sábado, 8 de setembro de 2012

A Palavra de Deus no nascimento de Maria Santíssima

“... E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.” (Rm 8,30)

                Ao festejar hoje o nascimento de Nossa Senhora - ou seja, a chamada Natividade de Maria, a Igreja nos conduz a meditação da Carta aos Romanos, onde São Paulo nos confirma que deus predestina, chama, justifica e glorifica aos seus escolhidos. Então, a Palavra do Senhor se cumpre em Maria com toda a propriedade que ela contém. Por isso, é próprio que comemoremos o nascimento, a anunciação, as devoções, bem como todos os dogmas referentes à Filha, Mãe e Esposa de Deus.
                As leituras dos Evangelhos de Mateus e Lucas preocupam-se com as origens de Jesus, e, conseqüentemente, as origens de Maria. A título de ratificação, ou melhor, de confirmação, percebemos que ao receberem a visita do anjo Gabriel, tanto Maria (em Lucas 1,26s), quanto José (em Mateus 1,23s), tiveram reações muito semelhantes, admiração, preocupação e questionamentos, porém, aos dois o anjo encorajou, “Não temas”.
            À Maria, “não temas, pois encontraste Graça da parte do Senhor...”, e a José, “... não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”. Não temer é não ter medo de crer, de confiar, de arriscar, é ir em busca, é ir ao encontro do que desejamos e sonhamos, sem preocupações, sem dúvidas das providências do Senhor, acreditando que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. (Rm 8,29)
         Glorifiquemos a Deus com e como Maria Santíssima cantando o Magnificat em todos os dias de nossas vidas, a fim de que possamos com ela ser cumulados das Graças do Espírito Santo. E assim proclamarmos, “... O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu Nome”:

46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.  
53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

         Rezemos com a Igreja “sem temer” - neste dia da Natividade de N. Senhora, e peçamos que tenhamos um novo nascimento, no Espírito de Deus, e que, Maria nos ensine a viver a humildade, a obediência e a confiança em Deus. E que o Deus do “impossível”, o Deus que operou maravilhas em seu favor, cumpra em nós o Seu querer, e, tudo o que nos for prometido. AMÉM!
         Nossa Senhora da Natividade, rogai por nós!
Estela Márcia

        
        



             

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SÍNTESE DA CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI VERBUM (SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA)

No Sagrado Concilio, aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4). (...) Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20).(...) Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Heb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo. 1, 1-18). (...) Pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salvação dos homens (...)  As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. (§ 1-4.11)
Leitura da Sagrada Escritura
 É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legìtimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo apurado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo»*. Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos»* - (*Santo Agostinho). (§ 25)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Lectio Divina e o Diário Espiritual

O DIÁRIO ESPIRITUAL é um meio do CRISTÃO registrar suas buscas e encontros dia-a-dia com o seu Senhor. A Igreja nos ensina que a Bíblia é uma das melhores maneiras de encontrá-Lo. Para isso, precisamos fazê-lo m através de uma leitura e meditação profunda. Propomos, então, a maneira mais antiga da Igreja orar a Palavra de Deus, a LECTIO DIVINA (ou Leitura Divina) -  pronúncia, Léccio Divina. A leitura orante da Bíblia, ou LECTIO DIVINA , é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e sua vontade, podemos produzir os frutos espirituais em nossa vida. A LECTIO DIVINA é deixar-se envolver pelo plano amoroso e libertador de Deus. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia, em seu período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento da sua alma.

1) Como fazer a LECTIO DIVINA?

A LECTIO DIVINA tradicionalmente é uma oração individual, porém, podemos fazê-la em grupos. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos católicos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Os monges diziam que a LECTIO DIVINA é a escada espiritual dos monges, mas é também a de todo cristão!

2)Quais os passos da LECTIO DIVINA?

2.1) Oração inicial: Comece invocando o Espírito Santo, que nos faz conhecer e querer fazer a vontade de Deus. Reze, por exemplo, com a seguinte oração:
«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. - Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.»
2.2) Leitura da Palavra de Deus: Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Bíblia (aconselhamos que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos, por serem mais familiares a todos). Se for preciso, leia o texto quantas vezes forem necessárias.
Procure identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que este trecho nos traz!
2.3) Meditar a Palavra de Deus: É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas estudá-la. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, isto pode ajudar. É preciso concentrar-se!
2.4) Rezar a Palavra de Deus: Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. É um diálogo pessoal! Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade.
2.5) Contemplar a Palavra: Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!
2.6) Conservar a Palavra de Deus na vida: Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Produza os frutos da Palavra de Deus semeada no seu coração, frutos como: paz, sorriso, decisão, caridade, bondade, etc... Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos da Palavra de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos, se 30, 60 ou 100 por um... o importante é que produza, e que o Povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor na vivência de um cristianismo sincero.
2.7) Passemos para o DIÁRIO ESCRITO:   
Resumidamente, precisamos dizer que o Diário:
·         É uma excelente maneira de registrar as revelações recebidas diariamente da Palavra de Deus. É um tesouro que não se pode perder;
·         Cria em nós uma saudável atitude de expectativa; ficamos atentos e de coração aberto. A mensagem de Deus é viva! Temos certeza e, por isso, esperamos;
·         Ajuda-nos a verificar a nossa própria fidelidade, a ser sérios e honestos com relação a nós mesmos;
·          Facilita a revisão. Revisão semanal, revisão mensal. Cada revisão é um passo a mais na conquista do verdadeiro conhecimento da Palavra;
·         Apresenta-nos uma boa avaliação do nosso progresso, o que nos dá coragem e entusiasmo para prosseguir.
2.8) COMO FAZER ?
·         Use um caderno, caderneta, agenda ou fichário; reserve o início de uma folha em branco para cada dia; no alto de cada página, ponha a data do trabalho: dia da semana, mês e ano; depois, desenvolva, da melhor maneira, considerando os itens propostos:
ESTELA MÁRCIA (Adaptações)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Bíblia e Revelação

Uma síntese da relação entre a Bíblia e a Tradição Divina em perguntas e respostas
O que é a Revelação?
·         A revelação é a manifestação que Deus fez aos homens de Si mesmo e daquelas outras verdades necessárias ou convenientes para a salvação eterna.
Onde se encontra a Revelação?
·         A Revelação - também chamada Doutrina cristã ou Depósito da fé- encontra-se na Sagrada Escritura e na Tradição.
A quem foi confiada a Revelação?
·         Jesus Cristo confiou a Revelação à Igreja Católica.
·         Por meio de seus Apóstolos, portanto, só a Igreja tem autoridade para custodiá-la, ensiná-la e interpretá-la sem erro.
O que é a Sagrada Escritura?
·         A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus posta por escrito sob a inspiração do Espírito Santo.
·         O conjunto dos livros inspirados é chamado Bíblia.
O que é a Tradição?
·         A Tradição é a Palavra de Deus não contida na Bíblia, e sim transmitida por Jesus Cristo aos Apóstolos e por estes à Igreja.
·         Os ensinamentos da Tradição estão contidos nos Símbolos ou Profissões de fé (por exemplo, o Credo), nos documentos dos Concílios, nos escritos dos Santos Padres da Igreja e nos ritos da Sagrada Liturgia.
Quem é o Autor da Bíblia?                                                                                                               
·         O Autor principal da Bíblia é Deus.
·         O autor secundário ou instrumental da Bíblia é o escritor sagrado ou hagiógrafo. Por exemplo, Moisés, o profeta Isaías, São Mateus, São Paulo etc.
O que é a Inspiração bíblica?
·         A inspiração bíblica é uma graça específica que o Espírito Santo concede, pela qual o escritor sagrado é movido a colocar por escrito as coisas que Deus quer comunicar aos demais homens.
Quais são as propriedades da Bíblia?
·         As propriedades da Bíblia são:
·         A Unidade entre o Antigo e o Novo Testamento, e entre todas as partes de todos os livros. A Infalibilidade (não contém erros no que compete à nossa salvação) e a Veracidade (contém as verdades necessárias para nossa salvação).
·         A Santidade (procede de Deus, ensina uma doutrina e nos conduz à santidade).
Como a Bíblia é dividida?
·         A Bíblia se divide em duas partes: Antigo e Novo Testamento.
·          Por sua vez os livros do Antigo e Novo Testamentos se dividem em: livros históricos, didáticos e proféticos.
·         E cada livro é dividido em capítulos e versículos.
O que o Antigo Testamento contém?
·         O Antigo Testamento contém os livros inspirados escritos antes da vinda de Jesus Cristo. São 46 livros.
·         Os livros históricos do Antigo Testamento são 21: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio (que formam o Pentateuco), Josué, Juízes, Rute, I e II Crônicas, I e II Esdras (o 2º chamado também Neemias), Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus.
·         Os livros didáticos do Antigo Testamento são 7: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
·         Os livros proféticos do Antigo Testamento são 18: Os quatro Profetas Maiores: Isaías, Jeremias (com Lamentações e Baruc), Ezequiel, Daniel, e os doze Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
O que o Novo Testamento contém?
·         O Novo Testamento contém os livros inspirados escritos depois da vinda de Jesus Cristo. São 27 livros.
·         Os livros históricos do Novo Testamento são 5: Os quatro Evangelhos (segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas, São João) e os Atos dos Apóstolos.
·         Os livros didáticos do Novo Testamento são 21: As 14 Epístolas ou Cartas de São Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemôn e Hebreus.
·         As 7 Epístolas ou Cartas chamadas católicas são: I e II de São Pedro: I, II e III de São João, a de Tiago e a de São Judas.
·         O único livro profético do Novo Testamento é o Apocalipse de São João.
O que é o Cânon bíblico?
·         O Cânon bíblico é o catálogo dos setenta e três livros do Antigo e do Novo Testamentos que formam a Bíblia e que a Igreja declarou como divinamente inspirados.
Em que período foi escrita a Bíblia?
·         Os livros do Antigo Testamento foram escritos entre o século XV e II antes de Cristo (a.C.).
·         Os livros do Novo testamento foram escritos na segunda metade do século I.
·         Os Livros Sagrados foram escritos em princípio em papiro e mais tarde em pergaminho. O papiro é uma planta que abunda no Egito, o pergaminho é uma pele de cabrito que permite escrever nas duas faces.
·         Originalmente a Bíblia estava em rolos, quer dizer, longas faixas de papiro ou de pele unida nas extremidades a dois bastões em torno a um dos quais girava.
O que é a Hermenêutica bíblica?
·         A Hermenêutica bíblica é a ciência que trata das normas para interpretar retamente os Livros Sagrados.
·         A Igreja Católica é a única capacitada para interpretar autenticamente (com pleno direito e sem possibilidade de errar) a Sagrada Escritura porque Deus confiou somente a Ela a missão de guardar, ensinar e esclarecer aos fiéis sua Palavra.
Quais outras Bíblias existem?
·         Além da Bíblia Católica, que é a única completa e verdadeira, existem:
·         a Bíblia Hebraica e as Bíblias protestantes.
·         A Bíblia Hebraica contém somente (39) trinta e nove livros do Antigo Testamento. Portanto, rejeitam sete livros do Antigo Testamento e todos os do Novo Testamento que formam a Bíblia Católica.
·         A Bíblia Protestante.
1.       Os protestantes admitem somente a "livre interpretação" quer dizer, que cada um dever ler e interpretar a Bíblia à sua maneira, sem necessidade de submeter-se à autoridade da Igreja.
2.       Suprimiram alguns livros que estão na Bíblia Católica; além dos livros que conservam, modificam algumas palavras para apoiar suas idéias errôneas.
3.       Carecem de notas e comentários, não têm aprovação da autoridade da Igreja;
4.       São editadas pelas "Sociedades Bíblicas", algumas dizem: "Versão do original realizado por Cipriano de Valera e C. Reyna"; a maioria delas suprime vários livros do Antigo Testamento (Sabedoria, Judite, Tobias, Eclesiástico, I e II Macabeus, entre outros) e algumas também suprimem livros do Novo (Epístolas de Tiago, de São Pedro e de São João)
Qualquer Bíblia pode ser lida?
·         Não.
·         Porque pode conter erros doutrinais ou morais.
·         Também para evitar esses erros, um católico só deve ler Bíblias com notas e explicações aprovadas pela Igreja Católica, quer dizer, que tenham "Nihil Obstat" e "Imprimatur".
Como e porque ler a Bíblia?
·         A Igreja recomenda  e a leitura da Bíblia porque é alimento constante para a vida da alma;
·         Porque produz frutos de santidade, é fonte de oração, grande ajuda para o ensinamento da doutrina cristã e para a pregação.
·         À luz dos ensinamentos da Igreja, a Bíblia nos permite conhecer o modo de salvar-nos e reconciliar-nos, e isso só pode se dar conhecendo, amando e encarnando a vida de Jesus Cristo.
·         O Concílio Vaticano II "exorta a todos os fiéis com insistência a que, pela freqüente leitura das Escrituras, aprendam a ciência eminente de Cristo" (Constituição Dei Verbum, n. 25).
  • «A carne do Senhor é verdadeiro alimento, e o seu sangue verdadeira bebida; tal é o verdadeiro bem que nos está reservado na vida presente: nutrirmo-nos da sua carne e beber o seu sangue, não só na Eucaristia mas também na leitura da Sagrada Escritura. De facto, verdadeiro alimento e verdadeira bebida é a Palavra de Deus que se absorve do conhecimento das Escrituras»: São Jerónimo, Commentarius in Ecclesiasten, III: PL 23, 1092 A.
·         São Jerônimo diz "Leia com muita freqüência as divinas Escrituras; e mais, nunca abandone a leitura sagrada".
·         As disposições que se devem ter para ler e estudar a Bíblia são: fé e amor à Palavra de Deus, reta intenção, piedade e humildade para aceitar o que Deus diz.
·          É recomendável ler os Evangelhos diariamente durante alguns minutos.
  • O Sínodo da Palavra de Deus em setembro de 2010 “insistiu repetidamente sobre a exigência de uma abordagem orante do texto sagrado como elemento fundamental da vida espiritual de todo o fiel, nos diversos ministérios e estados de vida, com particular referência à lectio divina”.(VERBUN DOMINI, II PARTE-VERBUM IN ECCLESIA/A palavra de Deus na vida eclesial)
  • «Dedica-te à lectio das divinas Escrituras; aplica-te a isto com perseverança. Empenha-te na lectio com a intenção de crer e agradar a Deus. Se durante a lectio te encontras diante de uma porta fechada, bate e ser-te-á aberta por aquele guardião de que falou Jesus: “O guardião abrir-lha-á”. Aplicando-te assim à lectio divina, procura com lealdade e inabalável confiança em Deus o sentido das Escrituras divinas, que nelas amplamente se encerra. Mas não deves contentar-te com bater e procurar; para compreender as coisas de Deus, tens necessidade absoluta da oratio. Precisamente para nos exortar a ela é que o Salvador não se limitou a dizer: “procurai e encontrareis” e “batei e ser-vos-á aberto”, mas acrescentou: “pedi e recebereis”» (Orígenes,  Epistola ad Gregorium, 3: PG 11, 92./ ”.(VERBUN DOMINI, II PARTE-VERBUM IN ECCLESIA/A palavra de Deus na vida eclesial)
 Estela Márcia (Adaptação)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

“... é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras.” (CIC 108, Cf. Lc 24,45)

            Com propriedade o Missal Romano nos adverte a respeito da realidade do homem espiritual, esclarecendo-nos a respeito da 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 2,10b-16). Diz então, “A sabedoria de Deus não pode ser penetrada pelo homem. Faz-se necessária a revelação, por obra do Espírito”. Deus quer conduzir o homem à verdade plena e ao conhecimento de algo muito superior aos seus limites naturais. Por isso São Paulo insiste em dizer que é ‘o Espírito esquadrinha tudo’ (1Cor 10b). Esquadrinhar é o mesmo que sondar, perscrutar, investigar, pesquisar, estudar, analisar, procurar minuciosamente... Sim é tudo isso e muito mais. Aos limites humanos cabe apenas a busca, na Sagrada Escritura, desse conhecimento inspirado aos autores humanos – hagiógrafos, e revelado à Igreja, na pessoa dos apóstolos de ontem e de hoje, por meio de Jesus Cristo seu único Filho.
Para se conhecer e reconhecer plenamente dependente da sabedoria de Deus faz-se necessário a leitura assídua da Palavra de Deus, uma leitura orante, como já dizia na página anterior. Lembrando que estamos no mês de setembro. Mês em que a Igreja nos pede especial atenção a Palavra de nossa salvação - ‘Mês da Bíblia’, que tem por objetivo levar os cristãos católicos a uma experiência maior, e se possível crescente, com a Palavra que sustenta a nossa fé. 
Em seus ensinos inspirados, encontraremos o algo mais de nossas vidas, que por muitas nos fazem reféns de extremadas dificuldades. Com isso nos comportamos de forma indecisa, enlouquecida e fragilizada por inúmeras tribulações. São tribulações de toda espécie, desde o campo pessoal e afetivo, passando pelo campo espiritual, e atingindo a todas as nossas atividades. Somos surpreendidos por uma frouxidão que abala a todos os nossos relacionamentos. Porém, se estivermos sendo alimentados pela Palavra da Vida, estaremos ”enriquecidos com o dom do Espírito” (1 Cor 2,15b), e assim sendo capacitados para o exercício das boas obras e fortalecidos vencer as ditas tribulações, como nos ensina S. Paulo ao dizer-nos que a ‘Escritura é o sustentáculo da fé’: “é útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.” (II Tm 3,16-17)
Busquemos diariamente o alimento salutar da alma, ‘algo mais’ de nossas vidas, a Palavra de Deus!
Que Deus nos abençoe! N. Senhora Sede da Sabedoria, rogai por nós!
Estela Márcia
Dando continuidade ao estudo do Catecismo, segue a “Formação” do Artigo 3/II do Catecismo.
II. Inspiração e verdade da Sagrada Escritura
105. Deus é o autor da Sagrada Escritura. «A verdade divinamente revelada, que os livros da Sagrada Escritura contêm e apresentam, foi registrada neles sob a inspiração do Espírito Santo».
«Com efeito, a santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como sagrados e canônicos os livros completos do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja» (75). (75. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 822-823).
106. Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. «Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria» (76). (76. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823).
107. Os livros inspirados ensinam a verdade. «E assim como tudo o que os autores inspirados ou hagiógrafos afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus quis que fossem consignadas nas sagradas Letras em ordem à nossa salvação» (77). (77. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823).
108. No entanto, a fé cristã não é uma «religião do Livro». O Cristianismo é a religião da «Palavra» de Deus, «não duma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo» (78). Para que não seja letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras (79). (78. São Bernardo de Claraval, Homilia super "Missus est", 4, 11: Opera, ed. J. Leclercq – H. Rochais, V. 4, Roma 1966, p. 57; 79. Cf. Lc 24, 45).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

“O Espírito do Senhor está sobre mim...”

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. (Lc 4,18-19)

Neste Evangelho, com riqueza de detalhes, Jesus apresenta o programa de sua missão. Faz-nos perceber que é Nele que se cumpre todas as profecias do AT, especialmente Isaías 61,1ss.
Através da Sagrada Escritura, que é a Boa Nova da salvação de Deus para a humanidade, somos convidados a penetrar no conhecimento desta missão que Jesus, o enviado do Pai assumiu para nós e para a nossa salvação.
Anunciar a Boa Nova, curar, libertar e conceder a plenitude da Graça de Deus é o tudo que o Senhorio de Jesus permite àqueles que, pela obediência a sua Palavra, fazem a experiência diária de uma leitura orante e contemplativa.
Jesus nos traz a Boa Nova e nos faz experimentar a dignidade da salvação que se centraliza na sua Pessoa. E é Nele, com Ele e por Ele que o poder do Espírito do Pai, nos faz um com Ele, na unidade do Espírito Santo.
O Catecismo da Igreja Católica vai nos ensinar que Jesus Cristo é o “logos” (a palavra) exclusivo, único da Sagrada Escritura. A título de “Formação” cabe-nos apresentar tal ensinamento do Artigo 3 do Catecismo.
I. Cristo – Palavra única da Escritura santa
101. Na sua bondade condescendente, para Se revelar aos homens. Deus fala-lhes em palavras humanas: «As palavras de Deus, com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se semelhantes à linguagem humana, tal como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens assumindo a carne da debilidade humana» (68). (68. II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 13: AAS 58 (1966) 824).
102. Através de todas as palavras da Sagrada Escritura. Deus não diz mais que uma só Palavra, o seu Verbo único, em quem totalmente Se diz (69): (69. Cf. Heb 1, 1-3).
«Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo» (70). (70.  Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 103, 4, 1: CCL 40, 1521 (PL 37, 1378).
103. Por esta razão, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras tal como venera o Corpo do Senhor. Nunca cessa de distribuir aos fiéis o Pão da vida, tornado à mesa quer da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo (71). (71. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827).
104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força (72), porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a Palavra de Deus (73). «Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles» (74). (72. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 24: AAS 58 (1966) 829; 73.  Cf. 1 Ts 2, 13; 74. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827-828).
            Façamos a experiência da leitura diária da palavra de Deus com a riqueza que a própria liturgia da Missa nos propõe. Deus nos abençoe e ilumine!
            Estela Márcia

sábado, 1 de setembro de 2012

Setembro, “Mês da Bíblia”, sejamos praticantes e não meros ouvintes...

Vai nos dizer Santa Teresinha: “Não sou um guerreiro que combate com armas terrestres, mas com a ‘espada do Espírito Santo, que é a Palavra de Deus’.” É isso mesmo, a Palavra de Deus é apresentada a nós através do Espírito Santo que, como ‘boca de Deus’, arma-nos e prepara-nos para toda boa obra. Por isso,  anunciada pelos Profetas, vivida por Jesus Cristo, pregada pelos Apóstolos, rezada por muitos santos como Santa Teresinha, a Palavra de Deus é a única fonte da Verdadeira Vida. São Tiago vai nos advertir: “Todavia sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tg 1,22). Através da Palavra de Deus os homens e mulheres deste nosso mundo encontram o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Por ela, adentramos no mistério de um Deus que se revela à medida que se busca e se deseja encontrar o sentido da existência e da criação. Não por acaso, o só no século XX foram impressos mais de um bilhão e meio de exemplares, em mais de mil e seiscentos idiomas diferentes, tornando-se o maior “best-seller” de todos os tempos. Nunca a palavra de Deus foi tão meditada, lida e comentada como em nossos dias. Em 1971, surgia em na Arquidiocese de Belo Horizonte, o ‘Mês da Bíblia’, visando o desenvolvimento da ação evangelizadora da Igreja. Posteriormente se estendeu pelo Brasil com o apoio da CNBB. A iniciativa acabou por vir de encontro aos anseios do Concílio Vaticano II que já se manifestara a respeito na sua Constituição Dogmática Dei Verbum (sobre a Revelação Divina).
Vejamos uma breve síntese deste valioso documento do Concílio Vaticano II:
“No Sagrado Concilio, aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4). (...) Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20).(...) Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Heb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo. 1, 1-18). (...) Pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salvação dos homens (...)  As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legìtimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo apurado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo»*. Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos»* - (*Santo Agostinho). (§§ 1-4.11.25)
Diante de tamanho incentivo, estaremos ao longo deste mês refletindo e aprendendo com a Igreja a ler, meditar, estudar e orar com a Palavra de Deus. Venha conosco!                       Estela Márcia.