
da morte o fardo tão pesado.

Quebrando as portas dos infernos,
do céu o Reino nos abris;
dai força agora aos sofredores,
dai-lhes enfim vida feliz.

Os nossos irmãos, que nos seus corpos
dormem na paz do vosso amor,
por vós estejam vigilantes
para entoar vosso louvor.
(Hino das Laudes)
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A fé eucarística da Igreja


 
            Vivemos num tempo em que somos chamados a crescer na fé para podermos combater um secularismo desenfreado que teima em retirar do homem a presença de Deus. O Ano da Fé, que se encerra neste mês de novembro de 2013, foi um chamado do então Papa Bento XVI, a todos os cristãos católicos para meditarem e crescerem na sua fé. Baseando-nos na proposta que temos frente à liturgia da missa nesta coluna, gostaria de refletir a respeito de uma Exortação Apostólica do próprio Bento XVI, que trata da Eucaristia como “Sacramento do Amor”. (SACRAMENTUM CARITATIS, I Parte, §6.Fev.2007)
             Em sua inspiração pós-sinodal de fevereiro de 2007, o Papa nos chama a refletir sobre o mistério da fé eucarística que precisa ser acreditada, celebrada e vivida pela Igreja. Na consistência de seu documento, ele nos convida a centralidade da fé da Igreja que encontra o seu ápice – ponto mais alto, na fé eucarística. E nos diz: “A fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia”. Portanto, torna-se impossível a nós cristãos, católicos, desejarmos algo maior do que a participação na Eucaristia para crescermos no encontro com o Ressuscitado. E a consequência imediata deste encontro se dá na vida pessoal, familiar e comunitária, particularizada por uma força ainda maior na vida de fé, bem como, para enfrentar os inúmeros desafios que batem a nossa porta. Como dizíamos no início, os apelos seculares tendem a esfriar a essência do homem. Este por sua vez, corre o risco de perder-se na busca de soluções que vem de encontro com os seus próprios limites. É aí, neste momento que o cristão necessita estar em contínua renovação de sua fé. “A fé exprime-se no rito e este revigora e fortifica a fé». Afinal, a fé que se renova, fortifica-se e renova o homem por inteiro, pois o faz transcender da razão, e o reconduz as suas origens, explicadas unicamente em Deus.
              Afirmamos com a Igreja que este retorno acontece e se torna possível, se esta estiver sendo renovada e atualizada continuamente diante da participação eucarística. Confirma Bento XVI: “Por isso, o sacramento do altar está sempre no centro da vida eclesial; ‘graças à Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo!’ Quanto mais viva for a fé eucarística no povo de Deus, tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial por meio duma adesão convicta à missão que Cristo confiou aos seus discípulos”. Assim, peçamos a Deus que estejamos atentos ao “Mistério da fé!” proclamado em cada celebração eucarística, e assim podermos dar testemunho de força e vitalidade, de esperança e amor a Deus e aos irmãos. E que, com a Virgem Maria, modelo de fé e amor, possamos aprender a viver mais e melhor o Mistério de Jesus Cristo que se doa por nós no altar a cada Santa Missa.
              Que Deus e N.Sra. nos abençoe!
Estela Márcia