domingo, 23 de setembro de 2012

É o Senhor quem sustenta minha vida

O justo dirá “É o Senhor quem sustenta minha vida” (Sl 53,6b), com muita propriedade declara confiança no Deus que lhe protege, salva e sustenta a sua vida. A declaração de confiança está pautada na fé daquele que espera sem mesmo conhecer o que o espera. Ele se alimenta das promessas que a Palavra Divina propõe, “Pois o Senhor vela pelo caminho do justo, ao passo que o do ímpio leva a perdição” (Sl 1,6).
A falta de confiança do homem em Deus poderá levá-lo a sua própria perdição. A falta de confiança, antes de fazê-lo perder-se, com toda certeza o fará enfermo. O fará debilitado, enfraquecido em todos os seus sentidos, e, para a prática das boas obras.
Ao ler Santo Agostinho quando escreve sobre os “cristãos enfermos”, perceberemos que existe enfermidades e doenças em nós e/ou ao nosso redor e que precisam de remédio. Dirá ele então: “enfermo, quer dizer, não firme, e doente, o que se sente mal”. E continua, “Aqueles, pois, que parecem ardentes nas boas obras, mas não querem ou não podem suportar as provações iminentes, estes são enfermos. Por outro lado, aqueles que amam o mundo e por qualquer desejo mau se afastam até das obras boas, jazem gravemente doentes, visto que pela doença, sem forças, nada de bom podem realizar”.
Atribuída a quê estaria essa enfermidade, perguntaríamos? Ao esvaziamento interior. Numa paralisia interior. Sintomas que levam a frouxidão interior tamanha capaz de impedi-lo de caminhar. De tamanha gravidade que impede o conhecimento e a intimidade com Deus. Conhecimento que lhe faça amá-Lo e intimidade lhe faça desejá-Lo. Retomamos a Santo Agostinho que através de um claro exemplo diagnostica e sugere a solução, “O paralítico era um destes, na alma. Os que o carregavam, não podendo levá-lo até junto do Senhor, descobriram o teto e fizeram-no descer. É isto que terias de fazer: descobrir o teto e colocar junto do Senhor a alma paralítica, com todos os membros frouxos, e vazia de obras boas, curvada sob o peso dos pecados e doente com o mal de sua cobiça. Portanto, se todos os seus membros estão frouxos e há paralisia interior para levá-la ao médico – talvez o médico esteja escondido no teu interior: seria este um sentido oculto nas Escrituras – se queres descobrir-lhe o que está oculto, descobre o teto e faze descer diante dele o paralítico”.

Por isso a Igreja, com sabedoria, insiste aos seus filhos a importância da leitura e do estudo da Palavra de Deus. E afirma que o coração do homem se completa, se preenche e ganha um novo impulso quando encontra na Palavra de Deus seu sustento, “ Deste modo, pois, com a leitura e estudo dos livros sagrados, «a palavra de Deus se difunda e resplandeça (2 Tess. 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens. Assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre» (Is. 40,8; cfr. l Pedr. 1, 23-25)” – (Influência e importância da renovação escriturística. Dei Verbum, Cap. III, § 26).
            Oremos com o salmista neste 25º Domingo do Tempo Comum:
“Por vosso nome, salvai-me, Senhor;/ e dai-me a vossa justiça!/ Ó meu Deus, atendei minha prece/ e escutai as palavras que eu digo! “ Glória ao Pai... Amém!

Estela Márcia

sábado, 22 de setembro de 2012

"NO CORAÇÃO DA IGREJA"

            Num testemunho de amor e fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Virgem Santíssima, Mãe e Rainha do Carmo - com todos os seus filhos carmelitas de todos os tempos, especialmente, Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus - e o Beato João Paulo II, carmelita da Ordem Terceira, quero louvar por este "dia em que o Senhor fez para nós, e com Ele nos alegrar e exultar". (Salmo 117,24)
            Com este ungidíssimo canto (vindo em alocução interior), queremos expressar o "tudo" que a simplicidade e a pobreza carmelita pode ser na vida daqueles que à Nossa Senhora do Carmo se consagram e confiam, para com ela estar em total comunhão com o Senhor Deus e sua Santa Igreja.
            Recebei-nos, ó Senhor de nossas vidas e de nossa história!
            Cuidai de tudo aquilo que preparastes para cada um de nós, recebendo conosco todos os limites que cada um de nós traz consigo!
            Acolhei as intenções e orações de todos os que deseja, se consagrar a Vós!
            Infundi em nossos corações a força invencível contra todas as insídias do mal!
            Esclarecei todos os anseios que trazemos em nossas vidas, a partir de uma completa consagração a Vós!
            Fazei-nos adoradores, segundo o Vosso Coração Amantíssimo, a fim de sermos agradáveis ao Pai! "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. 24. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade". (Jo 4,23-24)
              "No coração da Igreja queremos nos consagrar, e com Santa Teresinha dizer: 'No coração da Igreja quero ser o amor".

"No coração da Igreja quero me consagrar,
No coração da Igreja quero ser o amor
No coração da Igreja quero me dissolver
No coração da Igreja vou ser pobre Senhor. (2x)

Adorar a Eucaristia, como única razão de viver.
Comungando todo dia, o teu corpo, o teu sangue,
O teu plano de amor responder.

Venerar sempre à Maria, responsável por minha conversão
Me entregando todo dia, à Mãezinha do céu
Padroeira da minha salvação.

Pedro é a rocha por onde ergueu-se a Igreja de Deus
Hoje é João Paulo, seu sucessor
Juntamos nossas vidas, a todos os santos e santas de Deus
E gritamos a uma só voz: Queremos obedecer!"
                                                                (Banda Kairós)


Nossa Senhora do Carmo, Mãe e Rainha do Carmelo, rogai por nós!
São José, rogai por nós!
Santa Teresa de Jesus, Santa Teresinha do Menino Jesus e São João da Cruz, intercedei por nós!

(Estela Márcia, 5:31h)

 

 

 

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Segue-me! (MT 9,9)

                Celebrar a festa do martírio de São Mateus é celebrar o testemunho e a expansão da palavra de Deus ao mundo. Assim vai dizer o salmista (Sl 18,4-5) “Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz!”
É com alegria que toda a Igreja toma parte na missão que este apóstolo, chamado pelo Senhor do interior da cidade de Cafarnaum, de sua coletoria de impostos – “Segue-me! (MT 9,9). Dessa forma, o seu chamado será o de testemunhar a misericórdia do Senhor em meio às contrariedades e dificuldades do mundo. Com o anúncio da Boa Nova do Reino, Mateus cumpre a missão de despertar a fé e levar a todos os que crerem na Palavra da salvação, a certeza de que o chamado a ser de Deus não está no fato de já ser justo (santo), mas de buscar o caminho da justiça (santidade). Assim, como pecador, a se reconciliar com o seu Senhor e Deus.

               "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. (MT 9,11-13)
A festa de hoje precisa despertar em nós uma reflexão vocacional. Cada um tem um chamado, cada um tem uma vocação, porém todos somos chamados a ser de Deus e com Ele nos comprometer. O chamado de Mateus encerra a riqueza de anunciar, proclamar e formar na fé e na justiça a todos os que aceitam e querem dar sua resposta ao Senhor. São Paulo nos afirma, “Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude”. (Ef 4,7.12-13)
 Celebremos com a Igreja esta festa, celebrando o nosso chamado e a nossa vocação. Compreendendo através dela que “Deus dispôs amorosamente que permanecesse integro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2 Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente, comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação”.(A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA § 7, Cap. III. Constituição Dogmática Dei Verbum, Conc. Vat. II)
São Mateus, rogai por nós!
N. Sra. Rainha dos apóstolos, rogai por nós!
N. Sra. da Saudades Rainha dos Mártires, rogai por nós!
Estela Márcia

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estar aos vossos pés Senhor!

 “Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume (...) Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados? Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz”. (Lc 7,37-38.49-50)
Diante da Palavra do Senhor, todos os anseios da mulher foram atendidos, o perdão e a misericórdia.
Oremos declarando ao Senhor a nossa fé:

Senhor Jesus,
Estar aos Vossos pés Senhor é o que mais desejo.
Estar aos vossos pés Senhor é a principal necessidade de minha vida.
Estar aos vossos pés Senhor é a alegria de minha alma.
Estar aos vossos pés Senhor é o combustível de minha alma.
Estar aos vossos pés Senhor é tudo o que me permiti Vos amar e adorar.
Estar aos vossos pés Senhor é a única certeza que tenho de ser e poder ser perdoada.
Estar aos vossos pés Senhor é a esperança que tenho de ver o Céu começado aqui na terra.
Estar aos vossos pés Senhor é experimentar a salvação.
Estar aos vossos pés Senhor é tudo o que me basta para Vos servir.
Estar aos vossos pés Senhor é tudo o que preciso para servir aos meus irmãos e a vossa Igreja!
Estar aos vossos pés Senhor é implorar misericórdia por meus irmãos e eu.
Estar aos vossos pés Senhor é o único meio para seguir em frente.
Estar aos vossos pés Senhor é tudo no nada da vida vazia sem a Vossa Doce Presença.
Estela Márcia



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

“Só Deus responde à sede que está no coração de cada homem!” (VD 23)

        
Diante da comparação que Jesus faz da insatisfação de sua geração com as crianças que se queixam dos amigos que não reagem a nenhum dos estímulos - “‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’ (Lc 7,32b), percebemos que existe total referência aos homens e mulheres de nosso tempo que nunca se satisfazem com o que tem. Muito embora sabemos que esta situação é a voz de nossa sociedade contemporânea imediatista e individualista. Se no tempo de Jesus, a sociedade judaica se apresentava ansiosa e voltada para as promessas messiânicas, e por assim dizer, viviam uma extremada expectativa profética que motivou esse discurso, por outro lado,  haveremos de crer que é próprio do homem de todos os tempos a inconstância e o desejo de perfeição.
            São Paulo, movido pelo Espírito Santo de Deus, nos apresenta a chave para compreendermos o questionamento que Jesus propôs ao seu povo (naquele discurso) e o dilema de nossa sociedade contemporânea equivocada no seu imediatismo. Ele traduz à centralidade do discurso de Jesus apresentando a ‘caridade’, como meio e fim de todas as angústias e necessidades humanas. Fato é que somente o coração que ama, que sai de si, saberá compreender e preencher a sua carência e a dos que o rodeiam.
            A motivação central da vida humana não estar em fazer muitas e diversas coisas, mas a de fazer o seu muito ou pouco com amor, com doação e solicitude. Nesta manhã li algo muito interessante a respeito deste Evangelho (Lucas 7,31-35) que marcou todo o meu dia, “Devemos estar prontos para entrar na dinâmica de Deus sem nos importar para onde vamos. Importa estar seguindo o ritmo de Deus e realizar com ele a grande dança do universo.”
            Penso ser este o caminho, estarmos prontos ‘para entrar na dinâmica de Deus’. E qual é a dinâmica de Deus? É fácil respondermos fazendo referência à definição que São João faz de Deus, “Deus é Amor” (I Jo 4,8.16). Se Deus é amor, a dinâmica Dele é a do Amor. Esse é o caminho, esse é o remédio para a insatisfação humana, a busca do amor a Deus e ao próximo. Para onde vamos? Não importa. O que deverá estar a nossa frente é a incessante busca do amor. Na busca do amor de que é Deus, encontraremos todas as satisfações e realizações. Assim, falaremos como São Paulo, “Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade”. (I Cor 12,12b-13)
            Busquemos na Palavra de Deus as respostas de seu Amor por nós, a fim de que possamos encontrar respostas para os questionamentos e anseios, e assim, ser saciados. O Santo Padre nos revela a medida dessa busca “(...) a Palavra de Deus não se contrapõe ao homem, nem mortifica os seus anseios verdadeiros; pelo contrário, ilumina-os, purifica-os e realiza-os. Como é importante, para o nosso tempo, descobrir que só Deus responde à sede que está no coração de cada homem! (...) Por isso, devemos fazer todo o esforço para mostrar a Palavra de Deus precisamente como abertura aos próprios problemas, como resposta às próprias perguntas, uma dilatação dos próprios valores e, conjuntamente, uma satisfação das próprias aspirações. (...) São Boaventura afirma no Breviloquium: «O fruto da Sagrada Escritura não é um fruto qualquer, mas a plenitude da felicidade eterna. De fato, a Sagrada Escritura é precisamente o livro no qual estão escritas palavras de vida eterna, porque não só acreditamos, mas também possuímos a vida eterna, em que veremos, amaremos e serão realizados todos os nossos desejos». (Verbum Domini, 23)

Estela Márcia

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O poder da Palavra do Pantocrator, “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”

           
“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” Á ressurreição do filho da viúva de Naim, apresentado no Evangelho de São Lucas 7,11-17, traz a proposta de vida nova que somente o Filho do Pai Eterno pode dar.  O milagre da ressurreição assume aqui um caráter - como temos refletido, do poder da Palavra de Jesus Cristo que é capaz de transformar o tudo da vida daqueles que dele se aproximam. Aproximar-se da Palavra de Deus é experimentar a “Cristologia da Palavra"[1].
O mistério de Cristo que se completa em tudo, que de antemão, Ele pregou e fez está na essência de sua divina missão: libertação onipotente do povo de Deus. Através do cortejo de dor e sofrimento da perda de seu filho único, a viúva de Naim encontrada por Jesus, recebe de volta à vida o seu filho como narra Lucas, “Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!”Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”.
Aqui, o jugo da dor, do pecado e da morte recebe o poder da Palavra Onipotente do Deus que ‘tudo pode’. É viver a Onipotência de Cristo, o Pantocrator.
Deixar-se encontrar por Cristo e sua Palavra, é estar diante da Luz que dissipa todas as trevas da morte. E ainda é desfrutar das promessas que a misericórdia de Deus quer assumir conosco em todas as fragilidades da vida.  
Com a Igreja, busquemos nos aproximar cada dia mais da Palavra Onipotente de Deus que ‘tudo pode’ e ‘tudo faz’ por aqueles que dela se aproximam. “No mistério refulgente da ressurreição, este silêncio da Palavra manifesta-se com o seu significado autêntico e definitivo. Cristo, Palavra de Deus encarnada, crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator, e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele para sempre (...) a Palavra que ressuscita. Desde o início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz”.[2]
Estela Márcia


[1] Ref. à Verbum Dei, O Deus que fala, I Parte. (Exortação Apostólica VERBUM DOMINI, Papa Bento XVI, de 30 de setembro de 2010).
[2] Ibidem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Palavra de Deus e a fé

“Senhor, ... não sou digno de que entres em minha casa (...) ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado.” (Lc 7,6-7)
           
A força da palavra de Jesus crida pelo centurião precisa ser atualizada na realidade de todos os cristãos que, por inúmeras doenças físicas e espirituais, padecem pela tibieza da fé. Torna-se assim, importante para a vida dos cristãos deste nosso tempo compreender que a Palavra do Senhor assume o mesmo poder mediante ao abandono da fé. Fé que espera. Fé que deseja. Fé que obedece, entrega sua vontade e sua liberdade. Fé que recria as expectativas de cura e libertação.
Na força da Palavra de Deus está o “encontro” com Cristo, o “logos” de Deus, a Palavra que se fez carne, a palavra que quer e precisa estar no meio de nós.
Diante da formação proposta para este mês de setembro, cabe-nos analisar e acolher os ensinamentos do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-Sinodal “VERBUM DOMINI”, de 30 de setembro de 2010 – fazendo memória de São Jerônimo.
O Santo Padre nos exorta sobre a Palavra de Deus que fala, mas que espera a reposta do homem – I Parte, “Verbum Dei”. Fazendo menção á Constituição dogmática “Dei Verbum”, do Concílio Vaticano II, nos afirma que a fé requer uma entrega total de obediência à Palavra , e que a história da salvação nos traduz situações de íntima relação e encontro com Cristo. E que esse encontro “toma a forma de encontro com uma Pessoa à qual se confia a própria vida”.
A Palavra de Deus e a fé (Verbum Domini-Parte I)
25. «A Deus que Se revela é devida “a obediência da fé” (Rm 16, 26; cf. Rm 1, 5; 2 Cor 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo a Deus revelador “o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestando voluntário assentimento à sua revelação».[76] Com estas palavras, a Constituição dogmática Dei Verbum exprimiu de modo claro a atitude do homem diante de Deus. A resposta própria do homem a Deus, que fala, é a fé. Isto coloca em evidência que, «para acolher a Revelação, o homem deve abrir a mente e o coração à ação do Espírito Santo que lhe faz compreender a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras».[77] De fato, é precisamente a pregação da Palavra divina que faz surgir a fé, pela qual aderimos de coração à verdade que nos foi revelada e entregamos todo o nosso ser a Cristo: «A fé vem da pregação, e a pregação pela palavra de Cristo» (Rm 10, 17). Toda a história da salvação nos mostra progressivamente esta ligação íntima entre a Palavra de Deus e a fé que se realiza no encontro com Cristo. De fato, com Ele a fé toma a forma de encontro com uma Pessoa à qual se confia a própria vida. Cristo Jesus continua hoje presente, na história, no seu corpo que é a Igreja; por isso, o ato da nossa fé é um ato simultaneamente pessoal e eclesial. 
[76]Conc. Ecum.  Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 5.
[77] Propositio 4.


Estela Márcia