segunda-feira, 15 de abril de 2013

Papa Francisco: "Incoerência mina a credibilidade da Igreja"

                   O Papa Francisco tomou posse da Basílica de São Paulo Fora dos Muros na tarde deste 3º Domingo de Páscoa e manifestou a alegria de celebrar a Eucaristia nessa basílica papal localizada sobre o túmulo de São Paulo, "Apóstolo humilde e grande do Senhor, que O anunciou com a palavra, testemunhou com o martírio e adorou com todo o coração".
Em sua homilia, o pontífice destacou três verbos importantes: anunciar, testemunhar e adorar. "Os apóstolos diante da ordem de não falar nem ensinar no nome de Jesus, de não anunciar mais a sua mensagem, respondem com clareza: Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. E nem o fato de serem flagelados, ultrajados, encarcerados os deteve. Pedro e os Apóstolos anunciam, com coragem e desassombro, aquilo que receberam: o Evangelho de Jesus", disse ainda o Santo Padre.
"E nós? Somos nós capazes de levar a Palavra de Deus aos nossos ambientes de vida? Sabemos falar de Cristo, do que Ele significa para nós, em família, com as pessoas que fazem parte da nossa vida diária? A fé nasce da escuta e fortalece-se no anúncio", frisou o Papa. E ainda, "o anúncio de Pedro e dos Apóstolos não é feito apenas com palavras, mas a fidelidade a Cristo toca a sua vida, que se modifica, recebe uma nova direção, e é precisamente com a sua vida que dão testemunho da fé e anunciam Cristo".

No Evangelho, Jesus pede por três vezes a Pedro que apascente o seu rebanho. "Trata-se de ... aceita ser conduzido pela vontade de Deus mesmo para onde não queremos se não estamos prontos a testemunhar Cristo com o dom de nós mesmos, sem reservas nem cálculos, por vezes à custa da nossa própria vida. Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evangelho".
"Como testemunho Cristo com a minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos para pensar, decidir e viver como cristão, obedecendo a Deus? No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem entre a palavra e a maneira de viver mina a credibilidade da Igreja", ressaltou ainda Francisco.
O pontífice questionou: "Você, eu adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus só para pedir, para agradecer, ou vamos até Ele também para adorá-lo? O que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de nós possui na própria vida, de forma mais ou menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que são consideradas mais ou menos importantes" (...) "adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que só Ele guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que estamos diante d’Ele convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, da nossa história". "Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o carreirismo, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros."
"O Senhor é o único, o único Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos numerosos ídolos e a adorar só a Ele. Que a bem-aventurada Virgem Maria e o Apóstolo Paulo nos ajudem neste caminho e intercedam por nós", concluiu Francisco.




Papa no Regina Coeli convida a rezar pelos cristãos perseguidos

Em sua alocução, o pontífice se deteve brevemente na passagem do livro dos Atos dos Apóstolos que se lê na liturgia deste 3° Domingo de Páscoa.

"Este texto refere que a primeira pregação dos Apóstolos em Jerusalém encheu a cidade da notícia que Jesus tinha verdadeiramente ressuscitado segundo as Escrituras e era o Messias anunciado pelos profetas", disse o Papa Francisco, acrescentando:

"Os sumos sacerdotes e os chefes da cidade procuraram cortar pela raiz a comunidade de fiéis em Cristo e fizeram aprisionar os apóstolos, ordenando-lhes de não ensinar mais em seu nome. Mas Pedro e os outros onze responderam: É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus o exaltou à sua direita como chefe e salvador. E desses fatos somos testemunhas nós e o Espírito Santo. Então, flagelaram os Apóstolos e ordenaram-lhes de não falarem novamente no nome de Jesus. E eles foram embora, contentes por terem merecido sofrer insultos por causa do nome do Senhor."

O pontífice então perguntou: "Onde encontravam os primeiros discípulos a força para esse testemunho? Não só. De onde vinha a alegria e coragem para anunciar, não obstante os obstáculos e a violência? Não podemos nos esquecer que os apóstolos eram pessoas simples, não eram escribas, doutores da lei, nem pertencentes à classe sacerdotal. Como puderam, com seus limites e a oposição por parte das autoridades, encher Jerusalém com seus ensinamentos? É claro que somente a presença com eles do Senhor Ressuscitado e a ação do Espírito Santo podem explicar este fato. A sua fé se baseava numa experiência tão forte e pessoal de Cristo morto e ressuscitado que eles não tinham medo de nada nem de ninguém, e até mesmo viam as perseguições como um motivo de honra, que lhes permitia seguir os passos de Jesus e assemelhar-se a Ele, testemunhando com a vida".

Francisco ressaltou que "a história da primeira comunidade cristã nos diz algo muito importante, que vale para a Igreja de todos os tempos, e também para nós: quando uma pessoa verdadeiramente conhece Jesus Cristo e crê nele, experimenta a Sua presença na vida e a força de sua ressurreição, e não pode deixar de comunicar esta experiência. E, se encontra incompreensões ou adversidades, se comporta como Jesus em sua Paixão: responde com amor e com a força da verdade".

O Papa convidou a pedir a Maria Santíssima "para que a Igreja em todo o mundo anuncie com franqueza e coragem a Ressurreição do Senhor e testemunhe de maneira eficaz com sinais de amor fraterno". Ele convidou a rezar especialmente pelos cristãos que sofrem perseguição: "que eles sintam a presença viva do Senhor Ressuscitado", disse.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.” (Sl 33,20)

            A Cruz e a Ressurreição são realidades de nossa fé em Jesus Cristo. Tribulações e fé. Fé e tribulações são realidades da vida humana, especialmente do homem chamado por Deus. Tribulações são realidades vividas por todos os homens e mulheres, e em todos os tempos. Com inúmeras origens, todas elas têm suas raízes no pecado humano. Mas elas podem dominar completamente a vida daqueles que não sabem onde e a quem recorrer. Elas abatem e derrubam a todos os reféns das variadas armadilhas e camuflagens que elas trazem. Em outras palavras, dizemos serem as tribulações formas de tentações que desejam roubar a paz daqueles que Deus criou e deu a vida. Elas nos vêem como as tentações vividas por Jesus no Getsâmani que o fez pedir ao Pai que dele a afastasse, mas que de imediato foi socorrido pela força e sabedoria do Espírito, e Ele, renovou a entrega, e disse, “seja feita a Vossa Vontade e não a minha”.
            As pequenas e grandes situações do dia-a-dia muitas vezes nos chegam disfarçadas de desânimo, mas que acabam nos derrubando. Parecem nos sucumbir. Nos vemos como que no fundo de um poço.  É nessa hora que precisamos lembrar que temos um Justo Juiz para vir em nosso auxílio, como nos afirma o salmo 33,19-20: “Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.” ‘Todos’ são todos. É preciso crer que o auxílio de Deus é sempre oportuno. E ainda, é no combate espiritual que alcançaremos a vitória que vence o mundo, a nossa fé. A fé do combate é experimentada e cresce na medida em que não desistirmos, mas confiarmos. Fé e confiança transmitida a nós pelos apóstolos e pela Igreja. É mediante a fé no testemunho dos apóstolos e obedientes a palavra de Deus, que todo aquele que crer experimentará as maravilhas que o Senhor lhe reserva.
Diz São Cipriano – século II, “Enquanto combatemos o bom combate da fé, Deus, seus anjos e o próprio Cristo nos contemplam. Que glória imensa e que felicidade lutarmos na presença de Deus e sermos coroados por Cristo Juiz! Armemo-nos, queridos irmãos, de coragem e fortaleza, e preparemo-nos para a luta com pureza de espírito, fé inquebrantável e generosa confiança. Avance o exército de Deus para a batalha que nos foi proposta. O santo Apóstolo ensina como nos devemos armar e preparar: Cingi os vossos rins com a verdade, revesti-vos com a couraça da justiça e calçai os vossos pés com a prontidão em anunciar o evangelho da paz. Tomai o escudo da fé, o qual vos permitirá apagar todas as flechas ardentes do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e o gládio do espírito, isto é, a Palavra de Deus (Ef 6,14-17). Tomemos estas armas, protejamo-nos com estas defesas espirituais e celestes, para podermos resistir e vencer os assaltos do demônio no dia do combate.”
Enquanto estivermos neste mundo muitas tribulações teremos que combater, no entanto, é na medida da fé e da confiança que tivermos em Deus e nas sua promessas é que seremos vencedores. Não esqueçamos: “Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.”
Tomemos ‘o escudo da fé’ e combatamos as tentações e tribulações crendo nas promessas da Palavra de Deus! Deus nos abençoe! Nossa Senhora nos proteja e guarde!
Estela Márcia

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Santa Madalena de Canossa - 10 de Abril

A santa de hoje é fundadora das 'Filhas da Caridade', congregação que iniciou em Veneza, Itália.
Nasceu em Verona, no ano de 1774 e faleceu com 61 anos. Mas viveu o céu já aqui, acolhendo a salvação e sendo canal dela para muitos.
Perdeu cedo seus pais. Teve seu chamado à vocação religiosa, numa consagração total, mas não foi aceita na primeira tentativa, porém, não parou no primeiro obstáculo.
Uma mulher mística. Pela sua vida de oração e seu amor a Jesus Crucificado, galgou degraus para uma mística profunda, sendo muito sensível à dor dos irmãos.
Viveu num tempo difícil, de guerras, precisando refugiar-se em Veneza. Ali, ela discerniu o carisma como fundadora, e na prática - por causa dos órfãos, enfermos e vítimas da guerra - sua caridade era ardente e reconhecida por muitos. Napoleão Bonaparte conhecia seu testemunho e a chamava de 'anjo da caridade'.
Entrou na glória de Deus, porque deixou a glória de Deus a transformar aqui.
Santa Madalena de Canossa, rogai por nós!




Histórica Homilia do Papa Francisco em São João de Latrão (7 de Abril de 2013)

Amados irmãos e irmãs!

Com alegria, celebro pela primeira vez a Eucaristia nesta Basílica Lateranense, a Catedral do Bispo de Roma. Saúdo a todos vós com grande afeto: o Cardeal Vigário, os Bispos Auxiliares, o Presbitério diocesano, os Diáconos, as Religiosas e os Religiosos e todos os fiéis leigos. Caminhamos juntos na luz do Senhor Ressuscitado.
1. Hoje celebramos o Segundo Domingo de Páscoa, designado também «Domingo da Divina Misericórdia». A misericórdia de Deus: como é bela esta realidade da fé para a nossa vida! Como é grande e profundo o amor de Deus por nós! É um amor que não falha, que sempre agarra a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia.
2. No Evangelho de hoje, o apóstolo Tomé experimenta precisamente a misericórdia de Deus, que tem um rosto concreto: o de Jesus, de Jesus Ressuscitado. Tomé não se fia nos demais Apóstolos, quando lhe dizem: «Vimos o Senhor»; para ele, não é suficiente a promessa de Jesus que preanunciara: ao terceiro dia ressuscitarei. Tomé quer ver, quer meter a sua mão no sinal dos cravos e no peito. E qual é a reação de Jesus? A paciência: Jesus não abandona Tomé relutante na sua incredulidade; dá-lhe uma semana de tempo, não fecha a porta, espera. E Tomé acaba por reconhecer a sua própria pobreza, a sua pouca fé. «Meu Senhor e meu Deus»: com esta invocação simples, mas cheia de fé, responde à paciência de Jesus. Deixa-se envolver pela misericórdia divina, vê-a à sua frente, nas feridas das mãos e dos pés, no peito aberto, e readquire a confiança: é um homem novo, já não incrédulo mas crente.
Recordemos também o caso de Pedro: por três vezes renega Jesus, precisamente quando Lhe devia estar mais unido; e, quando toca o fundo, encontra o olhar de Jesus que, com paciência e sem palavras, lhe diz: «Pedro, não tenhas medo da tua fraqueza, confia em Mim». E Pedro compreende, sente o olhar amoroso de Jesus e chora... Como é belo este olhar de Jesus! Quanta ternura!
Irmãos e irmãs, não percamos jamais a confiança na paciente misericórdia de Deus!
Pensemos nos dois discípulos de Emaús: o rosto triste, passos vazios, sem esperança. Mas Jesus não os abandona: percorre juntamente com eles a estrada. E não só; com paciência, explica as Escrituras que a Si se referiam e pára em casa deles partilhando a refeição. Este é o estilo de Deus: não é impaciente como nós, que muitas vezes queremos tudo e imediatamente, mesmo quando se trata de pessoas. Deus é paciente conosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não corta as pontes, sabe perdoar. Recordemo-lo na nossa vida de cristãos: Deus sempre espera por nós, mesmo quando nos afastamos! Ele nunca está longe e, se voltarmos para Ele, está pronto a abraçar-nos.
Sempre me causa grande impressão a leitura da parábola do Pai misericordioso; impressiona-me pela grande esperança que sempre me dá. Pensai naquele filho mais novo, que estava na casa do Pai, era amado; e todavia, pretende a sua parte de herança; abandona a casa, gasta tudo, chega ao nível mais baixo, mais distante do Pai; e, quando tocou o fundo, sente saudades do calor da casa paterna e regressa. E o Pai? Teria ele esquecido o filho? Não, nunca! Está lá, avista-o ao longe, tinha esperado por ele todos os dias, todos os momentos: sempre esteve no seu coração como filho, apesar de o ter deixado e malbaratado todo o patrimônio, isto é, a sua liberdade; com paciência e amor, com esperança e misericórdia, o Pai não tinha cessado um instante sequer de pensar nele, e logo que o vê, ainda longe, corre ao seu encontro e abraça-o com ternura – a ternura de Deus –, sem uma palavra de censura: voltou! Deus sempre espera por nós, não se cansa. Jesus mostra-nos esta paciência misericordiosa de Deus, para sempre reencontrarmos confiança, esperança! Romano Guardini dizia que Deus responde à nossa fraqueza com a sua paciência e isto é o motivo da nossa confiança, da nossa esperança (cf. Glabenserkenntnis, Wurzburg 1949, p. 28).

3. Gostava de sublinhar outro elemento: a paciência de Deus deve encontrar em nós a coragem de regressar a Ele, qualquer que seja o erro, qualquer que seja o pecado na nossa vida. Jesus convida Tomé a meter a mão nas suas chagas das mãos e dos pés e na ferida do peito. Também nós podemos entrar nas chagas de Jesus, podemos tocá-Lo realmente; isto acontece todas as vezes que recebemos, com fé, os Sacramentos. São Bernardo diz numa bela Homilia: «Por estas feridas [de Jesus], posso saborear o mel dos rochedos e o azeite da rocha duríssima (cf. Dt 32, 13), isto é, posso saborear e ver como o Senhor é bom» (Sobre o Cântico dos Cânticos 61, 4). É precisamente nas chagas de Jesus que vivemos seguros, nelas se manifesta o amor imenso do seu coração. Tomé compreendera-o. São Bernardo interroga-se: Com que poderei contar? Com os meus méritos? Mas «o meu mérito está na misericórdia do Senhor. Nunca serei pobre de méritos, enquanto Ele for rico de misericórdia: se são abundantes as misericórdias do Senhor, também são muitos os meus méritos» (ibid., 5). Importante é a coragem de me entregar à misericórdia de Jesus, confiar na sua paciência, refugiar-me sempre nas feridas do seu amor. São Bernardo chega a afirmar: «E se tenho consciência de muitos pecados? “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20)» (ibid., 5). Talvez alguém possa pensar: o meu pecado é tão grande, o meu afastamento de Deus é como o do filho mais novo da parábola, a minha incredulidade é como a de Tomé; não tenho coragem para voltar, para pensar que Deus me possa acolher e esteja à espera precisamente de mim. Mas é precisamente por ti que Deus espera! Só te pede a coragem de ires ter com Ele. Quantas vezes, no meu ministério pastoral, ouvi repetir: «Padre, tenho muitos pecados»; e o convite que sempre fazia era este: «Não temas, vai ter com Ele, que está a tua espera; Ele resolverá tudo». Ouvimos tantas propostas do mundo ao nosso redor; mas deixemo-nos conquistar pela proposta de Deus: a proposta d’Ele é uma carícia de amor. Para Deus, não somos números; somos importantes, antes, somos o que Ele tem de mais importante; apesar de pecadores, somos aquilo que Lhe está mais a peito. Depois do pecado, Adão sente vergonha, sente-se nu, sente remorso por aquilo que fez; e todavia Deus não o abandona: se naquele momento começa o exílio longe de Deus, com o pecado, também já existe a promessa do regresso, a possibilidade de regressar a Ele. Imediatamente Deus pergunta: «Adão, onde estás?» Deus procura-o. Jesus ficou nu por nós, tomou sobre Si a vergonha de Adão, da nudez do seu pecado, para lavar o nosso pecado: pelas suas chagas, fomos curados. Recordai-vos do que diz São Paulo: De que poderei eu gloriar-me senão da minha fraqueza, da minha pobreza? É precisamente sentindo o meu pecado, olhando o meu pecado que posso ver e encontrar a misericórdia de Deus, o seu amor, e ir até Ele para receber o seu perdão.
Na minha vida pessoal, vi muitas vezes o rosto misericordioso de Deus, a sua paciência; vi também em muitas pessoas a coragem de entrar nas chagas de Jesus, dizendo-Lhe: Senhor, aqui estou, aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue. E sempre vi que Deus o fez: Deus acolheu, consolou, lavou e amou.
Amados irmãos e irmãs, deixemo-nos envolver pela misericórdia de Deus; confiemos na sua paciência, que sempre nos dá tempo; tenhamos a coragem de voltar para sua casa, habitar nas feridas do seu amor deixando-nos amar por Ele, encontrar a sua misericórdia nos Sacramentos. Sentiremos a sua ternura, sentiremos o seu abraço, e ficaremos nós também mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor. (Papa Francisco)


A nova paróquia: aberta a 51ª Assembleia Geral da CNBB (Em Aparecida)

 “Comunidade de comunidades. A nova paróquia”.


Este o tema central da 51ª Assembleia Geral do Bispos do Brasil, que teve início nesta quarta-feira (10 de abril de 2013), no Santuário Nacional de Aparecida. A abertura do evento que deve reunir cerca de 300 bispos foi com a Santa Missa na Basílica de Aparecida às 7h30 celebrada pelo Presidente da CNBB, Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raimundo Damasceno Assis. O encerramento dos trabalhos está previsto para o próximo dia 19, no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho.
Sobre as questões logísticas da Assembleia nós conversamos com o Ecônomo do Santuário de Aparecida, Pe. Luiz Cláudio Alves de Macedo.
O tema-base dessa Assembleia Geral do episcopado brasileiro ressalta o anúncio de Jesus revelando que o Reino vai ser formado por uma comunidade de discípulos. Segundo Dom José Luiz Majella Delgado, Bispo de Jataí (GO) na metodologia proposta pela Comissão de elaboração do texto, o mesmo só se concluiria na Assembleia de 2014. O objetivo é que o documento final seja enriquecido pelas experiências das paróquias, das comunidades e dos regionais.
Dom Majella: Reunidos no Santuário de Aparecida, os participantes da Assembleia devem formular diretrizes para a renovação pastoral e revitalização do sentido comunitário das paróquias. Segundo o Presidente da CNBB, e Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raimundo Damasceno Assis, a Igreja é missionária por natureza e as paróquias devem reavivar esse espírito missionário. Dom Raimundo disse ainda que é “necessário ir em busca dos que se afastaram, para que redescubram a beleza, a alegria da fé em Jesus Cristo, a importância da vivência comunitária e dos sacramentos”.
Os trabalhos da 51ª Assembleia terão início todos os dias com a celebração da Santa Missa às 7h30 da manhã no Altar Central da Basílica de Aparecida. Os trabalhos se realizarão no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho. Nos dias 13 e 14 de abril os bispos participam de um retiro espiritual. Todos os dias uma coletiva de imprensa, às 15h, com a participação de três bispos. (De Aparecida, Silvonei José)
                                                                                                          Estela Márcia (adaptações)


3ª Catequese: "Ser cristão não é cumprir mandamentos, mas é deixar que Cristo transforme nossa vida" (Papa Francisco)

O tema proposto pelo Pontífice foi o fundamento da nossa fé: a Ressurreição de Cristo.
“Este é o maior dom que recebemos do Mistério pascal de Jesus”, explicou. A ressurreição de Jesus é tão importante, que, «se Cristo não ressuscitou – escreve São Paulo –, é vã a nossa fé». Na verdade, a nossa fé apoia-se sobre a morte e ressurreição de Cristo como uma casa está apoiada sobre os alicerces: se estes cedem, a casa cai. Na cruz, Jesus ofereceu-Se a Si mesmo, tomando sobre Si os nossos pecados.
Com a Ressurreição, algo de absolutamente novo acontece: somos libertados da escravidão do pecado e nos tornamos filhos de Deus. Ou seja, somos gerados a uma vida nova no Batismo. E a nossa vida será nova se nos comportarmos como verdadeiros filhos, deixando que Cristo tome posse da nossa vida e a transforme.
“Deus nos trata como filhos, nos compreende, nos perdoa, nos abraça, nos ama mesmo quando erramos. Jamais devemos nos esquecer que Deus é fiel, sempre! Ser cristãos não se reduz a seguir mandamentos, mas quer dizer estar em Cristo, pensar como Ele, agir como Ele, amar como Ele. Cristo ressuscitado é a nossa esperança. Deus é a nossa força.”
Todavia, adverte o Pontífice, a tentação de deixar Deus de lado para colocar nós mesmos no centro está sempre à espreita. A experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isso, devemos ter a coragem da fé, não nos deixando levar pela mentalidade que afirma: «Deus não é solução, não tem nada de importante para nós».
“A verdade é precisamente o contrário! Somente nos comportando como filhos de Deus, sem nos desencorajar pelas nossas caídas, sentindo-se amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria.”
No final da catequese, Francisco saudou em italiano os grupos presentes na Praça, com uma exceção: esta quarta, pela primeira vez, saudou em espanhol os peregrinos oriundos da Espanha e dos países latino-americanos. Entre eles, seus compatriotas do Club Atlético San Lorenzo de Almagro, de Buenos Aires – seu time de coração. “Isso é muito importante”, disse a eles.
Aos peregrinos de língua portuguesa, saudou em especial os fiéis de Coimbra e de São José do Rio Preto, fazendo votos de que cada um possa crescer sempre mais na vida nova de ressuscitados que Cristo nos conquistou. (Cidade do Vaticano)