domingo, 27 de outubro de 2013

Bento XVI fez Teologia "de joelhos", seus livros despertam a fé (Papa Francisco)


Os livros sobre Jesus escritos por Bento XVI permitiram descobrir ou reforçar a fé em muitas pessoas e abriu uma nova estação de estudos sobre o Evangelho. Foi a consideração central expressa este sábado pelo Papa Francisco, que condecorou dois teólogos – um inglês e um alemão – com o "Prêmio Ratzinger". Promovido pela Fundação Vaticana "Joseph Ratzinger-Bento XVI", o Prêmio este ano chega à sua terceira edição. Não há dúvida que fizeram bem a muitos, quer estudiosos ou pessoas simples, próximos ou distantes de Cristo. Esse é o resultado dos três livros sobre Jesus de Nazaré, escritos por Bento XVI entre 2007 e 2012, e em geral o bem feito por sua sabedoria teológica, antes fruto de oração que de empenho intelectual.
            Francisco reconheceu isso e o celebrou publicamente no dia e no contexto mais apropriados, junto a dois teólogos – o inglês Richard Burridge e o alemão Christian Schaller – que receberam das mãos do Pontífice o Prêmio dedicado ao Papa emérito.

           A entrega do chamado "Nobel da Teologia – como desde a sua instituição, em 2010, é considerado o Prêmio Ratzinger –, ofereceu ao Santo Padre a ocasião para uma reflexão pessoal sobre o valor da trilogia escrita por Bento XVI-Joseph Ratzinger.
           Recordando a admiração de alguns diante de textos que não eram exatamente do magistério ordinário, o Papa Francisco observou:
           "Certamente o Papa Bento se interrogou sobre a questão, mas também nesse caso, como sempre, ele seguiu a voz do Senhor em sua consciência iluminada. Com esses livros ele não fez um magistério em sentido próprio, e não fez um estudo acadêmico. Ofereceu à Igreja e a todos os homens o que tinha de mais precioso: seu conhecimento acerca de Jesus, fruto de anos e anos de estudo, de aprofundamento teológico e de oração – porque Bento XVI fazia teologia de joelhos, e todos sabemos disso –, e colocou esse conhecimento à disposição na forma mais acessível."
           "Todos nós temos uma certa percepção, por ter ouvido muitas pessoas que graças aos livros sobre Jesus de Nazaré alimentaram a sua fé, a aprofundaram, ou até mesmo pela primeira vez se aproximaram de Jesus de modo adulto, conjugando as exigências da razão com as da busca do rosto de Deus. Francisco parabenizou os vencedores do Prêmio Ratzinger 2013, e o fez também em nome de Bento XVI – com o qual disse ter-se encontrado "quatro dias atrás" –, despedindo-se deles com as seguintes palavras: "O Senhor abençoe sempre vocês e seu trabalho a serviço de Seu Reino".

“É a humildade de tua vida que o faz abaixar a Ti” (Santa Teresinha)


Iniciamos com o pensamento de tão humilde santinha para compreendermos o que Deus quer nos falar: “É a humildade de tua vida que o faz abaixar a Ti”. Na reflexão desta manhã, penso ser pertinente meditarmos na humildade cristã a ser trabalhada em nós por Deus, e ainda, pela busca desta virtude que passa também pela consciência humana e por um exercício contínuo de oração. Oração que precisa ser humilde e sincera, jamais vaidosa e mentirosa. A Liturgia da Missa é sempre a facilitadora desta busca que precisa começar no desejo do fiel de crescer no caminho das variadas virtudes.
           Amplio um pouco mais a ideia para nos questionarmos, o que dizer de nossas práticas diárias de oração? Como nos colocamos diante de Deus em oração, reconhecendo sinceramente o que somos e o que temos feito? As nossas práticas têm sido fruto de nossa oração ou de nossa autossuficiência? Como estamos colocando em prática os ensinamentos evangélicos que superabundam nas Sagradas Escrituras, bem como na doutrina fiel e maternal da Igreja?
          Vemos no Evangelho de São Lucas no capítulo 18 deste 30º Domingo, a conhecida parábola do fariseu e o cobrador de impostos, que segundo as Escrituras, colocaram-se diante de Deus no templo para a oração. O primeiro, tomado de extrema soberba, ora como quem já está plenamente perfeito e salvo. O segundo, na sua fragilidade e reconhecimento dos seus pecados, ora como quem necessita da Graça Divina para ser salvo, sabendo que diante de suas fraquezas humanas e diante do pecado jamais seria salvo, mas ao contrário, contando com a força de Deus clama por piedade.
           Rejeitamos de imediato o fariseu, e acolhemos o publicano. Mas usando em nossas vidas os exemplos desta parábola, percebemos que conosco também poderá está acontecendo algo semelhante. E o Senhor quer nos alertar, como fez com seus discípulos que não podemos nos valer daquilo que fazemos para Deus e/ou para os nossos irmãos, ou ainda para a Igreja, esquecendo-nos que as práticas precisam ser, antes de tudo, o reflexo de uma vida interior comprometida com a verdade. Porém, isso só se alcançará diante da entrega do coração, que acontece num contínuo trabalho de oração, que terá como fruto a humildade. Humildade que nasce de um interior compungido, examinado e penitenciado pela profunda oração.
           Oração e humildade. Humildade e oração. Uma é consequência da outra. Elas nos remetem ainda, a uma máxima de Jesus aos seus discípulos no sermão da montanha em Lucas 6,45b, onde ensinava a serem bem-aventurados e felizes pelas boas práticas, mas que partiria do interior de cada um, ou seja, a felicidade teria seu início no coração. E dizia: “... a boca fala daquilo que o coração está cheio.” Isso nos vale, e muito, se queremos ser agradáveis a Deus precisamos rezar como quem confia no seu Poder e Misericórdia, mas de forma humilde como quem espera unicamente em Deus. Jamais devemos confiar nas próprias convicções apenas. Assim fazendo desfrutaremos do seu perdão, de seu amor e da verdadeira felicidade por ele proposta, precisamos continuamente nos recolher e nos examinar através de uma vida de oração comprometida.
           Refém desta realidade, recorremos a Santa Teresinha quando diz: “Foi a humildade de Maria que atraiu o divino Rei. É a humildade de tua vida que o faz abaixar a Ti.” Que Deus e Nossa Senhora nos ensinem a ser humilde para reconhecer verdadeiramente quem somos e o que precisamos.
           Bom domingo e abençoada semana!
Estela Márcia

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Memória de N.S. do Rosário, mistério de amor e fé



Esta comemoração foi instituída pelo Papa São Pio V no aniversário da vitória obtida pelos cristãos na batalha naval de Lepanto e atribuída ao auxílio da Santa Mãe de Deus, invocada com a oração do Rosário(1571). A celebração deste dia é um convite a todos os fiéis para que meditemos mistérios de Cristo, em companhia da Virgem Maria, que foi associada de modo muito especial à Encarnação,à Paixão e à Ressurreição do Filho de Deus.
            O Ofício das Leituras traz neste dia as riquezas de São Bernardo que nos diz sobre a Senhora do Rosário: “É preciso meditar sobre os mistérios da salvação”.
            Sim através do Rosário experimentamos as riquezas da salvação, pois meditamos a encarnação, nascimento, vida, morte, ressurreição e glorificação de nosso Senhor Jesus Cristo. É um verdadeiro mergulho nos mistérios de nosso chamado. É a intensa experiência de céu aqui na terra, pois com o silêncio da oração, crescemos na contemplação.
            A mística do Rosário traz-nos a docilidade do Espírito Santo, de quem ela, a Virgem, está cheia, está plena, e nos plenifica. É uma verdadeira efusão. Nos transfiguramos em outro Cristo, após a meditação e contemplação dos mistérios. Nos tornamos para o Pai, o Filho que Ele contempla do Céu, e do Céu derramada as suas Graças. Em nossas almas a semelhança que temos com a Trindade torna-se esculpida com a humildade e simplicidade, doação e amor, obediência e beleza que fez de Maria a escolhida para dar a luz ao Salvador.
           Com São Bernardo meditamos as riquezas da Escrituras a nos revelar tamanho Mistério de Amor e Fé, Entrega e Pureza do Filho no ventre de sua Mãe: “O santo, que nascer de ti, será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1,35), fonte de sabedoria, o Verbo do Pai nas alturas! Este Verbo, através de ti, Virgem santa, se fará carne, de modo que aquele que diz: Eu no Pai e o Pai em mim (Jo 10,38), dirá também: Eu saí do Pai e vim (Jo 16,28). No princípio, diz João, era o Verbo. Já borbulha a fonte, mas por enquanto apenas em si mesma. Depois, e o Verbo era com Deus (Jo 1,1), habitando na luz inacessível. O Senhor dizia anteriormente: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição (cf. Jr 29,11). Mas teu pensamento está dentro de ti, ó Deus, e não sabemos o que pensas; pois quem conheceu a mente do Senhor ou quem foi seu conselheiro? (cf. Rm 11,34). Desceu, por isto, o pensamento da paz para a obra da paz: O Verbo se fez carne e já habita em nós (Jo 1,14). Habita totalmente pela fé em nossos corações, habita em nossa memória, habita no pensamento e chega a descer até a imaginação. Que poderia antes o homem pensar sobre Deus, a não ser talvez fabricando um ídolo no coração? Era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado. De que modo, perguntas? Por certo, reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em oração; ou pendente da cruz, pálido na morte, livre entre os mortos e dominando o inferno; ou ainda ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo ao mais alto do céu. O que não se poderá pensar verdadeira, piedosa e santamente disto tudo? Se penso algo destas realidades, penso em Deus e em tudo ele é o meu Deus. Meditar assim, considero sabedoria, e tenho por prudência renovar a lembrança da suavidade que, em essência tão preciosa, a descendência sacerdotal produziu copiosamente, e que, haurindo do alto, Maria trouxe para nós em profusão.” (Dos Sermões de São Bernardo, abade - Séc.XII)
            Rezemos com a Igreja a nossa Mãe que conosco tem vencido lutas e batalhas diárias, mas que sobretudo, nos têm ensinado a viver para Deus. “Não há quem seja semelhante a vós, Virgem Maria,
entre as filhas de Sião. Sois a Mãe do Rei dos reis, sois dos anjos a Senhora e dos céus sois a Rainha. Sois bendita entre todas as mulheres desta terra e bendito é o fruto que nasceu de vosso ventre! Maria, alegrai-vos, ó cheia de graça, o Senhor é convosco”.
           Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do Cristo vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Com a Igreja, Estela Márcia
 

domingo, 6 de outubro de 2013

A piedade eucarística é possibilitada pelo silêncio na liturgia

           
 
             Irmãos, precisamos compreender o aspecto primordial para a vivência real da Santa Missa, o Silêncio Litúrgico. Chegamos à Igreja para a Santa Missa, infelizmente, na maioria dos casos, como que aliviados pelo dever que está sendo cumprido. E assim, corremos o risco de estarmos entrando no Mistério da Vida, como que zumbis, mortos para o real Mistério que devemos celebrar. E assim, nos furtamos de entrar nesse Mistério que está acontecendo para nos fazer reviver, nos restaurar e fazer-nos adentrar na morada Eterna estando aqui neste mundo.
            É de se lamentar o descaso que um grande número, na assembleia, faz com os momentos cruciais do sagrado mistério. Atualizar o mistério salvífico de Jesus na Sagrada Eucaristia é celebrar e viver com intensidade cada momento proposto pela Sagrada Liturgia. Portanto, a plena vivência se dá através do silêncio por ela proposto. Silêncio dos movimentos e da alma que precisam estar inteiramente voltados para o Mistério a ser “atualizado” no Santo Altar – É Jesus que se entrega ao Pai, é o mistério da Transubstanciação sendo operado pelo Divino Espírito do Pai e do Filho que, em poucos instantes se tornam o próprio Jesus como alimento de vida e de renovação espiritual e real para nós.
           Assim, não podemos permanecer apenas de corpo presente na celebração da Santa Missa. A consciência da celebração vai além de uma simples presença. Estar mortos para a Vida que se faz presente ocorre para muitos, e com certa frequência. Perdem-se em sua busca. Afinal, ir à Santa Missa significa, ou “precisa” significar que temos o desejo de nos encontrar com Deus, e com Ele vivermos uma experiência de Amor. Amor que cura, liberta e renova. Então, exige de todos nós uma preparação para vivê-la com intensidade. E o silêncio é o meio de ajuda e que nos possibilitará esse encontro.
          O Papa emérito Bento XVI em sua Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” – Sacramento do Amor, ao nos apresentar a Eucaristia como ápice da vida e da missão da Igreja, substancia o mistério da Eucaristia a ser vivido com “autêntica participação”. Aconselha-nos ele fazendo memória do Concílio Vaticano II: “(...) a participação ativa desejada pelo concílio deve ser entendida, em termos mais substanciais (...) exorta a não assistirem à liturgia eucarística ‘como estranhos ou expectadores mudos’, mas a participarem ‘na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente’. (Exortação Apostólica Pós-Sinodal nº 190, §52).
           Percebemos que quando o Papa Bento XVI fala-nos de participação ativa, deseja despertar em nós algo maior do que estamos vivendo. E ainda, quando nos chama à participação ‘consciente, ativa e piedosa’, quer nos elevar a uma condição de participação mais profunda. Sendo assim, o nosso objetivo desta reflexão encontra o seu ponto alto: a piedade eucaristia. Vale lembrar que a piedade é uma virtude ou dom do Espírito Santo, pelo qual reconhecemos o Senhor, adoramos a Deus e o veneramos como nosso Pai. Fica-nos portanto uma exortação e um exame a ser refletido por todos nós, a fim de aumentar, aperfeiçoar, ou mesmo, renovar o zelo  eucarístico litúrgico na participação da Santa Missa, e que o silêncio litúrgico é o facilitador para essa vivência.
           Que Deus o Pai, com o seu filho Jesus Cristo, sob a ação do Espírito Santo nos permita renovar os nossos propósitos! E que a Virgem Maria, a Senhor do Silêncio, nos ajude a penetrar no silêncio para melhor adorarmos ao Senhor na Eucaristia!
Estela Márcia

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 5 de outubro de 2013

“A Escada do Silêncio” (Fr. Patrício, de Maria Amada de Jesus)

                         
 
      

           Chega-se ao silêncio de todo o nosso ser, silêncio que evita o barulho, o desgaste físico e mental, não de um dia para o outro, mas lentamente.  È caminho. Não devemos forçar o passo, porque cansaremos com facilidade e nunca chegaremos à meta. Mas “devagar se vai ao longe”.  Toda a nossa vida interior é silêncio, e Deus, nos recorda, João da Cruz, pronunciou uma única palavra, que é seu Filho, seu Cristo. Ele a pronunciou em silêncio e é em silêncio que ela deve ser ouvida.
             A mística Maria Amada de Jesus, carmelita descalça, nasceu na Normandia, em 1839 e faleceu em 1874.  Fez-se carmelita em 1859, teve noites escuras duras e terríveis.  Escreveu os DOZE DEGRAUS DO SILÊNCIO, que vamos comentar um pouco. São caminhos que podem curar nossas feridas, as doenças abertas pelo BARULHO. (Comentário de Frei Patrício, Ocd.)
 
PRIMEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO: Falar pouco  com  as  criaturas  e muito com Deus.
È o segredo para começar a cura pelo silêncio:
Redescobrir Deus como amigo, como médico, como aquele que vem em nosso socorro, nos ESCUTA a cada momento e nos convida a entrar em comunhão com Ele.
O falar muito com as criaturas nos leva a uma hiperagitação.
O silêncio da Prudência e da Sabedoria é o silêncio que devemos ter nas conversações, nos encontros. 
Não é raro que falemos mais forte com “nossos silêncios” que com as palavras.
Há silêncios que apavoram, gritam e condenam o palavreado vazio de tantas pessoas.
SEGUNDO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio no trabalho, silêncio nos movimentos.
Vimos que o silêncio não é, de forma alguma, mutismo, alienação, afastamento dos outros, porque não somos capazes de dialogar ou de entrar em comunhão. É uma atitude interior que nos leva saber fazer tudo com amor e com recolhimento.
Por que deixar que a agitação e o barulho entrem em nós e coloquem nossa morada interior numa confusão insuportável?
Os mestres da vida interior nos ensinam que tudo deve ser feito com calma, com silêncio, evitando qualquer barulho que possa perturbar a nós mesmos e aos outros.
<< SILÊNCIO no andar, SILÊNCIO dos olhos, dos ouvidos, da voz. SILÊNCIO de todo o exterior, preparando a alma a unir-se a Deus. >>
TERCEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio da imaginação.
A imaginação é boa, é um dom de Deus e devemos aproveitá-la na nossa oração e na nossa memória, para reviver momentos de ação de graças, de alegria e também de dor, de pecado para purificar-nos cada vez mais e estarmos prontos para receber a graça da fonte de Deus que jorra em nós. Porém, a imaginação, pode tornar-se uma fera violenta, que, como tempestade, nos leva longe e sempre fora da nossa casa interior, quando nos faz perder o contato com a vida de cada dia,  isso se faz terrível e doloroso. Aí adoecemos na alma, nos tornamos tristes, preocupados.
QUARTO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio da memória.
Nada de mais belo que a nossa memória. Jesus nos mandou celebrar Sua Memória, torná-Lo Presente, Vivo e Real no Sacramento da Eucaristia.
A memória não é o reviver da imaginação, mas o recordar e, com força da vontade, tornar presente. É uma mística Eucarística que vivemos no nosso dia-a-dia. É necessário silenciar a memória para que possamos não nos deixar alienar da nossa realidade cotidiana. Esvaziar-nos de nós mesmos.
A MEMÓRIA DEVE SER RECONHECIMENTO, AÇÃO DE GRAÇAS por tantas Misericórdias que Deus tem feito em nós.
Vale a pena meditar com o canto da memória agradável e vivo do MAGNIFICAT, por exemplo.
Recomendação: Não se deixe influenciar pelas suas memórias, ou se condicionar por elas.
Não podemos viver de saudosismo, é necessário viver de vida, de esperança e de amor.
Nossa memória deve ser vivida, atualizada, e o é assim no Mistério da Eucaristia de Cristo, que nos dá nova força para  caminharmos para nosso futuro.
QUINTO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio com as criaturas.
Falamos demais. Isso prejudica a saúde física, psíquica, espiritual.
Não importa do que falamos. O que importa é falar e falar muito.
Parece ser um impulso incontrolável. 
Temos uma tendência de fazer monólogos longos, que nunca irão preencher e curar as doenças terríveis da solidão humana.
É necessário sim, ter uma lembrança das criaturas de Deus.
Sua Criação traz em si mesma a figura do Criador, do Senhor. A Natureza nos fala e nós podemos falar com Ela. Como não lembrar a voz das Criaturas do Cântico de Daniel (Dn 3)?
SEXTO DEGRAU DO SILÊNCIO: O Silêncio do Coração.
Somos levados a avançar para as águas mais profundas do silêncio.
É necessário entrar agora no silêncio do coração.
Silenciando tudo o que está fora  de nós e dentro de nós.
Nada pode perturbar nossa paz  interior; nem as criaturas, nem a memória, nem a imaginação.   
Tudo é paz. Deixemos, neste caso, tomar-nos pela mão da Virgem Maria e por Cristo Jesus, onde tudo é silêncio.
SÉTIMO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio da natureza.
Silenciar a natureza humana que vive revoltada com o mínimo vento de dor, de contrariedade, é uma obra lenta, fruto de paciência e de tempo.
Não devemos nos revoltar nem achar que tudo isso se dá à toque de caixa.
Temos de saber que sem um grande esforço nunca ficaremos curados de nossas feridas físicas e espirituais.
Devemos silenciar o orgulho, o amor-próprio ferido, nos afastar das situações que podem nos levar a críticas inúteis e desfavoráveis aos outros e a nós mesmos.
“De toda palavra ciosa que pronunciarmos, daremos conta a Deus”.
Devemos saber dominar o desejo de vingança, muitas vezes travestido de justiça, de zelo e de verdade.
OITAVO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio do espírito.
É um ponto muito importante para não adoecer:
... de orgulho, de superioridade, de “ insubstitutividade”, de  “  tudo eu  faço e sou melhor”- doença terrível, dentro e fora da Igreja.
O silêncio do espírito nos leva a agir somente pela Glória de Deus, pois para quem busca a viver a santidade não pode existir duplicidade de vida.
Está comprovado que a “ambiguidade de vida” é fonte de sofrimento e doenças físicas e psíquicas.
Como pode viver tranquilo e com saúde quem trai os amigos, a esposa, o esposo, ou vive com constante medo do que faz, ou ainda, aqueles que não cumprem com os seus compromissos ou com a palavra dada?
É o silêncio do espírito que devemos procurar na paz da nossa consciência mais íntima e profunda  do ser.
NONO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio do julgamento.
Não julgar é também um mandamento de Jesus: “não julgueis e não sereis julgados”.
Para que deixar a ânsia e a angústia de julgar entrar em nosso coração?
Silenciar o julgamento não é renunciar a emitir nossas opiniões. Estas devem ser conformes à verdade e nada mais.
Não devemos impor nosso ponto de vista.
Quantas vezes a imposição da nossa maneira de pensar e de julgar, nos levam ao isolamento, à marginalização ou ao sofrimento físico e espiritual.
DÉCIMO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio da vontade.
É o silêncio nas angústias do coração e nas dores d´alma. 
É o silêncio de uma alma favorecida por Deus e que, sentindo-se repelida, não pronuncia estas palavras como: “Por quê? Até quando?”. É o silêncio do abandono...
Silêncio ante a severidade do olhar de Deus... Silêncio sob o peso da Mão Divina.
Silêncio cuja única queixa é a do amor.
É o silêncio da Crucifixão. É o silêncio dos mártires. É o silêncio da agonia de Jesus.
Enquanto essa vontade humilde e livre - verdadeiro holocausto de amor - procura aniquilar-se para glorificar o Nome de Deus, Deus  a transforma  em  sua vontade.
DÉCIMO PRIMEIRO DEGRAU DO SILÊNCIO: Silêncio consigo mesmo.
Uma das piores doenças é “monologar consigo mesmo”, falar e, falar consigo mesmo dos próprios problemas, dificuldades, dramas, traumas e doenças.
Torna-se um círculo vicioso a partir do qual não conseguimos ver a vida com os olhos límpidos e transparentes.
Para que ruminar o dia todo e a noite inteira as situações conflitantes da vida?
Não é melhor dar a volta por cima e lançar-se nos braços de Deus, e rezar com calma o Salmo 130?
Este Salmo é do silêncio interior, fruto de ascese e de oferta de si mesmo a Deus.
DÉCIMO SEGUNDO DEGRAU DO SILÊNCIO: O Silêncio com Deus.
O silêncio com Deus consiste em ter a certeza no nosso coração do amor do Senhor, de não duvidar  Dele, mesmo que nada sintamos.
É deixar-se amar por Ele. É talvez o silêncio mais doloroso do ser humano, que em determinados momentos se sente abandonado por todos e até mesmo por Deus.
É o grito que surge dentro de nós: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21)”.
Esse grito não é falta de fé. Ele é à força da natureza que se rebela diante da dor, da solidão, da doença. Mas Deus sempre vem em nosso socorro. Confirmamos esta experiência com os textos:
Dt 6, 4-5/Is  43, 1-5.
“O Barulho Adoece e o Silêncio Cura” ( Frei Patrício )
                                         

 

 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eles te guardem em todos os teus caminhos


A teu respeito ordenou a seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos (Sl 90,11). Louvem o Senhor por sua misericórdia e suas maravilhas para com os filhos dos homens. Louvem e proclamem às nações que o Senhor agiu de modo magnífico a favor deles. Senhor, que é o homem para que assim o conheças? Ou por que inclinas para ele teu coração? Aproximas dele teu coração, enches-te de solicitude por sua causa, cuidas dele. Enfim, a ele envias o teu Unigênito, infundes o teu Espírito, prometes até a visão de tua face. E para que nas alturas nada falte no serviço a nosso favor, envias os teus santos espíritos a servir-nos, confias-lhes nossa guarda, ordenas que se tornem nossos pedagogos. 
A teu respeito, ordenou a seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Esta palavra quanta reverência deve despertar em ti, aumentar a gratidão, dar confiança. Reverência pela presença, gratidão pela benevolência, confiança pela proteção. Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas em teu favor. Estão aqui para proteger, para te serem úteis. Na verdade, embora enviados por Deus, não nos é lícito ser ingratos para com eles, que com tanto amor lhe obedecem e em tamanhas necessidades nos auxiliam. 
Sejamos-lhes fiéis, sejamos gratos a tão grandes protetores; paguemos-lhes com amor; honremo-los tanto quanto pudermos, quanto devemos. Prestemos, no entanto, todo o nosso amor e nossa honra àquele que é tudo para nós e para eles; de quem recebemos poder amar e honrar, de quem merecemos ser amados e honrados. 
Assim, irmãos, nele amemos com ternura seus anjos como futuros co-herdeiros nossos, e enquanto esperamos nossos intendentes e tutores dados pelo Pai como nossos guias. Porque agora somos filhos de Deus, embora não se veja, pois ainda estamos sob tutela quais meninos que em nada diferem dos servos. 
Aliás, mesmo assim tão pequeninos e restando-nos ainda uma tão longa, e não só tão longa, mas ainda tão perigosa caminhada, que temos a temer com tão poderosos protetores? Eles não podem ser vencidos, nem seduzidos, e ainda menos seduzir, aqueles que nos guardam em todos os nossos caminhos. São fiéis, são prudentes, são fortes; por que trememos de medo? Basta que os sigamos, unamo-nos a eles e habitaremos sob a proteção do Deus do céu. (Dos Sermões de São Bernardo – Abade, século XII)
Rezemos ao nosso Anjo da Guarda: Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou à piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa e ilumina. Amém.
Estela Márcia (Adaptações, 02.10.2013)
 

Dom Gregório e os encantos de Santa Teresinha no Carmelo de Petrópolis


 
Com beleza e encanto Dom Gregório celebrou a Missa em honra a Santa Teresinha no Carmelo São José de Petrópolis. Fazendo uma comparação com a vida prática de Teresinha, Dom Gregório contou-nos em forma de “historinha”, baseada na infância de seu sobrinho Miguel, que temos sempre o desejo de ser como quem se ama. Para alegria de todos, soube como ninguém, comparar a simplicidade do pequeno Miguel na escolha de sua profissão comparável a de seu avô – ao qual amava e queria se assemelhar, e falou-nos do exemplo de Teresinha que, soube se assemelhar ao seu Amado Jesus. E ainda, ao final de sua bela homilia, contou-nos a “historinha” do “Príncipe e a escolha e negação de sua mesma princesa por três vezes, até que ela descobriu como ser reconhecida e amada por ele, bastando apenas se apresentar como sendo ele próprio”.
           Com alegria e entusiasmo, Gregório concluiu que, como Teresinha precisamos ser como o próprio Jesus, para um dia, na eternidade, ao nos apresentarmos, seremos reconhecidos por Ele, simplesmente por termos nos deixados assemelhar a Ele.
           Antes do término da Santa Missa Dom Gregório, falou-nos do motivo e sentido da cor rosa de nosso seminário diocesano, fazendo história com a realização e propósito do saudoso Dom Cintra – fundador de nossa Diocese de Petrópolis, bem como de seu Seminário N. Sra. do Amor Divino, propósito esse que fazia a Virgem Maria por sua intercessão e realização dessa obra. Assim, ofereceu às nossas irmãs da clausura a homenagem com o canto “Salve Regina”, cantado pelos seminaristas. E pediu-lhes oração por todos eles.
          Sentindo-me parte da vida deste Camelo, agradecemos pela atenção e carinho dispensada por nosso pastor às humildes servas e irmãs de Santa Teresinha que, em espírito de alegria e agradecimento, puderam celebrar sua padroeira e exemplo de monja. E ainda, felizes por terem recebido, cada uma delas e pessoalmente, das mãos do próprio Dom Gregório, uma rosa enviada por Santa Teresinha. Testemunhado por todas elas, uma só era a fala: “Nunca havíamos recebido uma rosa na Festa de Santa Teresinha!”
          Inclusive, lembramos e convidamos a todos para que, no próximo dia 12 de outubro, venha à Santa Missa – às 9h, em que a Ir. Maria Teresa de Jesus e da Santa Cruz fará seus primeiros votos de vida religiosa. A Missa será celebrada por Dom Gregório.
          Que a Virgem do Carmo e São José possam interceder, ao lado de seus filhos carmelitas, para que o Bom Deus abençoe e multiplique as vocações de nosso Carmelo, bem como, de nosso Seminário Diocesano, e derrame poderosamente as Graças e Bênçãos que dom Gregório necessita para o seu ministério episcopal, e seu governo em nossa Diocese.
Nossa Senhora do Carmo e São José, rogai por nós!
Nossa Senhora do Amor Divino, rogai por nós!
Santa Teresinha, Santa Teresa e São João da Cruz, com santos carmelitas e os Anjos do Céu, roguem por nós!
Estela Márcia